A vacinação das crianças contra a Covid-19 em Santa Catarina entra nesta segunda-feira (24) na sua segunda semana. Os resultados dos primeiros sete dias, entretanto, são preocupantes: em cinco das maiores cidades as taxas de imunizados com a primeira dose oscilaram de 1,5% a 10%.
Imunização de crianças contra a Covid-19 em Florianópolis: imunizantes aprovados não estão em fase experimental – Foto: Arquivo/Cristiano Andujar/ PMFPais e responsáveis estão receosos quanto à segurança dos imunizantes nos pequenos, detalham as secretarias municipais de Saúde. Informações falsas e cautela com supostas reações são alguns dos motivos apontados pelos responsáveis. Além da versão pediátrica da Pfizer, a Coronavac começou a ser aplicada nas crianças.
Para entender a segurança das doses, o ND+ procurou o professor Jefferson Russo Victor, biomédico imunologista e professor do curso de Medicina da Unisa (Universidade Santo Amaro). Victor é especialista no estudo de vacinas.
SeguirEle ilustra o procedimento necessário para a aprovar um imunizante no Brasil, a experiência em países onde as campanhas de imunização já atingiram milhões de crianças e o falso termo “vacina experimental”, adotado erroneamente por muitos para desmerecer os imunizantes
Critérios rigorosos
Inicialmente o professor ressalta que é fundamental confiar nas decisões da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que aprovou o uso dos dois imunizantes nas crianças. Isso porque os métodos adotados pelo órgão federal são rigorosos e estão “alinhados às melhores agências de controles do mundo. Equivale às agências europeia e norte-americana”.
Segundo Victor, a agência analisa os experimentos e estudos realizados pelas fabricantes. É avaliada uma quantidade imensa de papelada, com diferentes testagens. Caso falte alguma evidência, ou se algum dado estiver impreciso, a documentação retorna e fabricante precisa preencher a lacuna. “A Anvisa avalia as evidencias da vacina”, pontua.
“Os experimentos atendem critérios e conhecimentos científicos que precisam ser documentados. Vimos isso com a Coronavac, que demorou mais para ser aprovada. A Anvisa recusou pois faltou estudos para mostra x e y. A fabricante precisou fazer novas pesquisas e solicitar novamente aprovação, o que exigiu nova avaliação”, detalha o professor.
Vacinação nos EUA
Outro fator apontado pelo pesquisador é que não foram registrados efeitos graves em crianças no Estados Unidos. O país que já aplicou a dose pediátrica da Pfizer em mais de oito milhões de crianças somente em 2021.
“Até o momento não há relato verdadeiro e cientificamente comprovado que os imunizantes, como o da Pfizer, induziram reações possam levar um pai a questionar a eficácia e segurança”, explica o professor.
A CDC (Centers for Disease Control and Prevention), agência reguladora norte-americana, informa na sua página oficial que “crianças de 5 a 11 anos reportaram efeitos leves a moderadamente severos e reações sistêmicas. Não foram identificados nenhum evento sério atrelado à vacina”.
Quais são as reações mais recorrentes?
As reações são mais frequentes após a segunda dose: dor local, fatiga e dor de cabeça, informa a CDC.”Cerca de 5,1% dos pais relataram que as crianças estavam incapazes de realizar atividades cotidianas após a primeira dose, e 74% após segunda dose”.
‘Vacina experimental’ não existe
Outro argumento utilizado por pais que não querem imunizar os filhos é que os imunizantes aprovados estariam em fase experimental. Para o pesquisador, isso é uma contradição.
A Anvisa se manifestou sobre o tema informando que não há como um imunizante em fase experimental ser aprovada. “Todas as vacinas em uso no Brasil tiveram condução de estudo de fase três de pesquisa clínica e já encerraram esta etapa”.
“Toda vacina que está em uso e foi aprovada, incluindo todas as outras que as crianças tomam na infância, não são experimentais. Um imunizante experimental não entra em uso. Os imunizantes usados em crianças contam com protocolo, intervalo de doses e sabemos claramente os efeitos e o que esperar”, complementa o biomédico.