Avanço ou trégua? Vacinação e imunidade parcial protagonizam melhora da Covid-19 em SC

Pela primeira vez, novo mapa de risco conta com três regiões em nível azul. Apesar disso, a aparente melhora tem que ser interpretada com cautela

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Felipe Bottamedi Florianópolis

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O mais recente mapa de risco da Covid-19 foi um respiro aos moradores de Santa Catarina. Pela primeira vez desde o início da pandemia, três regiões estão no nível azul, que indica risco moderado – Meio-Oeste, Serra Catarinense e Vale do Itapocu. Apesar disso, a matriz divulgada no último sábado (25) deve ser interpretada com cautela.

Vacinação é a responsável pela melhora na pandemia em SCPela primeira vez, três regiões de Santa Catarina estão no nível azul – Foto: Arquivo/Freepik/Reprodução/ND

Com 40% da população imunizada até esta segunda-feira (27), o avanço da imunização é sem sombra de dúvida o principal protagonista, explica o professor Rogério Sobroza de Mello, do curso de Medicina da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina).

No entanto, há ainda outro fator um pouco mais perene. “Ao mesmo tempo há uma grande quantidade de infecções a partir de março e abril. Agora tem muita gente no período pós-infecção, onde a pessoa fica parcialmente imunizada”, explica o médico. Essa imunização dura cerca de três meses.

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Mapa de risco de SC, divulgado no dia 25 de setembro, mostra que o Estado agora tem 3 regiões em azul – Foto: SES/DivulgaçãoMapa de risco de SC, divulgado no dia 25 de setembro, mostra que o Estado agora tem 3 regiões em azul – Foto: SES/Divulgação

As novas variantes representam um risco. Na última semana, foi constado que a Delta se tornou a mutação predominante da Covid-19 em Santa Catarina. “Superando esse período, e com a entrada de novas variantes, há risco de enfrentarmos um agravamento até o fim do ano”, alerta.

Imunidade de rebanho, quando?

Até o fim de julho prevalecia o vermelho (que indica nível gravíssimo). A cor de destaque neste momento é o amarelo (risco potencial alto), que pinta 13 regiões. A situação mais delicada é no Nordeste, que engloba Joinville, em risco grave (laranja).

Atualmente, os indicadores de vacinação apontam 70% da população com a 1ª dose e 40% vacinados (com duas doses ou dose única). Um fator importante é a chamada “imunidade de rebanho”, que indica o nível de proteção coletiva necessária para barrar a transmissão da Covid-19.

As estimativas do percentual mínimo de moradores imunizados (ou seja, com as duas doses) variam de 70% a 85%. “Ainda estamos longe. É importante as pessoas continuarem seguindo as medidas”, ressalta o professor.

Liberações graduais

Nesse contexto, o certo é manter a flexibilização gradual e mediante teste prévios para atestar eficácia, assim como está sendo feito pelo governo de Santa Catarina, segundo Sobroza. As liberações devem ocorrer de forma lenta e gradual.

O mapa de risco leva em conta quatro aspectos: monitoramento (percentual de vacinados e a variação de casos semanal), capacidade de atenção (ocupação dos leitos de UTI), transmissibilidade e a gravidade (fator que considera o número de mortes e a tendência de internações).

Destes, o monitoramento está em nível grave em 15 das 17 regiões. A transmissibilidade e a capacidade de atenção concentram os melhores indicativos, resultado da diminuição das internações e baixa ocupação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

Neste domingo (26), foram registradas 13 mortes provocadas pelo coronavírus. Ao todo, 372 novas infecções foram detectadas em Santa Catarina.

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