Antígeno, PCR e sorológico: conheça cada tipo de teste para Covid-19

Disponibilidade dos exames confunde pacientes que desejam identificar presença do vírus no organismo; confira diferenças entre cada um

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Com a disseminação da Covid-19 pelo Brasil e pelo mundo, uma das maneiras de prevenção à transmissão da doença é a realização de testes para identificar a presença do vírus no organismo, possibilitando o isolamento dos contaminados. No entanto, ainda há dúvidas sobre como funcionam os exames e qual a diferença entre cada um deles.

Teste PCR pode ser feito por quem apresentar sintomas da Covid-19 – Foto: Hélia Scheppa/SEI/Fotos Públicas/NDTeste PCR pode ser feito por quem apresentar sintomas da Covid-19 – Foto: Hélia Scheppa/SEI/Fotos Públicas/ND
  • RT-PCR 

Talvez o mais famoso, o chamado ‘PCR’ é uma técnica de testagem que realiza mais de mil cópias de uma região específica do DNA, coletadas através da haste inserida na narina do paciente. A explicação é que o vírus da Covid-19 tem como material genético o RNA e não o DNA, sendo necessário que esse RNA seja transformado em DNA, antes de ser realizada a PCR para o diagnóstico.

Esse passo é chamado de transcrição reversa, de onde vem a sigla RT, abreviação em inglês para ‘reverse transcription’.  “A grande vantagem da PCR em tempo real é a rapidez na obtenção dos resultados diagnósticos”, explica o cofundador e diretor científico da empresa DNA Consult, Euclides Matheucci.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
  • Antígeno

Já o teste antígeno é um exame imunocromatográfico rápido, que ao invés de detectar o material genético do vírus, como no RT-PCR, identifica as proteínas do SARS-CoV-2. O teste rápido de antígeno positivo determina a presença do vírus na amostra, que é colhida por meio de saliva, swab (haste nasal) ou nasofaringe.

Esses exames são mais eficientes na fase aguda da doença, do 1º ao 7º dia em pessoas com sintomas e a partir do 5º dia em pessoas assintomáticas que tiveram contato com casos confirmados.

  • Exames sorológicos

Fazendo referência ao nome, o exame sorológico usa de amostras de sangue, soro ou plasma através da técnica imunocromatografia (geração de cor a partir de uma reação entre o antígeno e o anticorpo) para detectar anticorpos produzidos pelo próprio organismo do paciente em resposta à infecção pelo coronavírus, chamados de IgM e IgG.

Esses indicadores revelam se a pessoa teve ou não contato com o vírus. Tendo em vista que o organismo demanda um tempo para a produção desses anticorpos a partir do contágio, a imunocromatografia é indicada para exames a partir de 10 dias após o início dos sintomas.

  • RT-Lamp

No teste RT-Lamp, assim como o PCR, ocorre a transcrição reversa, que é o momento em que o RNA viral se torna DNA. A diferença é que na RT-PCR, ocorrem temperaturas variadas, enquanto que o RT-Lamp, a amplificação é feita em temperatura fixa.

É um teste que deve ser utilizado durante a fase precoce da doença, ou seja, até o término da primeira semana desde o aparecimento dos sintomas. “Apesar da sua praticidade, o RT-LAMP ainda não deve ser considerado um teste substituto do RT-qPCR, pois é menos sensível quando comparado ao mesmo”, afirma Matheucci.

Infecção dupla por Covid-19 e Influenza

Para identificar a infecção dupla, são feitos exames que mostram cada um dos vírus ou ambos, na mesma amostra. A técnica utilizada é a ‘PCR multiplex’, que detecta, simultaneamente, mais de um patógeno (vírus, bactéria) em uma única reação.

“Covid-19 e Influenza apresentam sintomas semelhantes, sobretudo nos primeiros dias, sendo difícil o diagnóstico clínico baseado somente nos sintomas. Os tratamentos, no entanto, são diferentes. Apenas em uma consulta médica é difícil diferenciar as doenças”, realça Euclides Matheucci.

Sendo doenças respiratórias, as amostras ideais são do trato respiratório, colhidas no nariz ou garganta por meio da tradicional haste. A vantagem é a identificação de qual vírus está causando a infecção. A partir daí, o médico pode tomar as condutas adequadas para o tratamento e acompanhamento do paciente.

Anvisa libera autotestes

Já a polêmica em torno dos autotestes, realizados pelos próprios pacientes fora do ambiente clínico começou após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovar, em fevereiro, o registro do primeiro autoteste.

No final de janeiro, a Anvisa regulamentou a utilização de autotestes para Covid-19. Já neste mês de março, mais dois autotestes foram aprovados. Já são seis autorizados no Brasil.

Tópicos relacionados