Apenas 4% das crianças de 5 a 11 anos de Itajaí tomaram vacina da Covid-19

Imunologista considera que a vacinação das crianças é fundamental para o controle da doença

Kassia Salles Itajaí

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A adesão da vacina pediátrica contra Covid-19 tem sido baixa em Itajaí: da estimativa de cerca de 21 mil crianças entre 5 e 11 anos na cidade, apenas 869 receberam o imunizante até esta sexta-feira (21). Isso equivale a cerca de 4% deste grupo.

A baixa adesão fez com que a prefeitura já ampliasse a vacinação para toda essa faixa etária e para crianças em geral. A partir desta segunda-feira (24), todas as crianças entre 5 e 11 anos do município já podem se vacinar. No momento da vacinação, a criança deverá estar acompanhada dos pais ou responsáveis ou apresentar declaração assinada.

Apenas 4% das crianças de 5 a 11 anos tomaram vacina da Covid-19 em Itajaí – Foto: Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDApenas 4% das crianças de 5 a 11 anos tomaram vacina da Covid-19 em Itajaí – Foto: Prefeitura de Itajaí/Divulgação/ND

O esquema vacinal dos pequenos será com duas doses, sendo a segunda aplicada após um intervalo de 8 semanas. A estimativa do Governo do Estado é que Itajaí tenha 21.226 crianças de 5 a 11 anos para vacinação.

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Um dos primeiros vacinados em Itajaí foi o pequeno João Rodrigo Pinheiro Leão, de 8 anos. Ele mora em Natal, no Rio Grande do Norte, mas veio passar as férias com a família em Itajaí e aproveitou a oportunidade para se vacinar contra a Covid-19. “Não doeu nada. Foi só uma picadinha, mas sei que é para o meu bem, então fiquei muito feliz”, declarou o menino. Na ocasião, seu pai, João Rodrigo Souza Leão também recebeu a dose de reforço.

Mas João foi um dos poucos da idade dele que receberam a imunização. Para a diretora da Vigilância Epidemiológica de Itajaí, Paola Vieira, esse fenômeno pode ser explicado pela disseminação de informações falsas. “Os movimentos anti-vacinas também influenciaram negativamente na vacinação”, ainda cita.

Segundo ela, a Vigilância Sanitária não registrou nenhum caso de crianças que tiveram reações graves à vacina. Paola ainda reforça que não é preciso ter nenhum cuidado prévio à vacinação, exceto se a criança apresentar algum sintoma gripal, como febre ou até tosse. Neste caso, é importante aguardar que os sintomas passem para se vacinar.

“Após a vacinação os pais devem ficar atentos ao sinais e sintomas que a criança possa apresentar. Sinais esperados são dor local leve, criança ficar levemente chorosa, e em caso de persistir aí sim, levar ao atendimento”, explica.

2021 foi um ano de baixa adesão ao calendário vacinal

Não foi só a vacina da Covid-19 que teve baixa adesão. Segundo Paola, as demais vacinas já previstas no calendário infantil também tiveram uma baixa procura em 2021. Ela associa isso ao isolamento das famílias, o medo de comparecer as UBS (Unidades Básicas de Saúde), e “a alta demanda de sintomáticos respiratórios nas UBS, deixaram os pais mais receosos em levar seus filhos às unidades”.

“O controle da pandemia vem com a vacinação das crianças”, diz imunologista

O médico alergista e imunologista Phelipe Souza, em entrevista ao Ver Mais Itajaí, considera que a vacinação das crianças é fundamental para o controle da doença. “O controle da pandemia vem com a vacinação das crianças”, afirma.

Ele ainda afirma que as duas vacinas disponíveis para o público infantil, a Pfizer (a partir de 5 anos) e a Coronavac (a partir de 6 anos), são igualmente eficazes na imunização contra Covid-19.

Souza ainda relembra que o Brasil é um país pioneiro em imunizar crianças há muitos anos, “e a gente conseguiu vencer várias doenças imunopreveníveis através da vacina”. É o caso do tétano, sarampo, da rubéola e da poliomielite.

Como está sendo a vacinação de crianças contra Covid-19 no Litoral Norte de SC – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/NDComo está sendo a vacinação de crianças contra Covid-19 no Litoral Norte de SC – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/ND

Reações à vacina

O médico ainda reforça que reações à vacina são até consideradas esperadas. Não é só a da Covid-19 que pode causar dor muscular, indisposição ou até febre, já que qualquer vacina “é um desafio para o sistema imunológico”, considera.

A vacina da Covid-19 pode causar reações, mas, para Souza, não será tão forte quanto a doença de fato. “É uma provocação ao sistema imunológico, para criar imunidade ao vírus”, afirma.

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