As últimas informações sobre a transmissão da variante Delta em Santa Catarina e um possível aumento de casos no horizonte, além dos desafios econômicos e de assistência às vítimas com sequelas da Covid-19, levaram a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa a se reunirem nesta quarta-feira (18) para discutir a situação no Estado e definir ações diante do cenário.
Audiência pública da Comissão de Saúde por videoconferência debateu o atendimento de pessoas com sequelas decorrentes da Covid-19 – Foto: Divulgação/ Alesc/ NDA variante Delta traz ainda mais preocupação em razão da alta transmissibilidade. Alexandra Boing, professora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e membro do Observatório Covid-19, lembrou que muitas pessoas ainda não retornaram para completar a imunização com a aplicação da segunda dose.
A professora também mencionou as crianças, que até então foram menos atingidas pela doença. “O cenário muda com a variante Delta. Precisamos implantar medidas para proteção”, alertou.
SeguirRecomendações como o uso de máscara, ventilação e monitoramento da qualidade do ar nos ambientes com ar-condicionado estão entre os reforços.
“A doença ainda está em nosso meio. Se não tivermos cautela, vamos perder o controle”, disse o deputado Fabiano da Luz (PT) enquanto defendia a manutenção das medidas sanitárias.
Tratamento pós-Covid-19
Participaram da reunião deputados, representantes do poder público e de diversas instituições. Tânia Ramos, coordenadora da Associação Nacional Vida e Justiça em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19, solicitou a audiência. Ela tem um irmão de 57 anos acamado em decorrência da Covid-19.
A coordenadora afirmou que não há profissionais nem insumos suficientes na rede básica para fazer o atendimento pós-Covid-19. Ela também pediu apoio das instituições de defesa do cidadão, como Ministério Público e Defensoria Pública, para levantar quantas pessoas estão sequeladas e sem receber assistência do município.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, duas políticas estão sendo implementadas para fortalecer e regionalizar o acesso dos pacientes com sequelas. Uma delas trata da criação de centros de atendimento pós-Covid-19 e a outra de terapia renal substitutiva como política de Estado.
“Precisamos elaborar políticas públicas para fortalecer o SUS. Com a atual estrutura e o subfinanciamento, o SUS não dará conta de atender as pessoas sequeladas pela doença”, disse o deputado federal Pedro Uczai (PT).
Vacinação
O secretário de Saúde informou que “o Estado mantém o cronograma de vacinar até 31 de agosto todos os catarinenses de até 18 anos com a primeira dose”. A secretaria quer iniciar imediatamente a vacinação de adolescentes entre 12 até 17 anos com comorbidades.
Com cerca de 1 milhão de doses recebidas pelos municípios e sem registro no sistema, Ribeiro reforça a necessidade de que todos os municípios registrem adequadamente as doses. Segundo ele, a ação é essencial para que o Estado reivindique um aporte maior de vacinas.