Alunos de uma escola em Santa Catarina aderiram a uma nova e perigosa tendência que vem circulando na internet e deixando pais e professores em alerta. Crianças e adolescentes publicam vídeos cheirando pó de corretivo líquido raspado, também conhecido como “branquinho”, como se fosse cocaína.
Alunos de escolas estão cheirando pó de corretivo líquido – Foto: Reprodução/InternetA prática foi registrada em meados de março em uma escola de Lages, na região Serrana do Estado, e também em instituições no Paraná e São Paulo.
Publicações na internet sobre o assunto mencionam expulsões, processos e até a presença da polícia nas escolas. O ato representa um perigo para a saúde física e psicológica, conforme alertam médicos especialistas.
SeguirO corretor é feito à base de água, mas contém substâncias que podem ser prejudiciais e trazer efeitos colaterais, como o dióxido de titânio, que serve para deixar o líquido com a cor branca.
O médico otorrinolaringologista Henrique Pedro Von Zuccalmaglio Filho diz que a substância em si não é altamente tóxica. No entanto, a inalação desse componente pode provocar um quadro irritativo no nariz, rinite química, lacerações, ulcerações e até mesmo sangramentos.
“É um corpo estranho dentro do nariz. O corpo vai ter uma reação inflamatória. Pode congestionar o nariz, aumentar a produção de secreção e facilitar uma sinusite”, explica o médico.
Se a inalação for feita de forma repetitiva, o pó pode descer às vias aéreas inferiores e, no caso de uma pessoa asmática, desencadear uma crise grave.
O pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum diz que a inalação do pó não gera nenhum efeito alucinógeno ou prazeroso. “A criança que cheira esse pó não imagina que ele vai para os pulmões e que pode causar grandes danos, como pneumonia, pneumonite, infecções, reações alérgicas e asmas, por exemplo”, disse o médico em entrevista ao Portal R7.
O que fazer frente ao uso
O otorrinolaringologista orienta que a pessoa utilize um antialérgico anti-inflamatório e lave o nariz com soluções salinas, a base de soro fisiológico ou substância semelhante.
“Caso permaneça alguma complicação ou desconforto, a pessoa deve buscar o auxílio de um médico otorrinolaringologista”, sugere.
Além de lesões e doenças respiratórias, a “modinha” é vista pelos especialistas como um estímulo ao uso de drogas. O pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum diz que existe um efeito psicológico e também uma apologia às drogas.
“Não é para ficarmos incentivando uma criança a fazer algo assim [inalar pó de corretivo], pois estamos ensinando um mau hábito. É importante conversar com a criança e o adolescente e deixar claro que isso não vai trazer nenhum benefício a ela”, disse o pediatra.
O otorrinolaringologista Henrique Pedro Von Zuccalmaglio Filho acredita que esse tipo de “brincadeira” pode levar o jovem a iniciar o uso de drogas inalatórias como a cocaína, visto que o ritual da inalação é praticamente o mesmo.
Caso em SC
O colégio instalado em Santa Catarina publicou uma nota na web, afirmando que alguns alunos reproduziram a “brincadeira” na instituição.
“Prontamente identificamos a ação, conversamos e orientamos os alunos e chamamos todos os pais dos envolvidos para alertar sobre a vulnerabilidade perante às redes. Tratam-se de excelentes crianças, que não escaparam do perigo de serem influenciadas”, disse a escola.
Leia a nota da escola na íntegra:
Um dos grandes desafios contemporâneos é estabelecer um filtro nos conteúdos que nossas crianças e jovens estão expostos. A informação está a um clique, e os bons e maus modelos chegam em nossas casas na velocidade da luz e todos estes novos conteúdos convergem naturalmente a um mesmo lugar: para a Escola.
Ontem alguns alunos, reproduziram do TikTok um vídeo que desafia os jovens a utilizar o corretivo a base d’água raspado como se fosse uma suposta mercadoria ilícita.
Prontamente identificamos a ação, conversamos e orientamos os alunos e chamamos todos os pais dos envolvidos para alertar sobre a vulnerabilidade perante as redes. Tratam-se de excelentes crianças, que não escaparam do perigo de serem influenciadas.
Cabe a nós adultos limitarmos o acesso a conteúdos não adequados – redes sociais, séries, filmes – e sobretudo orientarmos nossas crianças sobre estes modismos de mau gosto. Já vivenciamos a onda da Baleia Azul, da boneca Momo, do desodorante, do derrubar o amigo propositalmente e certamente outras virão.
Precisamos estar atentos e principalmente unidos, pois quando a escola e a família se unem quem ganha é a aluno/ o filho/o cidadão que é constantemente percebido, aprende com as falhas e permanece protegido.