A bebê que teve a cabeça cortada durante o parto no último dia 14 na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville, pode ter sequelas neurológicas permanentes, ou seja, pelo resto da vida. O relato foi confirmado pela mãe da criança nesta quarta-feira (2).
Bebê que teve a cabeça cortada durante o parto pode ficar com sequelas neurológicas, relata médico e mãe da criança – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDA menina de apenas duas semanas, foi desentubada nesta terça-feira (1°), mas segue internada no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, também em Joinville.
“Os médicos não sabem ainda se ela vai ter sequelas para o resto da vida. Falaram que devemos esperar”, explica.
SeguirSegundo o relato da mãe, os médicos cogitam que a criança pode ter sequelas motoras, na fala e até na locomoção.
O portal ND+ teve acesso a um laudo dado por um dos profissionais do Hospital Infantil, que confirma a versão da mãe.
Segundo a direção do Hospital Darcy Vargas, o caso segue sendo apurado.
“A Maternidade Darcy Vargas informa ainda que o evento está em investigação pela Gestão de Risco da unidade, buscando identificar se houve alguma falha na conduta tomada durante o parto”, descreve a nota do hospital.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, que já foi parar na delegacia, Eduardo de Mendonça, a Polícia Civil do Estado segue investigando o caso e vai ouvir todos os profissionais que trabalharam no parto.
Relembre o caso
Tudo começou no parto, dia 14 de julho, quando a mãe, que não terá o nome divulgado para preservar o seu direito, foi ter sua filha na maternidade Darcy Vargas, em Joinville.
O bebê teve o couro cabeludo cortado durante o parto, que já era de risco. Isso porque a mãe vive com HIV, e teve complicações no procedimento.
Após a ferida aberta, segundo a mãe, a criança não foi tratada como deveria. A pequena bebê recebeu um ponto na cabeça, mas a mãe conta que os profissionais não limparam corretamente o local da ferida. Depois, mãe e filha foram mandadas para casa.
“Comecei a notar que ela tinha também pequenas bolinhas pelo corpo e achei estranho. Foi então que levei ao médico”, conta.
Ao chegar no Infantil a criança foi avaliada por neurologistas, que fizeram exames específicos e constataram uma infecção na criança. Segundo os médicos, não há certeza de que a frágil vida vá sobreviver.
Desde o dia 27 de julho a criança está internada no Hospital Infantil.
Criança teve a cabeça cortada durante o parto em Joinville – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDViolência obstétrica está relacionada com a cor da pele
Em abril, a Comissão Especial sobre Violência Obstétrica e Morte Materna debateu o tema com representantes de todo o país, entre eles, a secretária de Saúde de Santa Catarina, Carmen Zanotto.
“As mulheres negras morrem mais que as brancas, mesmo tendo a mesma escolaridade e o mesmo acesso ao pré-natal. Está comprovado que nós profissionais da enfermagem dedicamos menos tempo na assistência pré-natal à mulher negra que à mulher branca”, disse na época.
O caso da mãe relatada nesta matéria, que é uma mulher negra, soma-se a uma infinidade de mulheres negras que sofreram violência obstétrica no Brasil. Só para se ter uma ideia, um estudo publicado na Biblioteca Nacional de Medicina relaciona o racismo ao atendimento médico dado às mulheres negras no país.
“No Brasil, mulheres negras são desproporcionalmente negadas ao acesso a cuidados oportunos e ficam vulneráveis à morte por causas obstétricas evitáveis. No entanto, elas não têm estado no centro de iniciativas recentes para melhorar a saúde materna”, descreve o estudo.
Para realizar a pesquisa, os pesquisadores analisaram a implantação da Rede Cegonha na Bahia entre 2012 e 2017.
Confira o estudo clicando aqui.