O sistema de monitoramento da Fiocruz, através de dados do InfoGripe, aponta que apesar de um sinal de queda no cenário nacional, existe uma tendência de aumento nos casos de SRAG (síndrome respiratória aguda grave) em sete capitais do país, entre elas Florianópolis. O estudo foi divulgado nesta sexta-feira (2).
Fonte: InfoGripeSegundo o boletim, além da capital de Santa Catarina, estão presentes também as cidades de Aracajú (SE), Fortaleza (CE), Macapá (AP), Manaus (AM), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ).
O estudo analisa uma tendência de crescimento a longo prazo. Nas seis semanas anteriores à data final analisada pelo boletim (26 de setembro), elas registram o crescimento no número de casos de SRAG.
SeguirFlorianópolis foi a cidade com a maior probabilidade de ter crescimento. Os dados apontam ainda que a cidade apresentou sinal forte de crescimento no longo prazo (prob. > 95%) e moderado no curto prazo (prob. > 75%).
“A tendência de longo prazo avalia possíveis variações em períodos de seis semanas consecutivas, enquanto a de curto prazo analisa períodos de apenas três semanas consecutivas”, explica o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.
Centro de Florianópolis em tempos de pandemia – Foto: Anderson Coelho/NDA SRAG pode ser causada por vários vírus respiratórios, mas, neste ano, quase 98% dos casos no país têm o novo coronavírus (Sars-CoV-2) como causa.
Cenário nacional
Com relação ao cenário nacional, o Brasil permanece na zona de risco, com ocorrências semanais muito altas em todas as regiões do país. No entanto, o número de óbitos e de casos notificados de SRAG por Covid-19 (independentemente de presença de febre) apresenta sinal de queda.
“A situação nas regiões e estados do país é bastante heterogênea. Portanto, o dado nacional não é um bom indicador para definição de ações locais”, informa o boletim.
“Aracaju, Fortaleza e Manaus já haviam apresentado sinal de crescimento no último boletim. No entanto, Manaus, que mostrou tal registro nas últimas seis semanas em relação à tendência de longo prazo, na última semana apresenta tendência de queda no curto prazo”, informou Marcelo Gomes. “Mesmo com sinal de estabilização na última semana, Recife e Rio de Janeiro apresentaram tendência de crescimento no longo prazo”.
Em 2020, já foram reportados 473.222 casos de SRAG – Foto: divulgação/K WhitefordEm particular sobre a capital do Rio de Janeiro, o pesquisador chama atenção para as novas medidas de flexibilização anunciadas na primeira semana de outubro.
Marcelo observou que essas medidas podem vir a retomar ou, eventualmente, intensificar a tendência de crescimento observada nas últimas semanas, devido a uma maior interação entre a população local.
Curto e longo prazo
Segundo o estudo, em 14 das 27 unidades federativas, a tendência de curto e longo prazo é de queda ou estabilização.
Nos demais 13 estados, Amazonas, Amapá e Tocantis (Norte), Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, e Rio Grande do Norte (Nordeste), Espírito Santo e Rio de Janeiro (Sudeste), Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Sul), há pelo menos uma macrorregião com tendência de curto e/ou longo prazo com sinal moderado (probabilidade > 75%) ou forte (probabilidade > 95%) de crescimento.
“Como já relatado em boletins anteriores, identificamos diferença significativa entre as notificações de SRAG no estado do Mato Grosso registradas no sistema nacional Sivep-Gripe e os registros apresentados no sistema próprio do estado. Tal diferença se manteve até a presente atualização”, alertou o pesquisador.
Casos de SRAG no país
Em 2020, já foram reportados 473.222 casos, sendo 258.181 (54,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 142.891 (30,2%) negativos, e cerca de 42.240 (8,9%) permanece em aguardo de resultado laboratorial.
Levando em conta a oportunidade de digitação, estima-se que já ocorreram 501.366 casos de SRAG, podendo variar entre 492.630 e 515.375 até o término da Semana Epidemiológica 39.
Entre os casos positivos de SRAG,0,5% foram por Influenza A; 0,2% Influenza B; 0,4% vírus sincicial respiratório (VSR); e 97,6% Sars-CoV-2 (Covid-19).