O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello passou mal na tarde desta quarta-feira (19) após depoimento à CPI da Covid. Com isso, a sessão será retomada nesta quinta-feira (21), às 9h30.
Pazuello passou mal após sessão – Foto: FABIO RODRIGUES POZZEBOM/AGÊNCIA BRASILA informação foi dada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, em coletiva de imprensa.
“O ex-ministro, segundo informações do senador Otto Alencar, que é médico, teve mal-estar e, na linguagem técnica, uma síndrome do vasovagal, teve um mal-estar dessa natureza e foi atentido pelo senador Otto, e depois se recuperou”, disse.
SeguirPazuello, por sua vez, negou o mal-estar. “Não, eu não passei mal. E amanhã [o depoimento] continua”, disse aos jornalistas na saída do prédio do Senado Federal, acompanhado do senador governista Marcos Rogério (DEM-RO).
“Bolsonaro nunca mandou cancelar compra do Butantan”
Em depoimento à CPI, Pazuello afirmou que o presidente Jair Bolsonaro jamais o obrigou a cancelar qualquer compra de vacinas do Instituto Butantan ou pediu para ele não dar andamento a essas aquisições.
Mais cedo, ele ainda havia dito que Bolsonaro nunca o obrigou a nada durante a pandemia de Covid-19.
O general da ativa do Exército tentou explicar o que ocorreu em outubro de 2020, quando após inúmeras declarações do presidente, o Ministério da Saúde teve de voltar atrás em uma afirmação feita a governadores de que compraria 46 milhões de doses da CoronaVac, imunizante desenvolvido em parceria pelo Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac.
Segundo ele, o anúncio de compra foi um engano seu. “Na reunião do dia 20, com todos os governadores, estávamos discutindo o PNI (Programa Nacional de Imunização) e a compra de vacinas. Eu tinha assinado no começo de outubro a carta de intenções com o Butantan de compra de 46 milhões de doses. Na verdade, não era um contrato, eu não tinha as disposições legais para fazer assinar ainda.”
Segundo o ex-titular da pasta da Saúde, as disposições legais só foram dadas com uma medida provisória aprovada no início de 2021 pelo Congresso Nacional. “Não havia condições de negociar o contrato, mas nós vínhamos conversando com o Butantan.”
Vice da CPI pede quebra de sigilo
O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou requerimento para quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático de Pazuello.
Entre as informações prestadas, Pazuello disse que soube do risco iminente de colapso no sistema público de saúde em Manaus (AM) no dia 10 de janeiro, contestou a versão dada pelo diretor-geral da Pfizer na América Latina e afirmou que respondeu à farmacêutica “inúmeras vezes”, mas que não podia negociar com a empresa.
O requerimento da quebra dos sigilos não tem data para ser votado pelos membros da CPI.