Cadáveres nas ruas do Sudão geram risco de epidemias, dizem ONGs

Após mais de cem dias de conflito, OMS informa que casos de cólera e sarampo já foram confirmados em diferentes regiões do país

AFP Sudão

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O Sudão, país no norte da África, vive um intenso conflito entre Exército e paramilitares. Deflagrado em abril, o confronto deixou milhares de cadáveres em decomposição nas ruas, uma ameaça que pode causar epidemias, alertou a ONG Save the Children nesta semana.

“Milhares de cadáveres se decompõem nas ruas de Cartum e arredores, enquanto os necrotérios são sobrecarregados por cortes de energia”, disse a ONG em um comunicado.

Mais de 24 milhões de sudaneses precisam de ajuda humanitária. – Foto: Mahmud Turkia/AFPMais de 24 milhões de sudaneses precisam de ajuda humanitária. – Foto: Mahmud Turkia/AFP

Decomposição de cadáveres nas ruas preocupa

Há meses, várias ONGs advertem sobre o risco de águas paradas que podem espalhar epidemias de malária, dengue e cólera.

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que casos de cólera e sarampo já foram detectados em várias regiões do país.

A guerra entre o Exército, liderado pelo general Abdel Fattah al Burhan, e os paramilitares das FAR (Forças de Apoio Rápido) já vitimou mais de 3,9 mil pessoas, segundo a organização ACLED. Além disso, mais de 4 milhões se refugiaram em outros países, conforme um balanço da ONU.

“A impossibilidade de dar um funeral digno aos que morrem aumenta o sofrimento das famílias em Cartum”, afirmou o diretor da divisão de saúde de Save the Children, Bashit Kamal Eldin Hamid.

Uma criança é ferida ou morta a cada uma hora

Em 24 de julho, a Guerra no Sudão completou cem dias. E parece que o fim não está perto. De acordo com informações da ONU, a cada hora, o conflito deixa uma criança morta ou ferida.

Estima-se que, desde 15 de abril deste ano, 435 crianças morreram e mais de 2 mil ficaram feridas. Centenas de violações dos direitos humanos também são registradas diariamente.

“Todos os dias, há menores mortos, feridos, sequestrados e só lhes restam escolas, hospitais e infraestruturas danificadas e saqueadas”, denunciou a Unicef, agência da voltada à garantia dos direitos das crianças.

Hoje, mais da metade dos 48 milhões de sudaneses necessitam de ajuda humanitária para sobreviver.

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