Em entrevista coletiva nesta terça-feira (10), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, defendeu que o órgão técnico está compromissado com a segurança das vacinas desenvolvidas contra o novo coronavírus. “Não estamos em brincadeira de criança”, reforçou.
O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres – Foto: Divulgação/Pedro França/Agência Senado/NDEle também ficou irritado ao ser perguntado sobre a politização da vacina. Confrontado sobre a fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito de uma “vitória” sobre João Doria (PSDB-SP) com a suspensão dos testes, o diretor da agência foi enfático.
“O Brasil não precisa de uma Anvisa contaminada por guerra política”, afirmou. “Ela existe, mas tem que ficar do lado de fora do muro. Não somos comentaristas nem analistas políticos”, esquivou-se.
SeguirO Instituto Butantan, ligado ao Governo de São Paulo, que desenvolve a Coronavac em parceria com a chinesa Sinovac, criticou a suspensão dos estudos clínicos com a vacina pela Anvisa e acusou a agência de fazer política.
Em resposta, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou nesta terça que a agência reguladora não tem parceria com nenhum desenvolvedor ou laboratório. “A Anvisa não é parceira de nenhum desenvolvedor, de nenhum laboratório, de nenhum instituto. Não somos parceiros”, disse Torres em coletiva de imprensa.
Informações completas
Ao ser questionado sobre as alegações do governo de São Paulo de que a morte do colaborador da vacina Coronavac não teria relação com a testagem do imunizante, Torres voltou a dizer que a agência não recebeu informações completas dos envolvidos no estudo clínico.
“Informação, para nós, não é informação se não chega pela canal correto e de maneira completa. Se [os envolvidos] não são do Comitê Internacional Independente, essas alegações não tem valor”, ponderou.
Durante a coletiva, os jornalistas informaram que a morte do voluntário teria sido causada por suicídio, o diretor e os especialistas presentes disseram ter ouvido falar. Barra Torres, porém, reafirmou que aquele dado teria que chegar até a Anvisa por meio de canais formais. “E isso não ocorreu até agora”, concluiu.
De acordo com a Anvisa, problemas técnicos fizeram com que as informações do Instituto Butantan demorassem a chegar. Isso foi consequência das instabilidades apresentadas nos sistemas do Governo Federal diante das invasões cibernéticas registradas ao longo da última semana. A agência afirmou que, por precaução, suspendeu o serviço responsável pela notificação dos eventos adversos graves.
Confira a linha do tempo da notificação do óbito:
29/10 – evento adverso teria ocorrido
6/11 – Butantan envia informação que não chegou a Anvisa por problemas técnicos
9/11 – 18h: Comitê da Anvisa recebe comunicação oficial do IB informando da ocorrência do evento adverso. “Sem nenhum detalhe”, conforme informado pela agência
9/11 – 20h47: Comunicação eletrônica enviada para Instituto Butantan*
9/11 – 21h25: publicação no portal da suspensão dos estudos.