Brasil registra 5° caso da varíola dos macacos em menos de uma semana

Com aumento de casos, Ministério da Saúde nomeia Laboratório da Fiocruz como referência para análise da doença

Redação ND Florianópolis

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O Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira (15) o 5º caso da varíola dos macacos no Brasil. A notícia ocorre menos de uma semana após o primeiro diagnóstico positivo no país, com o registro de duas pessoas infectadas, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro.

Três casos foram registrados só em São Paulo – Foto: Reprodução/NDTrês casos foram registrados só em São Paulo – Foto: Reprodução/ND

O primeiro caso registrado do vírus no país foi de um homem de 41 anos que voltava de uma viagem na Espanha e em Portugal – dois países que tiveram o surto da doença – para São Paulo.

Por coincidência, o segundo caso é de um homem que mora em Vinhedo, no interior de São Paulo, e que também esteve pelos dois países. O caso foi registrado no dia 11 de junho e o paciente permanece isolado.

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No Rio Grande do Sul foi o confirmado o terceiro caso. Um homem de 51 anos de idade que, assim como os primeiros casos em São Paulo, também esteve em Portugal.

Nesta quarta-feira (15) saiu o resultado positivo de um brasileiro que mora em Londres e chegou ao Rio de Janeiro no dia 11 de junho com sintomas de varíola dos macacos. Ele procurou atendimento médico no INI/Fiocruz (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas) um dia após sua chegada.

Além dele, outro infectado foi registrado para finalizar o dia com cinco casos da doença. Trata-se de um morador da Capital paulista, que possui histórico de viagens pela Europa. Ele foi a terceira pessoa a testar positivo em São Paulo e atualmente encontra-se em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Os homens infectados encontram-se em bom estado de saúde, segundo as secretarias. O período de isolamento é de aproximadamente três semanas ou após a queda de todas as cascas de feridas na pele.

Sintomas da varíola do macaco podem durar até quatro semanas – Foto: Divulgação/NDSintomas da varíola do macaco podem durar até quatro semanas – Foto: Divulgação/ND

Todos os cinco casos têm relação com viagens ao exterior, o que mostra que ainda não há transmissão comunitária da varíola dos macacos no Brasil.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) já marcou uma reunião na próxima semana com especialistas para decidir se o surto deve ser tratado como uma emergência sanitária de preocupação internacional. De acordo com o órgão a doença avança de forma “pouco usual e preocupante”.

Inglaterra, Espanha e Portugal respondem por mais da metade dos casos. Mesmo assim, outros países apresentam números crescentes como Alemanha, Holanda e Canadá.

Fiocruz é nomeado referência para análise da doença

Ao observar o aumento de casos no país e no restante do mundo, o Ministério da Saúde nomeou Laboratório de Enterovírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) como referência para analisar amostras suspeitas de varíola dos macacos.

Com essa nomeação, a rede de referência no diagnóstico da doença aumenta. Junto ao laboratório da Fiocruz, também fazem parte da rede a Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais; o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo; e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, por meio dos Laboratórios de Biologia Molecular de Vírus e de Virologia Molecular.

A unidade vai ser responsável por analisar o material coletado do vírus no estado do Rio de Janeiro e em toda a Região Nordeste.

De acordo com o chefe do Laboratório de Enterovírus do IOC, Edson Elias, a experiência da Fiocruz vai contribuir para que a resposta brasileira ao surto seja precisa.

Na última semana, o laboratório realizou treinamentos de como realizar exames de detecção da doença com profissionais da saúde para profissionais de saúde da Bolívia, Equador, Colômbia, Peru, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Como se prevenir da doença?

“Com o aparecimento desses casos, faz-se necessário avaliar os vínculos epidemiológicos como viagem e contatos com outros casos”, informa o infectologista Tarcisio Crocomo.

É considerado caso suspeito para o Ministério da Saúde aquela pessoa que tenha apresentado início súbito de febre, aumento dos gânglios e erupção cutânea depois do dia 15 de março deste ano.

Desse modo, deve-se ter atenção à exposição próxima e prolongada sem proteção respiratória; contato físico direto (incluindo sexual); ou contato com material contaminado, como peças de vestuário ou roupas de cama, com algum caso provável ou confirmado de varíola dos macacos.

Vacina de doença erradicada nos anos 80, pode representar proteção contra varíola do macaco – Foto: CDC/Divulgação/NDVacina de doença erradicada nos anos 80, pode representar proteção contra varíola do macaco – Foto: CDC/Divulgação/ND

Segundo Crocomo, as vacinas da varíola usada anos atrás já oferecem uma boa proteção contra o vírus – porém não estão disponíveis – e novos medicamentos estão em avaliação.

A transmissão do vírus pode se dar tanto de animais para pessoas quanto entre seres humanos. De animais para pessoas pode se dar por mordida ou arranhadura, manuseio de caça selvagem ou pelo uso de produtos feitos de animais infectados. Entre pessoas, a transmissão ocorre principalmente por meio do contato direto, como beijo ou abraço, ou por feridas infecciosas, crostas ou fluidos corporais, além de secreções respiratórias durante contato pessoal prolongado.

*Com informações do portal R7 e da Agência Brasil

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