Avanço da Delta em SC pode frear retorno ao ‘normal’, mas governo descarta restrições

Estado registra 36 casos confirmados da variante Delta, sendo quatro com transmissão local; governo estadual aponta que não deve anunciar novas restrições, mas a necessidade do cumprimento das atuais

Marcos Jordão Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Estudos que revelam o poder de transmissão da variante Delta, mesmo em locais abertos, e casos confirmados ligaram o sinal de alerta em Santa Catarina por conta da possibilidade de um possível aumento de confirmados da Covid-19 no Estado. Como resultado, a especialista indica que a cepa pode frear o retorno ao “antigo normal”, mas o governo estadual descarta novas restrições.

Pessoas na rua do centro com uso de máscaraSC registra 36 casos confirmados da variante Delta – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

Atualmente, Santa Catarina registra 36 casos da variante Delta em 20 municípios. Deste total, quatro são considerados casos de transmissão dentro do estado e sete casos importados. Outros 25 seguem em investigação sobre o local de provável infecção.

De acordo com o superintendente de vigilância em saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário, as atuais medidas para o funcionamento das atividades não devem sofrer alterações, mas que as regras em vigor precisam ser respeitadas.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“A sociedade catarinense deve ter consciência que seguimos no meio de uma pandemia (…) Basta que cumpram os regramentos. Por exemplo, casas noturnas estão funcionando com um número limitado e uso obrigatório de máscara. Porém, é necessário cumprir para que a tendência seja diminuir ainda mais os casos ativos”, explica o superintendente Eduardo Macário.

A infectologista Carolina Ponzi destaca que a variante Delta pode frear o retorno ao antigo normal. “Por conta disso, temos que fazer o vírus parar de circular. No entanto, isso será possível apenas com vacinação e garantindo as medidas de combate, por exemplo, uso de máscaras, distanciamento e evitando aglomerações”, explica a profissional.

Cuidado reforçado

Apesar disso, a SES (Secretaria de Estado da Saúde) emitiu uma nota de alerta para o fortalecimento das medidas de prevenção diante da identificação da variante Delta em Santa Catarina.

O documento, divulgado na última sexta-feira (13), sugere que os serviços de saúde preparem a rede de assistência por conta de um possível aumento nos casos de Covid-19.

De acordo com o painel de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), atualizado nesta segunda-feira (16), Santa Catarina tem 454 dos 972 leitos disponíveis para tratamento de adultos com Covid-19, totalizando 53,29% de ocupação.

No entanto, vale ressaltar que a região do Planalto Norte e Nordeste está com 95,11% dos 184 leitos adultos ocupados.

O documento aponta ainda para a necessidade de reforço da fiscalização para cumprimento das normas sanitárias vigentes e evitar possíveis aglomerações. Assim como os cuidados com a limpeza básico, por exemplo, limpeza das mãos.

Criação de estratégias para que a vacinação seja acelerada, imunização completa de 75% da população, o aplicação da segunda dose no tempo delimitado pela fabricante, distanciamento e uso de máscaras de proteção.

Vacinação como saída

“Nos países em que a Delta se tornou a principal variante, observamos um aumento no número de casos em transmissão e com o maior número de hospitalização e mortes em pessoas não vacinadas”, detalha Eduardo Macário.

Pouco mais de 24% da população catarinense havia recebido as duas doses da vacina contra a Covid-19 – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/NDPouco mais de 24% da população catarinense havia recebido as duas doses da vacina contra a Covid-19 – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/ND

Entre esses países, está os Estados Unidos, que iniciou o mês de agosto com 70% da população adulta com, no mínimo, a primeira aplicação da dose da vacina contra a Covid-19.

Conforme o portal Deutsche Welle Brasil, uma da razão por trás do aumento dos casos de infecção nos  é por conta da disparidade entre as taxas de vacinação em diferentes comunidades dos Estados Unidos.

“Há uma variação local extrema nas taxas de vacinação, portanto os surtos continuarão a acontecer”, diz Rachael Piltch-Loeb, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública Global da Universidade de Nova York, ao Deutsche Welle.

De acordo com o Vacinômetro SC, atualizado nesta segunda-feira (16), 1.796.225 catarinenses haviam recebido as duas doses da vacina contra a Covid-19. Este número representa apenas 24,77% da população catarinense, estimada em 7,2 milhões, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Assim como pouco mais de 4,1 milhões receberam, no mínimo, a primeira aplicação. Ou seja, 57,03% dos catarinenses.

Melhora do mapa de risco não é motivo para descuido

O novo mapa de risco da Covid-19, divulgado no último sábado (14), apresentou que apenas duas regiões de Santa Catarina estão no nível mais alto: o Nordeste e a Foz do Rio Itajaí.

Além disso, sete são consideradas como grave (laranja). Por outro lado, outras sete estão no nível Alto (amarelo). Mesmo assim, o superintendente Eduardo Macário alerta sobre a possibilidade deste sinal de melhora ser “colocado a perder”.

“Apesar da melhora dos indicadores, precisamos ficar em alerta por conta dos casos ativos elevados e a introdução da variante. Caso contrário, podemos colocar tudo a perder. Já passamos por um cenário semelhante, quando a variante gama, em fevereiro e março, resultou em um aumento muito grande de casos”, completa o superintendente.

Segundo o boletim epidemiológico, divulgado nesta segunda-feira (16), Santa Catarina registra 11.416 casos ativos, ou seja, de pessoas que ainda não se recuperaram e podem transmitir a Covid-19, mesmo com a queda de 622 deste registro.

Além disso, houve o aumento de 906 casos confirmados e 31 mortes registradas em apenas 24 horas. No total, 18.365 catarinenses já morreram por conta da doença e mais de 1,1 milhão de casos já foram confirmados.

Tópicos relacionados