Alternativas para combater o novo coronavírus

Sem um tratamento ainda definitivo contra a Covid-19, diferentes tipos de remédios têm sido estudados e até mesmo administrados por médicos pra tentar conter os avanços da pandemia

Marcelo Fleury, Especial para o ND+ Florianópolis

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Ainda não existe cura para a Covid-19. Alguns medicamentos estão sendo usados e testados mundialmente mesmo sem evidências definitivas de sua eficácia. É importante ressaltar que ninguém deve fazer uso deles sem orientação médica. É o médico, em conjunto com o paciente, que deve fazer o acompanhamento e escolher a melhor terapia, quando for necessário.

Alternativas  e medicamentos para combater o novo coronavírus – Foto: Mauricio Vieira/Secom/Divulgação/NDAlternativas  e medicamentos para combater o novo coronavírus – Foto: Mauricio Vieira/Secom/Divulgação/ND

A seguir, conheça mais sobre os medicamentos estão sendo usados na pandemia e os tipos de testes.

Medicamentos

Remdesivir

Foi o primeiro medicamento a obter autorização para uso no enfrentamento da Covid-19 pela FDA (agência reguladora americana). Ele impede que os vírus se repliquem ao se inserir diretamente nos genes virais. Foi originalmente testado como um antiviral contra o Ebola e a Hepatite C, sem grandes resultados.

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Dados preliminares de pesquisas mostram que a droga pode reduzir a permanência no hospital de pessoas com casos severos de Covid-19, de 15 para 11 dias. Esses resultados preliminares não mostraram nenhum efeito na mortalidade, embora novas pesquisas publicadas em julho demonstram que o remdesivir pode reduzir a taxa de mortalidade entre os que estão muito doentes.

Favipiravir

É um medicamento japonês usado originalmente contra a gripe. Bloqueia a capacidade do vírus de copiar seu material genético. Um pequeno estudo em março indicou que a droga pode ajudar a eliminar o coronavírus das vias aéreas, mas faltam estudos mais robustos.

No Brasil, o favipiravir tem registro de patente com validade até 2023, mas ainda não recebeu aprovação da Anvisa. A agência diz que ele está “sob experimentação”.

Lopinavir e ritonavir

Comumente associada ao tratamento do HIV, pesquisas iniciais demonstraram que sua combinação impedia a replicação dos vírus de Covid-19. Porém, testes clínicos em pacientes desapontaram os pesquisadores.

No início de julho, a OMS (Organização Mundial de Saúde) suspendeu os estudos em pacientes hospitalizados. Porém, não impediu estudos que avaliem os efeitos em pacientes contaminados pela Covid-19 que não estejam em estágio avançado o suficiente para serem internados.

Especialistas apontam que o retroviral ainda pode ter algum papel no combate à doença, se combinado com outros tratamentos.

Hidroxicloroquina

No Brasil, a hidroxicloroquina pode ser administrada em pacientes que assinarem um termo de consentimento e sob supervisão médica. É um fármaco controlado, que precisa de receita especial. Não há evidências definitivas nem a favor nem contrária a seu uso, embora a OMS tenha suspendido estudos com a droga.

Sua origem remonta aos anos 1930, quando químicos alemães sintetizaram a cloroquina para combater a malária. Uma versão menos tóxica, a hidroxicloroquina, foi inventada em 1946 e posteriormente aprovada para outras doenças, como lúpus e artrite reumatoide.

No início da pandemia, pesquisadores descobriram que a hidroxicloroquina podia deter a multiplicação do coronavírus nas células. Desde então, as pesquisas são acompanhadas de um debate intenso que muitas vezes, como no Brasil e nos Estados Unidos, extrapolam a área médica e ganham contornos políticos.

A pesquisa mais recente, de julho, no sistema de saúde Henry Ford, em seis hospitais em Detroit, nos EUA, mostrou que a hidroxicloroquina reduziu a mortalidade em pacientes com Covid-19.

Entre seus efeitos colaterais, pode provocar arritmia cardíaca, motivo pelo qual é fundamental o acompanhamento médico, a fim de avaliar e monitorar as respostas do organismo.

Azitromicina

É um antibiótico que tem sido usado em tratamentos precoces associado com à hidroxicloroquina. A eficácia dessa medicação não é contra o vírus causador da Covid-19, mas no controle da síndrome respiratória aguda, principal sintoma da doença.

Embora também não haja comprovação definitiva sobre sua eficácia contra o coronavírus, relatos de médicos que lidam no dia a dia com pacientes contam que detectam melhora no quadro.

Ivermectina

É um medicamento antiparasitário comum, com poucos efeitos colaterais. Não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, mas também não existem estudos que refutem esse uso.

O que se sabe é que a ivermectina mostrou atividade antiviral in vitro (em laboratório), tendo sucesso parcial no combate ao coronavírus, porém também afetando as células, o que não a favorece para estudos em pessoas infectadas.

Mesmo sem resultado conclusivo em humanos com Covid-19, municípios como Itajaí e Balneário Camboriú têm defendido e apostado na distribuição do fármaco como prevenção. Da mesma maneira que outros medicamentos, a recomendação é que seu uso seja feito apenas sob orientação médica, com acompanhamento de um especialista.

Testes

Testes rápidos

Há uma variedade grande de testes rápidos disponíveis. Basicamente, são de dois tipos: de antígeno (que detectam proteínas na fase de atividade da infecção) e os de anticorpos (que identificam uma resposta imunológica do corpo em relação ao vírus). A vantagem desses testes seria a obtenção de resultados rápidos para a decisão da conduta.

No entanto, a maioria dos testes rápidos existentes possuem sensibilidade e especificidade muito reduzidas em comparação a outras metodologias.

O Ministério da Saúde aponta que os testes rápidos apresentam uma taxa de erro de 75% para resultados negativos, o que pode gerar insegurança e incerteza para interpretar um resultado negativo e determinar se o paciente em questão precisa ou não manter o isolamento social.

RT-PCR

É considerado o padrão-ouro no diagnóstico da Covid-19, cuja confirmação é obtida através da detecção do RNA do SARS-CoV-2 na amostra analisada, preferencialmente obtida com aquela espécie de longo cotonete (swab) introduzida no nariz.

Para realizar o procedimento é necessário ter a solicitação do médico. A coleta pode ser feita a partir do terceiro dia após o início dos sintomas e até o décimo dia, pois ao final desse período, a quantidade de RNA tende a diminuir. Ou seja, o teste RT-PCR identifica o vírus no período em que está ativo no organismo, tornando possível aplicar a conduta médica apropriada: internação, isolamento social ou outro procedimento pertinente para o caso em questão.

Sorologia

Verifica a resposta imunológica do corpo em relação ao vírus. Isso é feito a partir da detecção de anticorpos IgA, IgM e IgG em pessoas que foram expostas ao SARS-CoV-2. Nesse caso, o exame é realizado a partir da amostra de sangue do paciente.

Para que o teste tenha maior sensibilidade, é recomendado que seja realizado, pelo menos, 10 dias após o início dos sintomas. Isso se deve ao fato de que produção de anticorpos no organismo só ocorre depois de um período mínimo após a exposição ao vírus.

Realizar o teste de sorologia fora do período indicado pode resultar num resultado falso negativo. Por isso, para realizar o exame é necessário o pedido médico. Em caso de resultado negativo, uma nova coleta pode ser necessária, a critério médico.

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