“No esplendor da alvorada carioca, vamos falar de dor. Sem medo e sem rancor, com gratidão: há 5 anos o dr. Paulinho Niemeyer me livrou da paraplegia, mas as dores vieram pra ficar.
A dor é minha companheira inseparável, somos casados em comunhão de males, pernas, lombo, pés, joelhos, bunda, execrável, crônica, aguda e grave, só muda de intensidade o sofrimento, se o dia foi pesado, ferido o sentimento, mas se a opção era viver numa cadeira, nada a reclamar: o preço é aceitável.
Nosso primeiro encontro foi em Floripa, a meu convite, veio participar do show “Ginga Brasil” no Aterro da Baia Sul, patrocinado pela US Top, uma marca de jeans. Estavam lá 30 mil pessoas e vários artistas famosos do País. E ali nasceu uma grande amizade. Foto: arquivo pessoalPior que as dores são as penas que impõe, o medo da queda, a atenção permanente, a choque entre a vontade e a realidade, entre o desejo e a mobilidade, dos músculos, tendões e nervos, que obrigam a sentir mais dor, pra ter mais força e vigor, mas aumentam a dor de sempre.
SeguirEla só me deixa em paz, quando escrevo, falo, crio, quando não tenho mais corpo, tudo é leve, nada é triste, nem lembro que ela existe.
Nosso último encontro, em setembro, no Rio, foi casual, em uma loja no Shopping Leblon: estava usando uma bengala. Falou do seu problema com humor, revelando a sua idade e rindo.