Após casos em SC, veja como identificar abuso infantil e orientar crianças

A educadora sexual Monica Kaiman trouxe dicas para manter diálogos em casa; na última semana, um professor foi preso em Joinville por envolvimento em estupro

Redação ND Joinville

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A prisão de um professor em Joinville, no Norte de Santa Catarina, suspeito de abusar sexualmente uma menina de 8 anos, reacendeu o alerta em muito pais sobre abuso infantil.

Criança na redeAbusos podem ser silenciosos, alertam educadores – Foto: Pixabay/Reprodução/ND

Segundo a Organização das Nações Unidas, apenas 1% das meninas que sofreram abusos procuram ajuda na vida adulta. Mas muitos traumas ficam escondidos e, assim, o crime prospera.

Educadores sexuais explicam que a melhor prevenção é o diálogo. Nisso, entram conversas dos pais com os filhos sobre os limites do próprio corpo.

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A empresária Liliane da Silva Benedet afirma que mantém diálogo constante com os dois filhos, de 9 e 3 anos, sobre o assunto.

“A gente tem que ter essa educação sexual, não ensinar o sexo, mas mostrar o que pode expor o que não pode”, conta.

Educadores, no entanto, orientam que as famílias tenham cuidado na hora de falar sobre toque nas partes íntimas, por exemplo. Isso porque, ao invés de alertá-los, poderão gerar bloqueios ainda maiores.

“Geralmente a gente ensina que no genital ou nas mamas não se pode tocar, mas o abusador nunca começa tocando no genital. Ele abusa por muito tempo, tocando na orelha, no rosto, no braço”, explica a educadora sexual Monica Kaiman.

Materiais pornográficos de crianças foram encontrados na casa de professor, em Joinville, na última semanaMateriais pornográficos de crianças foram encontrados na casa de professor, em Joinville, na última semana – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

“Quando eu falo que não pode tocar na genital, eu coloco a criança na atenção só da vulva ou do pênis; assim, outro toque erótico no corpo ela não consegue perceber”, complementa a profissional.

Kaiman lembra, porém, que é preciso ter cuidado na forma de se comunicar com a criança. “O médico vai poder tocar. Se a criança fizer xixi na calça, a professora vai poder trocar a roupa. Então, precisar ampliar o leque de pessoas que poderão ter acesso ao corpo da criança, se não, vocêe vai levar no dentista e ela não vai deixar tocar na boca”, comenta.

Comportamentos

De acordo com o conselheiro tutelar Willians Odia, crianças abusadas sexualmente apresentam, em geral, comportamentos específicos, que devem ser analisados.

“Às vezes, começam a apresentar atitudes de ordem sexuada, como brincar com bonecas reproduzindo ato sexual; verbalizar palavras relacionadas a sexo, falas em relação aos órgãos genitais que nunca tinham verbalizado”, explica.

Ele sugere também que os pais fiquem alertas durante a higienização dos filhos. Nessa hora, se for o caso, marcas físicas podem ser percebidas, indicando um suposto abuso sexual.

Às vezes, é silencioso

Mas isso não é regra. Muitas crianças silenciam e não apresentam sinais físicos ou mudam de comportamento. Por isso, Kaiman reforça a importância de um diálogo sensível e cuidadoso.

“Nunca você pode começar já perguntando se alguém a tocou, se alguém falou alguma coisa. Até porque existem dois tipos básicos de abuso sexual: aquele que tem um contato físico e aquele que não tem”, explica.

Esse questionamento dos adultos, segundo ela, pode bloquear ainda mais a criança à conversa. Nesse sentido, perguntar sobre seus sentimentos costuma ser um caminho mais viável. Vale orientar meninos e meninas a, sempre que sentirem seus corpos violados, contar aos pais ou às pessoas responsáveis.