Bebê que nasceu de barriga solidária em Florianópolis completa 4 meses

Rosicléia de Abreu, de 53 anos, 'emprestou' a barriga para a própria filha, a auxiliar de enfermagem Ingrid Carlsem, de 29 anos

Redação ND Florianópolis

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Fruto de uma gestação de barriga solidária, a bebê Maria Clara completa quatro meses no próximo dia 19 de dezembro. Saudável e em pleno desenvolvimento, a história da criança viralizou após o nascimento dela.

No entanto, a árvore genealógica da menina tem um fato incomum e comovente: apesar de ter sido gerada no útero de Rosicléia de Abreu, de 53 anos, em Florianópolis, ela é na verdade a avó da criança. A filha de Rosicléia, Ingrid, é que é a mãe de Maria Clara.

Barriga solidária foi medida adotada por família para o nascimento de Maria Clara – Foto: PMF/Divulgação/NDBarriga solidária foi medida adotada por família para o nascimento de Maria Clara – Foto: PMF/Divulgação/ND

Auxiliar de sala de aula, Rosicléia ‘emprestou’ a barriga para a própria filha, a auxiliar de enfermagem Ingrid Carlsem, de 29 anos. A iniciativa veio após as duas se informarem de que a barriga substituta é um dos tratamentos feitos por mulheres que não conseguem engravidar por problemas de saúde. A prática é liberada desde que não haja pagamento.

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Mesmo tão jovem, Ingrid sofreu uma embolia pulmonar no ano de 2014, além de uma trombose venosa profunda por possuir maior facilidade para formar coágulos de sangue. Essa condição é chamada de trombofilia. O problema gerou sequelas na perna, e precisou de uma angioplastia, em 2016. Ela relembra da frase que ficou na mente dela: ” ‘Se você tentar [ter um filho], você vai morrer’, diziam os médicos”.

Em família

Após aquele período, mãe e filha já sabiam o que fazer. Ingrid, inclusive, já conhecia a prática da barriga solidária, antes mesmo de encarar a doença, em 2014.

Uma reportagem vista na televisão trazia detalhes sobre o procedimento, e Ingrid ficou curiosa. “Mãe, você faria isso por mim se um dia eu precisasse?”, perguntou. Rosicléia não hesitou ao dizer que faria.

“Uma mãe se doa de corpo e alma para uma filha. Me sinto grata e honrada em exercer esse papel tão importante que é gerar uma nova vida, minha neta”, relata Rosicléia, anos após a conversa inicial.

Para realizar o procedimento, houve uma vaquinha online devido ao alto custo da fertilização in vitro. “Nós somos de família humilde, e sem a solidariedade de amigos, familiares e equipe médica, nada seria possível”, lembra Ingrid. Elas também venderam rifas e confeccionaram máscaras de tecido.

Quem é Maria Clara?

Nascida em 19 de agosto, na maternidade Santa Helena, em Florianópolis, Maria Clara nasceu às 10h56. Veio ao mundo com 37 semanas e três dias, medindo 49 cm e pesando 3,310 quilos.

O primeiro nome, ‘Maria’, é em homenagem materna a avó e a bisavó, e ‘Clara’ representa luz para toda a família, como explica Ingrid. O pai da bebê é o marido de Ingrid, Fabiano.

“O gesto da minha mãe foi de grandeza, de uma mulher nobre, talvez mesmo eu tentando mencionar ou descrever em palavras, jamais conseguirei especifica o quão valiosa ela é para mim”.

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