Muitas pesquisas em diferentes hospitais referência do País e do mundo buscam hoje novas drogas contra Covid-19. Joinville, no Norte do Estado, tem participado ativamente com várias frentes de estudo.
Pesquisas buscam respostas para o maior desafio da saúde pública mundial: pandemia de Covid-19 – Foto: Pixabay/ReproduçãoUm deles é um ensaio clínico multicêntrico chamado de Revolution, que envolve três drogas antivirais já usadas para combater HIV e Hepatite C. Essa pesquisa está buscando provar que essas drogas amplamente disponíveis no mercado também têm efeitos contra a Covid-19.
Isto porque estes antivirais têm função diminuir a replicação viral e, portanto, a carga viral.
SeguirInclusive, estudos experimentais realizados pela Fiocruz já demonstraram que a utilização desses fármacos têm capacidade de diminuir fortemente a carga viral do SARS-CoV-2.
A pesquisa está em fase 2, avaliando, basicamente, a segurança do uso desses medicamentos. É coordenada pela HCor em parceria com Fiocruz entre outras entidades e 14 hospitais referência no País. O Centro Hospitalar Unimed, de Joinville, é um deles. Conta, ainda, com patrocínio de duas empresas joinvilenses.
Centro Hospitalar Unimed participa da pesquisa dos antivirais – Foto: Carlos Júnior/Divulgação NDEsse tipo de estudo multicêntrico é de grande relevância uma vez que levanta dados de populações distintas, de diferentes regiões geográficas, podendo então ser interpretados e validados para a população em geral.
Veja a lista de hospitais participantes:

O número de pacientes envolvidos soma 250. Já foram incluídos 237. “Ficamos muito satisfeitos em poder contribuir. O Centro Hospitalar Unimed de Joinville foi o hospital que mais recrutou pacientes no Brasil”, sublinha o médico intensivista e pesquisador Glauco Westphal. Ele coordena o estudo em Joinville.
Até o final deste mês, a inclusão de pacientes – que precisam ter critério de internação – será concluída. Logo depois, começa a análise de dados. Como é um estudo randomizado, complexo, um comitê internacional ficará responsável por fazer toda a análise e cruzamento de dados, sempre zelando pela segurança máxima dos pacientes.
Ele lembra que outros dois estudos observacionais – um no Reino Unido e outro no Irã – mostraram que esses três fármacos antivirais estão associados a uma maior sobrevida em pacientes com Covid-19. Porém, enfatiza que estudos observacionais não são capazes de sustentar eficácia absoluta de um medicamento. São necessários estudos mais sofisticados, conhecidos como ensaios clínicos randomizados.
Por isso, o estudo dos antivirais é tão importante para saúde mundial.
“Caso essas drogas sejam comprovadamente eficazes contra o novo coronavírus teremos uma perspectiva para o tratamento de uma doença que é extremamente grave e ainda não está controlada”, complementa Westphal.
O pesquisador fez questão de destacar, ainda, que a medicina brasileira nunca contribuiu tanto com a ciência mundial.
“A união desses grandes hospitais e das redes de pesquisa é algo inédito que tem mostrado muita eficiência. O Brasil está aparecendo com várias publicações de impacto em revistas internacionais de medicina. Mas sozinho não se faz nada. É necessário que haja um trabalho em rede com objetivo de se buscar o melhor do coletivo”, finaliza o intensivista, coordenador de UTIs e pesquisador Glauco Westphal.