CPI da Covid: Mayra Pinheiro diz ser a favor de isolamento social

Secretária defensora da cloroquina afirmou ser contra a imunidade de rebanho para "grupos populacionais grandes"

Foto de R7

R7 São Paulo

Receba as principais notícias no WhatsApp

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou nesta terça-feira (25), à CPI da Covid, que é a favor de medidas preventivas contra a Covid-19, como o isolamento social, utilização de máscaras e a vacinação em massa da população. Com informações do R7

CPI da Covid: Mayra Pinheiro diz ser a favor de isolamento social – Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/NDCPI da Covid: Mayra Pinheiro diz ser a favor de isolamento social – Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/ND

Em resposta ao senador Rogério Carvalho (PT-SE), ela confirmou defender todas as medidas e também negou a defesa da imunidade de rebanho para acabar com a pandemia, mas acrescentou que é contra somente no caso de “grupos populacionais grandes”.

Antes, ela tentou explicar quando defende a tese, ao ser confrontada com vídeos onde no qual ela contestava, em 2020, o fechamento de escolas dizendo que ações de restrição como essas impediram a imunização rápida da população.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Eu preciso que isso seja contextualizado. O efeito rebanho não pode ser utilizado indistintamente para todos os grupos, porque não é possível que a gente vá prever quanto eu tenho que expor da população para esse benefício, o que vai resultar em muitas mortes”, afirmou a secretária, que também é pediatra.

A secretária disse ainda não se lembrar de ter se manifestado a favor da tese de imunidade de rebanho em outras ocasiões e afirmou que o Ministério da Saúde jamais defendeu essa tese.

Cloroquina

Mayra que tenha recebido ordem para orientar médicos a usarem o remédio em pacientes com Covid-19 ou que tenha partido dela qualquer iniciativa nesse sentido, mas voltou a defender o uso do medicamento. Ela também criticou a decisão da OMS (Organização Mundial da Saúde) de retirar a indicação.

A secretária disse que a OMS retirou a indicação de uso da cloroquina com base em estudos com protocolos falhos, e ressaltou que o Brasil não é obrigado a seguir a OMS.

Apesar de contestada por senadores críticos do uso dessa medicação, Pinheiro defendeu o uso da cloroquina com base em evidências que mostram “bastante eficácia”, segundo ela.

“Infelizmente, esses dois medicamentos foram muito estigmatizados e criminalizados, em vez de serem criminalizadas as pessoas que fizeram pesquisas fraudulentas ou que causaram a morte”, considerou.

Relatoria destaca 11 contradições de secretária

A relatoria da CPI da Covid elencou 11 contradições da secretária apenas na primeira parte do seu depoimento, ou seja, na parte da manhã.

As contradições, segundo a relatoria, estão nos temas: tratamento precoce, mediamentos para covid, pesquisas, cloroquina, Tratcov, OMS e Conitec, população pediátrica, isolamento, comando do Ministério da Saúde, Manaus e oxigênio para Manaus.

Veja abaixo o levantamento:

1) Tratamento precoce

Mayra: Utilizado por profissionais médicos de todo os mundo, que oferecem assim que feito o diagnóstico

Checagem: Não há qualquer dado a esse respeito, sobretudo após a recomendação da OMS em sentido contrário ao uso de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina.

2) Medicamentos para Covid

Mayra: Notas Orientativas do Ministério da Saúdo, nº 9 e nº 17 apenas recomendam.

Checagem: O documento “Plano Manaus”, assinado pelo Ministro Pazuello, diz textualmente que deve incentivar o tratamento precoce. O aplicativo TRATECOV, por sua vez, indica expressamente o tratamento. A depoente, em ofício encaminhado à Secretaria de Saúde considera inadmissível não usar a cloroquina e demais remédios.

3) Pesquisas na área de infectologia

Mayra: Não levou, enquanto secretária, informações ou experiências a respeito de estudos, pesquisas e publicações na área de infectologia.

Checagem: Ao longo de todo o depoimento relembra suas experiências, pesquisas e informações.

4) Cloroquina 

Mayra: Assevera ser antiviral. Mantém a orientação para uso de Cloroquina e Hidroxicloroquina.

Checagem: A Cloroquina não é um antiviral nem um anti-inflamatório, e sim um antimalárico, utilizado em casos de malária, que é um protozoário, não um vírus. OMS e Conitec recomendam não utilizar os medicamentos, porque inócuos ao tratamento.

5) Tratcov

Mayra: A plataforma foi retirada do ar porque foi hackeada e dados teriam sido irregularmente alterados.

Checagem: Ela mesma se contradisse, e contradisse Pazzuelo, ao afirmar que a plataforma foi retirada do ar, APENAS, para fins de investigação, sem que tenha havido deturpação (como declarou Pazzuelo) ou alteração (como ela mesma disse) da plataforma.

6) OMS e Conitec

Mayra: Levou em consideração os estudos e declarações a respeito do uso de cloroquina e hidroxicloroquina.

Checagem: Usou e recomendou o uso, porque, segundo suas próprias declarações contraditórias, as recomendações da OMS e CONITEC foram baseados em estudos com qualidade metodológica questionáveis.

7) População pediátrica

Mayra: Declara que 37,5% da população pediátrica tem menos chance de contrair a doença. E que todas deveriam ter continuado estudando presencialmente.

Checagem: Desconsidera que, em todas as escolas, há presença de adultos. E, para piorar, não apresenta percentual de transmissão, de crianças para adultos.

8) Isolamento

Mayra: Afirma que o isolamento causou mais pânico na cidade, atrapalhou a evolução natural da doença e impediu o efeito rebanho de imunização.

Checagem: Contradisse sua declaração ao ser perguntada se teria conhecimento, recebido estudo técnico ou análise dessa tese e de seu impacto sobre a saúde pública, afirmando que NÃO RECEBEU. Também afirmou que tal tese nunca foi cogitada pelo Ministério da saúde e que desconhece qualquer médico que defendesse igual teoria.

9) Comando do Ministério da Saúde

Mayra: Declarou continuidade dos trabalhos desde a gestão Mandetta.

Checagem: Contradisse sua afirmação ao afirmar os diferentes ministros adotaram decisões diversas porque as necessidades quanto à pandemia teriam mudado ao longo do tempo.

10) Manaus

Mayra: Afirma que conhecia previamente a situação e as características do sistema de saúde de Manaus, que já havia experimentado um colapso em abril e maio de 2020.

Checagem: Há clara contradição quando declara que, somente esteve em Manaus entre 3 e 5 de janeiro, quando tomou ciência da realidade ali apresentada. E, declara também que só se deslocou a Manaus em 3/1/21, para providências pertinentes, por ordem do Ministro Pazzuelo.

11) Oxigênio em Manaus 

Mayra: Seria impossível prever a quantidade de oxigênio a ser usada e a consequente falta do fornecimento.

Checagem: Contradição com o que afirmou ao Ministério Público Federal: “é possível realizar esse cálculo a partir do prognóstico de hospitalizações, pois se estima a quantidade de insumo a partir do número de internados.

Confira o depoimento da secretária na íntegra:

Tópicos relacionados