A uma semana de completar o primeiro mês de vida, a filha de Andrielli Santos já foi retirada da mãe, encaminhada para abrigo em Florianópolis e mais recentemente hospitalizada.
Ela apresentou problemas com a alimentação, feita com fórmula que substitui o aleitamento materno. A pequena foi internada no último dia 14 e recebeu alta nesta quarta (18).
Criança foi internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo/NDOs problemas começaram nas primeiras semanas de agosto, quando a pequena passou expelir o leite pelo nariz duas horas após a alimentação, apresentando também desconforto respiratório, segundo o relatório do abrigo. Após quatro visitas à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), ela foi internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, na Capital.
SeguirUma traqueoscopia estava marcada para esta sexta-feira (19). A equipe médica suspeita que a criança tenha uma laringomalacia, distúrbio que atinge as cartilagens da laringe durante a inspiração e que provoca obstrução da glote.
A família só soube da internação dois dias depois, quando o relatório detalhando a saúde da pequena, feito pelo abrigo, foi anexado ao processo judicial da guarda da bebê.
A mãe, de 21 anos, está proibida de ter contato e amamentar a filha. A recém-nascida foi retirada pelo Conselho Tutelar três horas após o parto, que ocorreu no último dia 28.
Na véspera da internação, o desembargador Fernando Carioni negou recurso impetrado pelo defensor público Marcelo Scherer, que representa a família, pedindo que a mãe pudesse ter contato com a criança e a amamentasse. Com o agravamento do quadro de saúde da pequena, o defensor entrará com novo recurso.
Violência obstétrica
Andrielli enfrenta um processo de destituição familiar, que tramita na Vara da Infância e Juventude de Florianópolis e decidirá o destino da guarda da criança. O Conselho Tutelar aponta supostas violações do direito da criança e negligência durante a gravidez, que agora são investigadas pelo Judiciário.
O Conselho Tutelar menciona ainda o histórico da mãe na medida cautelar, que enfrentou outros dois processos de destituição familiar e vivia em situação de rua durante a gestação. Procurando emprego, com casa fixa e rede de , a mãe luta pela guarda da criança.
Além disso, a DPE/SC (Defensoria Pública do Estado) apura possível violência obstétrica cometida pelo HU (Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago) contra Andrielli. Ela passou por uma laqueadura sem consentimento e aponta irregularidades após o parto como a proibição da amamentação, direito previsto em lei. O órgão aguarda o envio do prontuário médico.
Um segundo procedimento requer que os avós paternos da criança, também proibidos de ter contato, consigam a guarda da pequena. Os processos tramitam em segredo de Justiça.