As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de mortes no Brasil e no mundo. Por isso, ainda que você não esteja entre o grupo de risco – diabético, fumante, idoso, obeso ou tenha um histórico cardíaco familiar – fique atento. A chegada do calor exige cuidados particulares. “No verão, basta a temperatura passar dos 30°C para o organismo ter de se readaptar”, afirma o professor de cardiologista da Unisul e diretor técnico da clínica Unicardio, Harry Correa Filho.
O médico explica que nosso sistema cardiovascular é mais exigido no verão, seja para manter a temperatura corporal nos níveis normais ou suprir com mais energia o coração, considerando que a alta da temperatura faz aumentar a frequência cardíaca e o esforço para manter o bom funcionamento do organismo.
No verão, as atividades ao sol devem ser realizadas até as 10h e depois das 16h – Foto: Leo Munhoz/ND“Os cuidados mudam com o verão. A hidratação, por exemplo, no calor exige um consumo muito maior de água”, diz. A dica é adotar o hábito de ter sempre à mão uma garrafinha com água.
SeguirOutro ponto importante é escolher a roupa correta para praticar exercícios. “Muitas vezes, vejo gente correndo e usando casaco, apesar do calor. É um grande erro. O uso do casaco para se exercitar, debaixo do sol, só dificulta a perda das calorias e não o contrário. As roupas devem ser adequadas à temperatura e à prática de exercícios. Nós cardiologistas, queremos sempre que todos os pacientes se exercitem, sem restrições, inclusive os que integram o grupo de risco de doenças cardíacas, mas sempre com segurança e, para isso, é indispensável consultar com um especialista”, orienta.
Atletas de verão
O médico também adverte sobre os riscos de começar uma rotina de exercícios mais puxada sem ter o hábito. “Sempre tem um sedentário querendo fazer a trilha da Lagoinha do Leste”, diz, referindo-se aos que decidem fazer atividades sem avaliar se realmente têm preparo físico para tal.
Profissional de educação física da Unimed, Davi Teixeira endossa a preocupação de Harry Correa e afirma que “é fundamental começar com exercícios de baixa intensidade e, aos poucos, aumentar”.
São os esportes aquáticos, como natação, surfe, entre outros que auxiliam na manutenção da temperatura corporal durante o verão. Eles ajudam a evitar o superaquecimento (hipertermia), minimizando o estresse fisiológico do organismo, como edemas, cãibras, exaustão, alterações neurológicas e hipertermia, sintomas de estresse fisiológico ligado ao calor e ao esforço intenso.
“Quanto mais suor a pessoa elimina, mais água deve ingerir”, lembrando que substituir a água por isotônicos não é recomendável. “Eles não hidratam na mesma proporção”, assegura.
“Por isso, é importante evitar exercícios ao ar livre ou em lugares com pouca ventilação em horários com temperatura mais alta. O ideal é aproveitar o período do início da manhã até por volta das 10h e após as 16h, tanto pelo calor excessivo, como pela exposição solar, que pode causar queimaduras e danos à pele”.
Médico José Kostetzer Junior aconselha 150 minutos de exercícios por semana – Foto: Leo Munhoz/ND150 minutos semanais
É o tempo recomendado de atividade física por semana. De acordo com o coordenador do Pronto Atendimento Adulto e de Cardiologia do Hospital Unimed Grande Florianópolis, José Kostetzer Junior, este hábito que traz proteção cardiovascular, com controle da pressão e perda de peso corporal.
O cardiologista explica que as pessoas obesas apresentam maior risco de desenvolver síndromes induzidas por calor, devido à maior espessura do tecido adiposo, o que dificulta a perda de calor. Assim como pessoas com histórico prévio de qualquer síndrome, que acabam tendo maior risco de sofrerem uma nova manifestação, a exemplo dos hipertensos, cardiopatas isquêmicos (pessoas que já apresentaram infarto do miocárdio) e outras cardiopatias, além de diabéticos e pessoas portadoras de doença renal crônica.
“Os hipertensos, que fazem uso de certas medicações, têm de ter cuidado redobrado quanto ao seu grau de hidratação para não apresentar efeitos indesejados, a exemplo, tonturas, cefaleia e quedas de pressão, que podem até levar ao colapso circulatório”, finaliza.
Atenção redobrada para quem é do grupo de risco
A fisioterapeuta Bruna Braun Azambuja, que integra o grupo de risco por toda a sua família ser cardiopata, diz que vai ao cardiologista pelo menos uma vez por ano. “Tenho essa herança por parte de mãe e de pai. Meu irmão, que descobriu ter nascido com problemas cardíacos congênitos, aos 38 anos, já teve de passar por três pontes de safena”, relata.
Ela conta que desde criança, sempre praticou muita atividade física. Depois, ao cursar fisioterapia e também tornar-se professora de pilates, diz que ficou claro para ela a importância de exercícios físicos para o coração.
“Hoje minha alimentação é saudável, como sempre pratos coloridos e com muito vegetal e legumes, e, apesar da rotina corrida, com poucas horas para o sono, dentro do que posso, sempre dou o meu melhor” diz Bruna que, para esvaziar a cabeça e minimizar o estresse do dia a dia, costuma fazer longos passeios de moto.
Bruna Braun Azambuja diz cursar fisioterapia deixou claro a importância de exercícios físicos para o coração – Foto: Leo Munhoz/NDDescascar mais e desembalar menos
Aliar atividades físicas regulares e boa alimentação é a dica do cardiologista José Kostetzer Junior, que não recomenda, especialmente no verão, o jejum prolongado, que pode levar a indisposição. “Tenha sempre consigo uma fruta com baixo índice glicêmico e água à vontade e, nas principais refeições, priorize ingerir muitas verduras e legumes, carnes, oleaginosas (gergelim torrado, amêndoas, castanhas), pouco amido e sal e nenhum açúcar”, resume.
De acordo com a nutricionista Clarice Silveira Melo, entre os alimentos que mais favorecem o coração estão os arroxeados e avermelhados, como uva, mirtilo, gojiberry, jambolão, beterraba, tomate, goiaba, romã e berinjela, todos ricos em fotoquímicos, como resveratrol e flavonoides, que ajudam o bom funcionamento do órgão. Especiarias como a cúrcuma, o alho e a cebola, que atuam como anti-inflamatórios, também são especialmente benéficos.
“As gorduras do azeite de oliva, do coco e do abacate ajudam na saúde das artérias fazendo uma verdadeira desobstrução. Já alimentos como a linhaça e peixes como o salmão, a sardinha e o atum, ricos em Ômega 3, beneficiam a saúde das artérias e promovem um aumento do bom colesterol”, exemplifica.
Quanto aos alimentos considerados vilões para o coração estão os ultra processados, as gorduras saturadas e os ricos em açúcar, entre eles os carboidratos refinados e açucarados, “estes devem ser evitados o ano todo”, assegura a nutricionista, sugerindo para o verão que se aproxima uma alimentação leve e rica em frutas, verduras, grãos, sementes e castanhas. Também a boa hidratação é importante para o equilíbrio da pressão arterial. “Procure ingerir pelo menos 35 ml de água por quilo de peso”, recomenda.
Principais sintomas de infarto
– Dor no peito
– Sudorese
– Dores no braço, principalmente o esquerdo
– Tontura
– Náuseas
Principais sintomas de AVC
– Dormência súbita na face ou nos membros de um lado do corpo
– Comprometimento da fala
– Da visão
– Tontura