A CPI da Covid foi suspensa nesta quinta-feira (20), mais uma vez, após nova discussão no Senado. O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello não se manifestou e o debate acabou levando à suspensão dos trabalhos da CPI. As informações são do Portal R7.
O debate começou quando o senador Marcos Rogério (DEM/PR) exibiu vídeos de governadores, de março do ano passado, admitindo o uso da hidroxicloroquina. A iniciativa causou reação dos senadores representantes destes estados e gerou grande discussão.
Ex-ministro Eduardo Pazuello durante depoimento na CPI da Covid – Foto: Reprodução/YoutubeDurante a sessão desta quinta-feira, o ex-ministro culpou o Governo do Amazonas pelo colapso sanitário ocorrido no estado em janeiro de 2021.
SeguirDe acordo com Pazuello, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas não percebeu a queda na oferta de oxigênio no início deste ano e o governo local ainda fechou em 2020 um hospital de campanha em Manaus que ficou apenas três meses em funcionamento.
O senador, por sua vez, mostrou uma matéria do jornal “A Crítica”, da capital do Amazonas, de 6 de janeiro, na qual se fala que empresas adotavam medidas emergenciais para evitar o fim do oxigênio em Manaus. “Todas as autoridades deveriam saber disso também”, declarou o parlamentar.
“Nessa mesma matéria, diz que houve um acréscimo de 340% em internações em UTIs e leitos clínicos de covid de dezembro para janeiro”, prosseguiu. Segundo Braga, a reportagem cita ter procurado a Secretaria de Estado da Saúde, que teria afirmado que não havia falta de oxigênio no Amazonas.
Pazuello disse que ficou claro para ele que a pasta estadual da Saúde “não tinha como foco o acompanhamento do insumo fornecido”. E voltou a dizer que só tomou conhecimento do problema depois que ele havia ocorrido.
Para os senadores, Pazuello cumpriu a missão de blindar o presidente Bolsonaro, inclusive ao negar determinação presidencial para não comprar a Coronavac. Segundo o ex-ministro, embora Bolsonaro tenha declarado publicamente que cancelaria a compra da vacina de fabricação chinesa, jamais formalizou a ordem ao Ministério da Saúde.
O general voltou a dizer que a sugestão de criar o aplicativo TratCov, que facilitaria o diagnóstico da Covid-19 partiu da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro.
“É bom colocar que o diagnóstico clínico, no caso em Manaus, era muito necessário pela velocidade e contaminação excessiva” defendeu Pazuello.
Pazuello admitiu que o desenvolvimento do TratCov não estava completo quando foi apresentado. “Naquele dia que foi apresentado, foi feito um roubo dessa plataforma e foi feito um boletim de ocorrência. Foi roubado. Tem uma investigação que chega nesse cidadão, ele foi descoberto, pegou o diagnóstico, alterou dados e colocou na rede pública”, explica.
De acordo com o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), a plataforma sugeria uso de cloroquina para grávidas e crianças e acrescentou que o hacker deveria ser tão influente que chegou a colocar propaganda do TratCov na TV Brasil.
Sessão de quarta-feira
O primeiro depoimento do ex-ministro da Saúde teve de ser interrompido após Eduardo Pazuello passar mal na quarta-feira (19), quando foi ouvido por sete horas.
Pazuello, por sua vez, negou o mal-estar. “Não, eu não passei mal. E amanhã [o depoimento] continua”, disse aos jornalistas na saída do prédio do Senado Federal, ainda na quarta-feira, acompanhado do senador governista Marcos Rogério (DEM-RO).
O ex-ministro respondeu a todos os questionamentos blindando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de responsabilidade em qualquer erro durante a pandemia.
O ministro também negou as principais acusações contra sua gestão, como a de que a pasta teria ignorado ofertas da Pfizer por meses e que houve omissão do governo federal no colapso hospitalar de Manaus.