De acordo com uma edição extraordinária do Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19 divulgado nesta terça-feira (2), o Brasil enfrenta uma situação “alarmante” na pandemia de Covid-19 com “intensa transmissão” do vírus.
Segundo o relatório, Santa Catarina (99%) tem uma das taxas mais altas em ocupação de leitos de UTI ao lado de Goiás (95%), Amazonas (92%) e Paraná (92%). O Sudeste ainda mantém porcentuais abaixo dos 80%, mas a situação de muitas capitais é igualmente preocupante.
Boletim aponta que todo o país tem alta positividade de testes e sobrecarga nos hospitais – Foto: Divulgação/NDDe acordo com dados do Imperial College, de Londres, a taxa de transmissão da doença (Rt) segue em aumento. Dezoito estados e o Distrito Federal apresentam porcentuais de ocupação de leitos de UTI Covid acima dos 80%, uma zona considerada crítica.
Seguir“Pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país, o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais”, aponta o boletim. O texto prega a adoção ampla e imediata de medidas mais drásticas de restrição da circulação para conter a disseminação do vírus.
O boletim reúne dados sobre número de casos, mortes e ocupação de UTIs em todo o país e é quinzenal. Dada a gravidade da situação, no entanto, foi divulgado um exemplar extraordinário, com dados verificados no dia primeiro de março e comparados aos de 22 de fevereiro.
No boletim do mês passado, doze estados apresentavam a ocupação dos leitos de UTI covid acima dos 80%. Uma semana depois, esse número subiu para dezenove.
Entre as 27 capitais do país, no momento há 20 com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 acima de 80%: Porto Velho (100%), Rio Branco (93%), Manaus (92%), Boa Vista (82%), Belém (84%), Palmas (85%), São Luís (91%), Teresina (94%), Fortaleza (92%), Natal (94%), João Pessoa (87%), Salvador (83%), Rio de Janeiro (88%), Curitiba (95%), Florianópolis (98%), Porto Alegre (80%), Campo Grande (93%), Cuiabá (85%), Goiânia (95%) e Brasília (91%). Em São Paulo a taxa é de 76%.
Segundo a análise do boletim, o “cenário alarmante” representa apenas uma parte pequena do problema. “Por trás deles estão dificuldades de resposta de outros níveis do sistema de saúde à pandemia, mortes de pacientes por falta de acesso a cuidados de alta complexidade requeridos, a redução de atendimentos hospitalares por outras demandas, possível perda de qualidade na assistência e uma carga imensa sobre os profissionais de saúde.”
Medidas mais rigorosas
Para amenizar o problema, o boletim sugere “Adoção de medidas mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais, de acordo com a situação epidemiológica e capacidade de atendimento de cada região, avaliadas semanalmente a partir de critérios técnicos como taxas de ocupação de leitos e tendência de elevação no número de casos e óbitos.”
Os cientistas da Fiocruz pedem ainda o “reconhecimento legal do estado de emergência sanitária, a viabilização de recursos extraordinários para o SUS e ampliação da capacidade assistencial.”
Números divulgados também ontem pelo Imperial College confirmam que a taxa de transmissão (Rt) da covid-19 no Brasil aumentou em relação às duas últimas semanas. A Rt passou de 1,02 e 1,03 para 1,13 (podendo variar entre 1,10 e 1,15). Isso significa dizer que 100 pessoas infectadas contaminam outras 113.
A taxa deve estar abaixo de 1,0 para que a pandemia seja considerada controlada. Desde dezembro, o País apresenta Rt acima de 1,0, indicando que a doença está fora de controle. De acordo com estimativas da universidade britânica, o Brasil deve registrar nesta semana até 9.500 mortes.
As maiores taxas de transmissão do Sars-CoV-2 esta semana foram registradas no Iraque (1,35), Palestina (1,26) e Bulgária (1,24). Os números mais baixos ocorreram na Suécia (0,53), na Suíça (0,56) e em Portugal (0,56).