Webinar reúne lideranças do setor hospitalar para discutir sobre processos advindos da pandemia – Foto: Divulgação/QualiredeA Qualirede, líder nacional em gestão em saúde, promoveu um webinar para discutir como a pandemia transformou o modelo de atuação dos hospitais no atendimento aos pacientes.
O debate contou com a mediação da Diretora da Qualirede, Dra. Carla Biagioni e com os convidados Dr. Sérgio Brincas, Diretor do Hospital Baía Sul (SC), e a Dra. Eliane Noya, Diretora Técnica do Hospital Aeroporto (BA).
Para a Diretora da Qualirede, Dra. Carla Biagioni, o setor da saúde está passando por transformações em ritmo de urgência devido à pandemia. Contudo, as transformações aceleradas desse momento apontam diretrizes a serem adotadas nas práticas de atendimentos em saúde.
“A pandemia está mudando a forma como as pessoas olham para a saúde. Essa percepção abrange o modo como cada um cuida de sua saúde em particular, e a forma como os próprios sistemas de saúde devem se comportar daqui para frente. A prática hospitalar deve absorver essas transformações aderidas de imediato, formulando uma nova concepção de atuação”, declara a diretora.
Aumento de demandas para outras doenças
O diretor presidente do Hospital Baía Sul, Dr. Sérgio Brincas, alerta que em um cenário pós-pandemia, uma das preocupações é que aumente consideravelmente o número de demandas para outros tipos de doenças, bem como um o atraso de diagnósticos.
“Como as pessoas evitaram a ida a médicos, por medo do contágio pelo coronavírus, no pós-pandemia deve haver um aumento por exames eletivos. Pode acontecer de alguns diagnósticos serem feitos com um quadro mais adiantado de cada doença”, alerta Dr. Brincas.
“Por exemplo, o câncer de mama, muitos casos são diagnosticados logo no início do quadro, o que contribui para o sucesso do tratamento. Como as pessoas estão deixando para fazer seus exames de rotina só quando se sentirem seguras a frequentar ambientes hospitalares, pode ocorrer de casos serem diagnosticados em situações mais graves”, diz o diretor.
“O mesmo acontece com paciente com doenças crônicas, que estão deixando de ter um acompanhamento. Isso faz com que essas pessoas só procurem atendimento hospitalar quando já se encontra em um estado avançado. Por isso a importância de conscientizarmos a população para que esses tratamentos continuem acontecendo, garantindo melhores resultados”, declara Sérgio Brincas.
Processos vindos na pandemia devem permanecer
Já a Dra. Eliane Noya, Diretora Técnica do Hospital Aeroporto, destacou que muitas das medidas tomadas em caráter de urgência durante a pandemia devem ser implementadas nas rotinas hospitalares.
“No pós-pandemia, o que deve acontecer é que muitos dos processos implementados às pressas passem a fazer parte da rotina hospitalar. Como, por exemplo, ter alas destinadas a cuidados epidêmicos, maior controle de acompanhantes e visitas, antecipar o retorno pós-cirúrgico do paciente para casa, até mesmo a utilização de equipamentos de EPI, que devem seguir mais rigorosos. O coronavírus fez com que percebêssemos alguns riscos que não se pode mais diminuir o cuidado”, declara Dra. Eliane Noya.
Outras doenças não podem ser adiadas
O encontro evidenciou questões fundamentais do momento que estamos atravessando. Mesmo enfrentando uma pandemia, as demais doenças não podem ficar para depois.
Não se pode deixar que quadros crônicos se agravem, pondo em risco a própria vida. Além disso, os cuidados adotados durante essa fase devem seguir ganhando força.
O setor da saúde deve caminhar para novas propostas de atendimento, com mais sustentabilidade, tecnologia, segurança e cuidado em todas as práticas.