Anvisa diz que não há prazo para liberar estudo sobre a Coronavac

Diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, disse que paralisação dos estudos em testes de vacina é normal

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R7 São Paulo

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O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, disse que a interrupção nos estudos da vacina Coronavac ocorreu por uma “decisão técnica” diante de “informações insuficientes” a respeito de um evento adverso grave ocorrido com um dos participantes da pesquisa.

Torres afirmou que é normal a paralisação dos estudos em testes de vacina. Ele citou o caso do imunizante de Oxford, que também interrompeu sua pesquisa por causa de um evento adverso.

Testes com a vacina Coronavac foram interrompidos por “decisão técnica” segundo o diretor-presidente da Anvisa – Foto: Divulgacão/O Trentino/NDTestes com a vacina Coronavac foram interrompidos por “decisão técnica” segundo o diretor-presidente da Anvisa – Foto: Divulgacão/O Trentino/ND

O diretor disse que é preciso ter certeza do que ocorreu e citou o uso do VAR no futebol fazendo uma analogia de como deve ser minuciosa a apuração. “Não é brincadeira o que nós estamos tratando aqui”, disse.

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Ele falou também que a ansiedade para aprovar a vacina parece ser maior do que a da própria Anvisa.

“A Anvisa não é parceira de nenhum desenvolvedor, de nenhum laboratório, de nenhum instituto”, afirmou.

Torres também não quis comentar a informação de que o paciente do estudo teria se matado, conforme foi divulgado pelos veículos de comunicação nesta terça-feira. Ele se limitou a comentar que as informações que a Anvisa recebeu eram insuficientes.

Ele não deu prazo para que a Anvisa tome a decisão para reiniciar os estudos e disse que as decisões “serão tomadas quando precisarem ser tomadas”.

“As informações recebidas ontem levaram à decisão técnica de interrupção dos testes da vacina.. As informações veiculadas foram consideradas pela área técnica insuficientes, incompletas, para que ontem fosse possível continuar permitindo o desenvolvimento vacinal. Diante de informações incompletas, a área técnica só tem a tomar uma decisão diante de evento adverso não esperado”, afirmou Barra Torres.

Ele disse que eventos adversos podem ser de vários tipos, inclusive a morte.

A paralisação

Segundo comunicado emitido pela agência na segunda-feira (9), o evento – não especificado – aconteceu em 29 de outubro. A decisão da suspensão da pesquisa acontece para que os estudos possam avaliar sobre a segurança e benefícios à saúde do possível imunizante antes da continuidade do estudo.

O órgão esclarece ainda que este tipo de interrupção “é prevista pelas normativas da Anvisa e faz parte dos procedimentos de Boas Práticas Clínicas esperadas para estudos clínicos conduzidos no Brasil.”

“A Anvisa reitera que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”, diz a nota.

Também na segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), havia afirmado que as primeiras doses da vacina Coronavac chegariam ao país no dia 20 de novembro.

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