CPI da Covid: Pedro Hallal e Jurema Werneck prestaram depoimento nesta quinta-feira

Especialistas falam sobre combate à pandemia e discutem com parlamentares mortes por Covid-19 que poderiam ter sido evitadas

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Redação ND Florianópolis

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O epidemiologista e pesquisador da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), Pedro Hallal e a representante do Movimento Alerta, Jurema Werneck, prestaram depoimento na CPI da Covid, no Senado, nesta quinta-feira (24).

Pedro Hallal e Jurema Werneck prestam depoimento na CPI da Covid nesta quinta (24) – Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado e Agência SenadoPedro Hallal e Jurema Werneck prestam depoimento na CPI da Covid nesta quinta (24) – Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado e Agência Senado

A médica defendeu que “é preciso criar um plano de responsabilização e reparação. Responsabilização daqueles que deixaram de fazer o que era necessário, de cumprir o seu dever”, e ainda acrescenta que “a sociedade brasileira precisa encontrar uma forma de reparar o dano que foi causado pelo descontrole da pandemia”.

Jurema ainda ressaltou que é preciso criar uma frente nacional de enfrentamento à covid liderada pelo Parlamento, incluindo todos os setores da sociedade pois “todos têm o dever e o que contribuir para salvar as vidas no Brasil”.

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Werneck afirmou ainda afirmou à CPI da Pandemia que mais de 100 mil mortes poderiam ter sido evitadas se as medidas adequadas para prevenção ao coronavírus tivessem sido tomadas. “Aqueles que puderam, usaram máscaras de qualidade. Aqueles que puderam, ficaram em casa. Aqueles que tiveram consciência não fizeram aglomerações. Mesmo assim, nós chegamos à 305 mil mortes, e 120 mil poderiam ter sido evitadas. Se a gente tivesse conseguido implementar as medidas de forma eficiente, isso não teria acontecido”.

O epidemiologista Pedro Hallal reforça o discurso da médica ao dizer que “entre 95 e 145 mil mortes foram causadas pela demora em comprar as vacinas”.

Em resposta ao Relator da CPI, Renan Calheiros, Jurema ressaltou que “Ao não colocar em prática, ao não mover o sistema único de saúde com o potencial de liderança, de indutor do sistema, de não fazer as previsões necessárias, ao não fazer os investimentos necessários, não há dúvidas que o Ministério da Saúde falhou terrivelmente. Poderia ter sido diferente”.

A mortalidade de indígenas por causa do coronavírus também foi discutida na comissão. Alguns parlamentares reagiram de maneira negativa às declarações dos depoentes. “Da mesma forma que tivemos aqui cientistas e médicos renomados contra o tratamento precoce, e cientistas e médicos renomados a favor do tratamento precoce, que a gente possa ter uma visão diferente do que foi apresentado aqui né, porque o ideal seria, no mesmo recinto, duas posições divergentes para que a gente pudesse fazer as perguntas e tirar as conclusões”, diz o Senador Eduardo Girão (PODEMOS-CE).

Segundo Pedro Hallal, o governo interrompeu apoio à estudo que monitorava a diferença do número de infectados por grupos étnicos. Em contraponto, senadores mostraram um slide evidenciando que os povos indígenas possuem cinco vezes a mais o risco de contaminação pelos vírus do que as populações brancas. A argumentação foi usada para evidenciar que, com base nele, os indígenas tiveram prioridade do Governo Federal na fila da vacinação.

Hallal se notabilizou por entrevistas e análises sobre o avanço da pandemia no Brasil através das redes sociais. Em janeiro deste ano, Hallal publicou na revista “The Lancet” à comunidade científica internacional com análise que a maioria das mortes se devia a má performance do país.

Jurema Werneck representa Movimento Alerta, formado por entidades da sociedade civil, que trabalharam na consolidação de dados e informações sobre mortes ocorridas durante a pandemia.

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