Segundo a Associação Americana de Alzheimer (Alzheimer’s Association), a Doença de Alzheimer afeta mais as mulheres do que os homens. O risco de uma mulher desenvolver a doença aos 65 anos é de 1 em 6, o que representa quase o dobro do risco de ela desenvolver câncer de mama. Os homens, por sua vez, apresentam risco de 1 em 11 de desenvolver Alzheimer na mesma faixa etária.
Uma pesquisa publicada em 2020 pela revista acadêmica “Neurology”, da Academia Americana de Neurologia, apontou que mulheres de meia-idade têm mais chances de apresentar alterações no cérebro relacionadas à Doença de Alzheimer, mesmo quando não existe alteração clara no raciocínio e na memória.
Mulheres estão mais sujeitas a desenvolver a doença – Foto: Pexels Divulgação / NDExames de imagem sugeriram que a correlação está ligada ao período da pós-menopausa, quando o hormônio estrogênio deixa de ser produzido.
Nosso cérebro, assim como nosso corpo, precisa ser estimulado ao longo da vida para se manter ativo.
Hábitos como a prática da leitura, aprender algo novo como tocar um instrumento musical, realizar jogos de estratégia como xadrez, sudoku e palavras cruzadas são atividades intelectuais estimulantes, que podem ser inseridas na rotina de um indivíduo para estimular a formação de reserva cognitiva.
Além disso, a prática de exercícios físicos e de esportes apresenta a evidência de benefícios nas funções cognitivas como memória, executivas, de atenção e cognição global.
Segundo a gerontóloga Thais Bento Lima-Silva, a prática de atividades físicas intensas também pode melhorar a irrigação e o fluxo sanguíneo do cérebro e a oxigenação, evitando o surgimento de outras comorbidades e contribuindo para o bem-estar na liberação de hormônios e neurotransmissores que ajudam a prevenir alterações no estado de humor.
“Foi constatado por estudos científicos que a prática de exercícios físicos aumenta tanto a expressão gênica quanto a proteína do fator de crescimento das células, denominado BDNF, substância que favorece a formação e novos neurônios e o fortalecimento das conexões neurais”, afirmou a especialista.
“Os resultados do estudo prospectivo de Larson e colaboradores demonstraram que a prática regular de exercício físico, pelo menos três vezes por semana, esteve associada à redução do risco de desenvolver demências, sendo um potente fator protetor contra o declínio cognitivo”, completa Thaís Bento.
Então, como reduzir o risco de desenvolver a Doença de Alzheimer? Ainda de acordo com a gerontóloga, atualmente os estudiosos têm insistido nas atividades preventivas, considerando que ainda não há cura para a Doença de Alzheimer.
“Exercitar o cérebro com atividades que estimulem as funções cognitivas são alternativas para manter a mente ativa e estimulada, proporcionando uma melhor saúde para o cérebro e evitando o surgimento de declínio cognitivo, e até mesmo prevenir ou postergar o desenvolvimento da Doença de Alzheimer”, frisou Thais Bento Lima.
Questões hormonais podem ter relação com a maior incidência da demência em mulheres – Foto: Pexels Divulgação / NDEla ressalta que os fatores de risco de desenvolvimento de demências, podem ser reduzidos ou prevenidos se alguns hábitos e comportamentos forem adotados, não apenas pelo indivíduo, mas pela sociedade como forma de políticas públicas de saúde e de promoção de envelhecimento saudável.
“Entende-se que uma boa qualidade de vida é promovida com um processo de corresponsabilidade: o papel poder público e a atuação do indivíduo”.
As orientações preventivas da Organização Mundial de Saúde foram publicadas em um documento chamado Plano de Ação Global em Demências – estratégias de 2017 a 2025.
Os fatores de proteção direcionado para os indivíduos são:
- Tratar a hipertensão e ter como objetivo Pressão Arterial Sistólica PAS<130 MM Hg na meia-idade;
- Usar aparelhos auditivos para perda auditiva;
- Evitar ou desencorajar o consumo de 21 ou mais unidades de álcool por semana;
- Prevenir traumatismo craniano em que um indivíduo pode estar em alto risco;
- Parar de fumar é benéfico, independentemente da idade;
- Reduzir a obesidade e a condição associada do diabetes pela disponibilidade de alimentos saudáveis e um ambiente para aumentar o movimento;
- Manter a atividade física na meia idade e idade avançada.
Os principais fatores de prevenção do desenvolvimento de demência a nível de políticas públicas são:
- Priorizar a educação infantil para todos, em todo o mundo;
- Implementar políticas sociais de saúde pública que reduzam o risco de hipertensão em toda população;
- Desenvolver políticas que incentivem a atividade social, cognitiva e física ao longo da vida;
- Examinar os riscos de perda auditiva ao longo da vida para reduzir o risco de exposição;
- Reduzir o risco de traumatismo craniano em ambientes relevantes, incluindo ocupacional e transporte;
- Políticas nacionais e internacionais para reduzir a exposição da população à poluição do ar;
- Reduzir a exposição ao fumo, tanto para crianças quanto para adultos, e encorajar a cessação.