Santa Catarina vive uma crise no atendimento hospitalar infantil. Em várias regiões, as unidades estão superlotadas e enfrentam problemas na estrutura física. Na Grande Florianópolis, a situação não é diferente. Com a pandemia, alguns hospitais sofreram alterações no funcionamento das alas pediátricas. Isso levou a uma sobrecarga em unidades de referência, como o Hospital Infantil Joana de Gusmão.
Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. – Foto: Foto: Paulo Goeth / SESSC/Divulgação/NDSegundo o secretário estadual da Saúde, Alexandre Lencina Fagundes, “na verdade, para fazer o enfrentamento à pandemia, a gente precisou reestruturar alguns serviços em algumas unidades hospitalares”.
Uma dessas unidades que teve o atendimento alterado é o HF (Hospital Florianópolis), na região continental da Capital. Em março do ano passado, a instituição teve a ala pediátrica transferida para a UPA Continente por meio de um convênio firmado entre o governo do Estado e a prefeitura. A situação preocupa os moradores porque no começo de abril o convênio foi rompido e a comunidade está desassistida.
“O Estado repassava o dinheiro para o atendimento da pediatria na UPA. Só que agora esse convênio foi fechado para que restabelecesse no HF. O atendimento lá foi muito bom, as famílias foram muito bem atendidas, mas agora vai voltar pro HF. Nós do conselho gestor, que representamos as 11 comunidades, queremos que ele volte a fazer um atendimento bom. Sempre foi bom a pediatria”, disse a presidente do Conselho Gestor do HF, Claudia Lopes Costa.
A auxiliar de serviços gerais Patrícia Sandra dos Santos é moradora do bairro Monte Cristo e mãe de três crianças de 6, 10 e 12 anos. Com as mudanças no atendimento do hospital, ficou preocupada. De acordo com ela, são muitas as famílias carentes que dependem deste atendimento. Portanto, era inviável levar as crianças ao hospital infantil que fica na Ilha.
Segundo Patrícia, “muita gente não tem condições de pegar ônibus, nem de pagar um carro. Aqui ainda consegue vir a pé, tendo a pediatria aqui, mas se fosse no infantil já não tem como”.
Tanto na Grande Florianópolis como no Estado inteiro, a unidade referência para o atendimento e saúde da criança, é o Hospital Infantil Joana de Gusmão. A estrutura fica na Capital, foi inaugurada em 1979 e conta com serviços de urgência e emergência, centro cirúrgico, ala de internação, ambulatórios e também unidades de terapia intensiva. São ao todo 133 leitos disponíveis no hospital, mas a unidade vem sofrendo com problemas sérios na estrutura física e também no atendimento à comunidade.
Em menos de um ano, foram dois registros de alagamentos no hospital infantil. O último no começo do mês, quando um cano estourou. Além disso, o tomógrafo da unidade ficou por mais de um mês sem funcionar. O equipamento estava quebrado, mas voltou a funcionar ainda em março.
Já o novo tomógrafo, adquirido pelo governo do Estado, ainda não chegou. A caseira Mônica da Costa veio de Rio do Sul para consultar com a filha no hospital infantil. Situação que se repete em todo o Estado, já que a unidade é referência no atendimento.
“Médico para rim infantil lá não tem. A gente tem que se deslocar até aqui”, afirmou Mônica.
Com relação à administração do hospital infantil e da rede de atendimentos pediátricos da região, o novo secretário de estado da Saúde afirmou que as unidades devem ser ampliadas principalmente com a possibilidade da construção de um complexo hospitalar na Capital.
Segundo o secretário, “as quatro unidades hospitalares vão estar interligadas. Maternidade Carmela Dutra, o Hospital Infantil Joana de Gusmão, Hospital Nereu Ramos e Hospital Celso Ramos, todos eles nesse grande complexo. A secretaria de Estado lançou há praticamente duas semanas vários investimentos, dentre eles a construção do Instituto de Cardiologia, que está anexo ao Hospital Regional de São José”.
Já na região continental, no Hospital Florianópolis, a situação também deve ser normalizada em breve. Após uma reunião nesta terça-feira (12), foi firmada a data do retorno do atendimento pediátrico na unidade: 25 de abril.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.