Após mofo, Hospital Regional de Joinville recebe novas denúncias

Há uma semana, moradores do Norte catarinense ficaram perplexos com o mofo no hospital; mas esse não é o único problema da ala de cardiologia

Sofia Mayer Joinville

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Após a repercussão de casos de mofo na ala de cardiologia do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, no Norte de Santa Catarina, novas denúncias de precariedades surgiram nesta terça-feira (26).

Pacientes reclamam de estrutura da ala de cardiologia do hospital – Foto: Divulgação/NDPacientes reclamam de estrutura da ala de cardiologia do hospital – Foto: Divulgação/ND

Segundo pacientes, o tratamento que está sendo feito contra o bolor que impregnou a ala não impede que o mofo retorne às paredes em períodos de novas chuvas.

“Estão fazendo uma ‘tapeação’ com tinta e uma lixa, mas, nas próximas chuvas, as infiltrações vão deixar tudo igual”, comenta Ane Schulz, de 59 anos, que tem uma doença cardíaca genética e esteve internada de segunda (18) até sexta-feira (22) na unidade.

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Em menos de um mês, Ane precisou fazer duas angioplastias – cirurgia que permite abrir artérias – no hospital.

Local chamou a atenção pela quantidade de mofo – Foto: Val Meurer/Arquivo pessoalLocal chamou a atenção pela quantidade de mofo – Foto: Val Meurer/Arquivo pessoal

Ane soma voz aos relatos de precariedades na ala do hospital. Inclusive, com a repercussão do caso, na última semana, membros da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Joinville marcaram de visitar a unidade nesta quarta-feira (27).

Novas denúncias

O desconforto não se restringe à situação das paredes. Ane conta que, durante a semana de internação, passou por cinco lugares diferentes devido à falta de estrutura e superlotação da ala de cardiologia.

“Fui para cama com monitoramento, maca com monitoramento, cadeira,  maca do Samu no chão e, depois, outra maca antes e após o procedimento de angioplastia”, relata a paciente.

Ela comenta que, após a cirurgia, chegou ficar internada em um corredor com mais 40 pessoas, com dificuldades para levantar. “Nunca chorei tanto. Fiquei ali por cinco dias”, conta.

A água do chuveiro também seria gelada, segundo relatos – Vídeo: Divulgação/ND

“No pronto socorro, tem gente sentado há dois dias numa cadeira de plástico ou em banquinho de subir em maca”, complementa a doceira. Segundo ela, o estado de conservação do equipamentos também é precário.

Elevadores

Pacientes reclamam também que os elevadores que levam para salas de exame ou de procedimento cirúrgicos não estão funcionado; dessa forma, funcionários estariam se sobrecarregando para deslocar os pacientes entre procedimentos.

“Os profissionais se matam na rampa empurrando os pacientes para os exames; no final, chegam na lixeira que chamam de quarto”, afirma Ane. “Eles são muito muito queridos, de A a Z. Todos são excelentes, sou muito grata a cada um”, completa.

Confira nota do hospital

O Hospital Regional Hans Dieter Schmidt ressalta que todas as medidas cabíveis e possíveis estão sendo tomadas, no momento. Há a previsão de uma reforma e ampliação no setor que está em fase de projeto e aguarda as autorizações de demais órgãos reguladores.

Também esclarecemos que não há elevador na ala cardiológica, nem superlotação no setor de Cardiologia.

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