O cirurgião geral, de cabeça e de pescoço e presidente do CRM-SC, Daniel Knabben Ortellado, vê a telemedicina como um movimento natural da categoria profissional em função do avanço das tecnologias e nas mudanças do relacionamento como os pacientes.
Diz que embora a pandemia teve provocado avanço neste método, na realidade o SUS (Sistema Único de Saúde) de Santa Catarina o utiliza desde 2005. Mas também reforça que há casos em que o atendimento presencial é fundamental. Confira:
Como os médicos catarinenses têm aderido ao atendimento virtual?
Os médicos catarinenses sempre estão na vanguarda de todas as inovações da medicina. Com a telemedicina, não seria diferente. A telemedicina é usada no SUS em Santa Catarina desde 2005 e com a pandemia esse tipo de atendimento teve desenvolvimento significativo, passando a ser bastante usada nos consultórios médicos para troca de informações entre médico e paciente.
Presidente do CRM-SC, cirurgião Daniel Knabben Ortellado – Foto: Divulgação/NDMuitos médicos, em especial os de mais idade, passaram a atender on-line para protegerem a própria saúde, em função da Covid-19. Você acredita que esses profissionais devem voltar ao modelo presencial ou há chance de adotaram de forma definitiva a telemedicina?
A telemedicina não é uma medicina diferente. É somente um instrumento a mais no atendimento dos pacientes. Nunca o atendimento por telemedicina será superior ao presencial, com olho no olho e a possibilidade de fazer um exame físico completo. Desta forma, para a maioria das especialidades médicas o atendimento presencial ainda é fundamental. Eu acredito que a maioria dos médicos que está fazendo atendimento de forma exclusivamente on-line voltará ao atendimento presencial com o fim da pandemia, mantendo a telemedicina como uma ferramenta adicional.
Os médicos estão capacitados para esse atendimento ou é preciso avançar?
Sim, estão capacitados. No início do ano, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina fez uma pesquisa com mais de mil médicos do Estado. Mais de 99% conhecem a telemedicina, quase 62% já realizam consulta por este método, e destes, 82% acham que a telemedicina consegue manter boa relação médico-paciente. Claro que o aprendizado é constante e ainda muito será desenvolvido e melhorado.
“A maior novidade e o que foi mais desenvolvido com a pandemia foi a teleconsulta, que é a troca de informações diretamente entre o médico e o paciente.”
Daniel Knabben Ortellado, cirurgião geral, de cabeça e de pescoço e presidente do CRM-SC
Existem ferramentas e plataformas que ajudam neste trabalho?
Sim, existem ferramentas específicas para o atendimento por telemedicina com prontuário médico, sistema de receituário e de comunicação. Entretanto, o médico pode continuar com o prontuário já utilizado, inclusive prontuário manuscrito, utilizar uma plataforma de comunicação genérica, como Skype ou Zoom, por exemplo, e fazer suas receitas e documentos pelo site do CRM-SC.
Em abril de 2020, o CRM-SC desenvolveu um sistema de emissão de receitas e documentos médicos totalmente on-line para os médicos de Santa Catarina. Esse sistema foi desenvolvido justamente para facilitar a telemedicina. Atualmente, cerca de 2 mil documentos são emitidos diariamente.
Como funciona uma consulta virtual?
A telemedicina não envolve apenas consulta médica. Envolve diagnóstico, orientação de especialistas, triagem, monitoramento e manutenção da saúde. A maior novidade e o que foi mais desenvolvido com a pandemia foi a teleconsulta, que é a troca de informações diretamente entre o médico e o paciente. É claro que algumas especialidades têm dificuldade maior pela dependência com o exame físico.
A teleconsulta pode ser diretamente agendada com o médico ou com o convênio médico. Um sistema de voz e imagem é utilizado para comunicação entre as partes e a troca de documentos (receitas e atestados, por exemplo) pode ser feita por ferramentas específicas. A remuneração é feita pela livre negociação entre as partes. O paciente tem que ser orientado que, em alguns casos, uma consulta presencial pode ser necessária.
Pacientes da saúde mental também recorrem ao atendimento
A procura por atendimento médico na área de saúde mental aumentou durante a pandemia. É o que conta Rafael Amorim, psiquiatra que passou a usar o recurso das consultas on-line no ano passado.
“Houve um aumento importante de transtornos mentais, depressivos e ansiosos. Por causa disso, a procura por atendimento profissional também aumentou e acredito que a telemedicina tenha ajudado nesse ponto”, comenta o psiquiatra.