Após crescimento de 900% nos casos de dengue em Santa Catarina e a promessa de vacina somente para 13 municípios da região Norte na rede pública, começa, agora, a corrida pelo imunizante da doença no setor privado. Uma das redes de farmácia que está revendendo a vacina, a gaúcha Panvel percebe um crescimento de 300% na procura pela vacina na rede, considerando os quatro Estados em que atua: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Pelo SUS, vacina contra a dengue será primeiro destinada à crianças – Foto: Reprodução/Agência Brasil/NDEmbora não especifique os números de Florianópolis, conforme a rede, a procura também se intensificou na cidade. Em paralelo, um levantamento do Grupo ND realizado na tarde de segunda-feira (29) mostra que poucas unidades estão comercializando o imunizante e que, a exceção das lojas da Panvel, que têm ampla campanha de divulgação do imunizante, a procura ainda não é tão significativa nas demais. Mais de dez lojas na região Central e Continental foram consultadas.
Analista farmacêutica da rede Panvel, Andressa Amaro ressalta que o aumento no número de casos de dengue pelo Brasil vem fazendo a população, de maneira geral, buscar o imunizante. Disse, ainda, que o fato de o assunto estar na mídia no momento com mais intensidade tem feito as pessoas buscarem essa alternativa de prevenção.
SeguirSegundo ela, o imunizante adquirido pela rede é seguro, tem mais de 80% de eficácia e ampla faixa de imunização.
“Pode vacinar desde a criança de quatros anos até o adulto de 60, o que facilita o acesso”, registrou Andressa. “Tem um crescimento específico na região [de Florianópolis]. Não podemos passar o dado fechado, mas, sim, conseguimos ver um aumento muito forte na região nas três lojas vacinadoras”, completou a analista da Panvel.
Apenas 13 cidades de SC devem receber incialmente vacina contra dengue. – Foto: Kátia Farias/Reprodução/NDNeste primeiro momento, o valor da vacina na rede Panvel é de R$ 309,99 para uma dose e de R$ 299,99 a unidade na compra de duas doses.
“Essa vacina precisa de duas doses, com intervalo de três meses entre elas para garantir a eficácia e a imunização. Além disso, diferentemente da vacina anterior, essa a pessoa não precisa ter contraído a doença para conseguir se imunizar”, ressaltou Andressa.
Ao todo, 17 unidades de farmácia foram consultadas pela reportagem na região central e continental de Florianópolis. Destas, nove disseram que não possuem nem aplicam o imunizante. Dentre elas, há unidades que não trabalham com nenhum tipo de vacina, pois não tem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para isso. Outra loja relatou dificuldade para o acesso à vacina e que chega mais rápido em clínicas do que em farmácias, porém, que há poucos consumidores, até o momento, procurando a vacina da dengue.
Pesquisa catarinense revela eficácia de óleos naturais contra mosquito
Uma universidade de Santa Catarina está estudando o efeito de óleos essenciais para combater o mosquito da dengue e os resultados preliminares da pesquisa, inédita no Brasil, são promissores.
Os extratos naturais de plantas demonstram efeito tanto para repelir o Aedes aegypti quanto para eliminar as larvas do mosquito. Os trabalhos estão sendo realizados na Unochapecó (Universidade Comunitária de Chapecó) por professores e alunos dos programas de pós-graduação em ciências da saúde e ciências ambientais, com apoio do governo do Estado. Os recursos para o projeto foram investidos por meio da Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina).
Vacinas contra a dengue chegaram em dezembro no Brasil – Foto: Reprodução/ Ministério da SaúdePelo menos três espécies de plantas demonstraram ações larvicidas e repelentes ao mosquito Aedes aegypti. Óleos essenciais extraídos da unha-de-gato (Uncaria tomentosa) e da casca d’anta (Drimys brasiliensis) apresentaram destaque em efeitos larvicidas. Já o óleo extraído do crisântemo (Dendranthema grandiflorum) demonstrou destacado efeito repelente. As larvas do Aedes aegypti usadas na pesquisa foram criadas em laboratório.
Inicialmente restrita a Santa Catarina, a pesquisa avançou para mais de 1.500 municípios da fronteira brasileira, em parceria com a Universidade Nacional de Misiones, na Argentina.
“A dengue não é um problema só do Brasil. O mosquito não obedece fronteiras”, disse a líder do trabalho, professora Maria Assunta Busato. Os estudos consideram dados registrados pelos departamentos de vigilância epidemiológica do Estado e de municípios de Santa Catarina, além do DataSus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde).
Uma nova fase da pesquisa prevê a identificação genética dos tipos de vírus presentes no Aedes aegypti.
“Quando a pessoa adoece é feito um exame para saber qual vírus a atacou. Temos a identificação no sujeito doente, mas não no vetor. Em Santa Catarina não temos estudos divulgados sobre a identificação dos vírus que estão nos mosquitos”, afirmou a professora Maria Assunta.
Há quatro tipos de vírus em circulação no Brasil, sendo o tipo 2 o mais presente. Além da produção dos repelentes e dos larvicidas a partir de produtos naturais, as próximas etapas do projeto preveem novas ferramentas de comunicação social sobre a doença e capacitações para profissionais da rede de saúde.