A ‘nóia’ da autoimagem nas redes sociais é tema do 6º episódio do podcast aDiversa

No último dia do mês que marca a campanha Setembro Amarelo, encontro fala sobre como as redes sociais podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais

Redação ND Florianópolis

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Uma pesquisa sobre autoestima revelou que 84% das jovens brasileiras já utilizaram aplicativos de edição para mudar a sua imagem. O objetivo? Se “adequarem” aos padrões de beleza das redes sociais.

A busca pela imagem “perfeita” não é algo inocente: prejudica a autoestima e pode até contribuir para o desenvolvimento de um transtorno mental. No último dia do mês que marca a campanha Setembro Amarelo, esse é o assunto do 6º episódio do podcast aDiversa, da Diversa+, que vai ao ar nesta sexta-feira (30).

Convidados do podcast aDiversa debateram a distorção de imagem nas redes sociais – Foto: NDConvidados do podcast aDiversa debateram a distorção de imagem nas redes sociais – Foto: ND

O episódio “A ‘nóia’ da autoimagem nas redes sociais” conta com a participação da psiquiatra Júlia Trindade e da fotógrafa especializada em books de 15 anos Gisele Soares.

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A apresentadora convidada é Thainá Klock, analista de redes sociais do Grupo ND. O editor da NDTV Murilo Mestriner cumpre a cota masculina e traz outra perspectiva para a discussão.

Padrões irreais e inalcançáveis

As redes sociais impõem padrões diariamente que vão além da beleza: o celular da moda, a viagem do momento, a série que todo mundo precisa assistir… Mas aqueles relacionados ao próprio corpo são os mais prejudiciais aos usuários.

De acordo com a psiquiatra Júlia, tentar alcançar um padrão de beleza é um dos fatores que podem desencadear um transtorno mental de autoimagem, mais frequente nas mulheres e com início por volta dos 14 anos.

“Quando colocamos uma foto na rede social e ganhamos curtidas e comentários, isso gera uma sensação de bem-estar que é viciante, porque eu quero aprovação. Na adolescência isso é ainda mais intenso”, explicou.

Apesar de terem sido evidenciados pelas redes, os padrões sempre existiram. Apresentadora do aDiversa, Luciana compartilhou uma experiência da infância que certamente já aconteceu com muitas meninas: o bullying por conta da aparência.

“Os meninos faziam uma coisa muito feia: se reuniam num corredor, as meninas passavam no meio em direção à sala de aula e eles davam notas. Era horrível”, contou ela, que ao revelar a situação em casa na época, ganhou validação, acolhimento e uma dica de ouro da mãe.

Os riscos da ‘vida perfeita’

Murilo também trouxe uma experiência pessoal que evidencia os riscos de querer estar “dentro do padrão”. Ele emagreceu muito em função de um trauma e começou a receber elogios pela forma física. Frases como “nossa, como você está mais bonito” se tornaram comuns para o jornalista, até que ele desenvolveu anorexia.

A analista de redes sociais Thainá lembrou de outro problema: mudar a própria personalidade para se encaixar em um padrão que não representa quem você é.

“Eu transformei minhas redes em uma pessoa diferente. Quando cheguei aqui em Florianópolis as pessoas me diziam ‘nossa, achei que você era tão fechada, mas você é uma menina super alegre’. Fotos bonitas são legais, mas nós somos mais do que isso”, disse.

Uma das dicas da psiquiatra para evitar problemas é selecionar cuidadosamente as pessoas que você segue nas redes sociais.

A onda do ‘body positive’

Um movimento positivo vem ganhando força nas redes sociais nos últimos anos: o “body positive”. Influenciadores mostram registros reais e sem edição dos próprios corpos para mostrar que ninguém é perfeito. A fotógrafa Gisele já sentiu impactos dessa onda no estúdio fotográfico.

“Antes as meninas pediam para tirar a celulite, afinar a cintura, esconder as espinhas… Hoje elas não querem nada de filtro, pedem as fotos mais naturais possíveis“, revelou.

Como lembrou Luciana, os filtros do Instagram fizeram as pessoas buscarem sempre um aspecto que não é real. Ao longo do papo, Gisele dá conselhos para quem quer se sentir bem nas fotos, mas sem usar edição.

Sobre o podcast

O podcast aDiversa tem episódios semanais publicados na página da Diversa+ todas as sextas-feiras, às 7h. Apresentados pela editora do ND+ Luciana Barros, os programas tratam de assuntos do universo feminino, de forma leve, descontraída e com uma pitada de polêmica.

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