A chegada aos 10 mil casos de Covid-19 confirmados em Blumenau mantém a cidade em alerta. O secretário de Saúde, Winnetou Krambeck, explica que ainda não é possível determinar a situação da curva de contágio do coronavírus na cidade, mesmo após os números expressivos mostrarem que novos casos continuam sendo diagnosticados. “Essa semana teve um crescimento (dos casos) mais lento, isso muito relacionado ao fato de ter tido a parada de sete dias e um regramento de horário também, mas ainda temos aumento de casos. Para analisar e saber se está decrescendo, se temos um pico ou estamos num platô, precisamos de mais uma semana para consolidar os dados”, ressalta.
Secretário de Saúde de Blumenau, Winnetou Krambeck, acredita que a cidade ainda está em fase de aumento do número de casos da Covid-19 – Foto: Michele Lamim/Prefeitura de BlumenauKrambeck aponta também a redução na procura por atendimento médico nos postos de atendimento para Covid-19 na cidade, o que resultou na diminuição de testes realizados, e destaca a queda nos resultados positivos. E garante que a chegada de 36 mil doses de cloroquina não vai alterar o protocolo de atendimento na cidade. Confira a entrevista completa:
São 10 mil casos de Covid-19 confirmados. Qual é a situação de Blumenau: já atingimos um pico? A tendência agora é diminuir ou aumentar?
SeguirAinda estamos em crescimento. Os nossos técnicos não conseguem afirmar no momento se nós chegamos ao pico ou estamos num platô, o fato é que nós estamos crescendo. Essa semana tivemos um crescimento mais lento, isso muito relacionado ao fato de ter tido a parada de sete dias, mas ainda temos aumento de casos. A perspectiva é ir para uma tendência da redução no número de casos, é o que a gente acha que vai ocorrer. Tudo isso pode mudar drasticamente se a população não entender os cuidados, achar que uma tendência de queda de números é representação de relaxamento nas medidas, então isso pode mudar, mas precisamos avaliar por um período maior para ver se não foi só momentâneo, precisa observar se essa tendência se mantém ao longo de uma, duas, ou três semanas.
Qual era a média diária de amostras analisadas há três semanas, quando a prefeitura decretou o fechamento do comércio, e como está essa média hoje?
Nós não mudamos critérios de testagem, mas tivemos redução no número de pessoas com síndrome gripal procurando os ambulatórios, a Vila Germânica e os prontos-socorros dos Hospitais. Quando tem uma redução na procura, também tem redução na quantidade de testes coletados e acaba reduzindo o número de positivos. Nós vínhamos com uma média de (resultados) positivos nos testes analisados de 50%, com as medidas (restritivas) essa porcentagem diminuiu, caiu para 35% e hoje está entre 25% e 30%, ou seja, diminuiu a porcentagem de testes analisados que são positivos.
Em quanto tempo sai o resultado dos pacientes que passam pela coleta? E qual é o protocolo de atendimento para os casos positivos hoje?
Em até sete dias a pessoa vai receber o resultado. No início, quando o volume é menor, a agilidade é muito maior. Nós tivemos um volume muito grande, teve um período que chegamos a quase 300 testes por dia. Também estamos trabalhando na automação da entrega de laudos e acreditamos vai facilitar muito. Não tem uma demanda reprimida (de testes), hoje temos uma média de 150 testes por dia. O paciente entra (no sistema) como suspeito e já passa a ser monitorado. Assim que vem a confirmação do resultado, sendo positivo ele passa é monitorado como positivo, caso seja negativo ele sai do monitoramento. O paciente positivo é acompanhado, tem restrições de horário, tem que ficar em isolamento domiciliar e a gente observa se tem comorbidades para ter uma avaliação mais próxima do paciente. Os pacientes sintomáticos são medicados para os sintomas, com paracetamol, dipirona, é o que é ofertado. Pacientes de risco ou com comorbidades de risco recebem também o Tamiflu.
A chegada das 36 mil doses de cloroquina e o pedido feito por alguns médicos da cidade para que houvesse tratamento precoce e preventivo à Covid-19 deve alterar o protocolo?
Não vamos trabalhar com alteração de protocolo, eu e o prefeito conversamos muito e respeitamos a autonomia dos médicos. A chegada desse medicamento é para ficar disponível na nossa rede da saúde, para que, caso o médico entenda a prescrição da cloroquina, possa prescrever e buscar esse medicamento na nossa rede de atenção.
Sobre os médicos que nos procuraram, no processo da pandemia é válido. São profissionais competentes que estão no dia a dia atendendo, a troca de informação é importante, mas o fato é que evidência científica relacionado a isso, hoje não tem. Blumenau sempre se postou pautada na ciência, tanto é que nós apoiamos os estudos referentes a esses medicamentos no Hospital Santo Antônio. A gente escutou (os médicos), vem trabalhando com eles e entendemos que temos que disponibilizar o medicamento para aqueles que entenderem a prescrição em conjunto com o seu paciente possam buscar essa forma de medicação.
Uso de máscaras é obrigatório em Blumenau – Foto: Reprodução/NDTVQual é a situação dos hospitais?
O percentual que ocupa os hospitais é menor. O coronavírus faz isso, 80% das pessoas infectadas são leves, mas temos uma porcentagem que acaba indo para o hospital, agravando e precisando de UTI. Ontem (quinta-feira, 7), estávamos com 95% de leitos e 16% dos leitos de guerra, se a gente consolidar esses leitos, a taxa de ocupação seria de 70%, 75%. Ainda é alta, não podemos entender que isso é uma ocupação baixa e o mês de agosto vai ter ainda uma ocupação dos hospitais. Nós trabalhamos para ter espaço nos hospitais, são 51 leitos de ampliação de UTI, o que nos deu qualidade para atender essa população. Houve uma leve redução na ocupação de UTI, mas temos que ficar atentos.
A prefeitura não está apostando muito no bom senso das pessoas, contando que elas vão respeitar o isolamento e o distanciamento social, inclusive as que têm resultados positivos?
Acho que tudo que nós podemos fazer, independente do movimento da população, está sendo feito. A prefeitura não joga só no bom senso, mas é fundamental que a população tenha informação e bom senso no momento de pandemia. Infelizmente, se as pessoas não entenderem a situação que a gente está vivendo todas as ações se dificultam. A prefeitura e a secretaria (de Saúde) vem trabalhando para diminuir o contágio no município, mas para que a gente consiga diminuir de forma substancial precisamos do bom senso da população, para que a gente consiga reduzir o efeito da pandemia e ter um retorno de um certo normal. Entendemos que existem dificuldades, mas muitas pessoas ainda não compreenderam a situação estamos vivendo, não só em Blumenau, mas no Estado e no Brasil.