Câncer ginecológico atinge pelo menos 1,5 mil mulheres por ano em Santa Catarina

Tipo de tumor mais prevalente entre as mulheres em SC é o de colo de útero; taxa é de 12,60 casos a cada 100 mil habitantes

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional de Câncer), Santa Catarina registra anualmente mais de 1,5 mil casos de tumores ginecológicos, incluindo cânceres de colo de útero, endométrio e ovário. No Brasil, o número chega a 29,8 mil casos anuais.

Câncer ginecológico atinge pelo menos 1,5 mil mulheres por ano em Santa CatarinaTumor ginecológico mais prevalente entre as mulheres em SC é o do colo de útero – Foto: Shutterstock/Divulgação/ND

Os tipos de tumores mais prevalentes em SC seguem a tendência nacional. O maior é o câncer de colo de útero, com 12,60 casos para cada 100 mil mulheres. É a terceira maior prevalência do eixo Sul-Sudeste, atrás apenas de Rio de Janeiro e Paraná.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Na sequência estão os cânceres de ovário, com 5,49 casos para cada 100 mil e o de endométrio, 6,14 casos para cada 100 mil mulheres. Santa Catarina, somando os cânceres de colo do útero, endométrio e ovário, registra 1.530 novos casos anuais.

No Brasil, o câncer de colo uterino é o terceiro mais comum nas mulheres, atrás apenas de câncer de mama e colorretal. Apesar da alta incidência, vale ressaltar que a doença não só pode ser diagnosticada precocemente, como também é evitável.

As medidas para evitar o câncer de colo de útero são o acesso e adesão ao exame de Papanicolau e à vacina contra o papilomavírus humano (HPV). Tanto o exame quanto a imunização estão disponíveis na rede pública.

Principal fator de risco

A contaminação pelo vírus HPV é um fator causal para quase todos os casos de câncer de colo do útero. Para imunização dos HPVs oncogênicos 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos tumores malignos no colo uterino, há vacina disponível.

A vacina quadrivalente, que protege contra os HPVs 16 e 18, também previne os HPVs 6 e 11, que são responsáveis pela maioria das lesões genitais.

A vacina quadrivalente é distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Também é distribuída na rede pública para mulheres e homens imunossuprimidos até os 45 anos.

Para esse grupo, a vacina é oferecida em 3 doses, com intervalo 0, 2 meses e 6 meses. Em razão da baixa adesão às campanhas de vacinação e gargalos no acesso ao exame Papanicolau, o Brasil apresenta alta incidência e mortalidade por câncer de colo do útero.

Dados do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos apontam os motivos mais frequentes para a não realização do exame de Papanicolau: falta de vontade em 46,9%, vergonha ou constrangimento em 19,7%, e falta de conhecimento em 19,7%.

Este estudo também demonstrou que a baixa adesão ao Papanicolau está associada a disparidades sociais, menor renda, nível educacional e parceiro estável.

Tumores ginecológicos: causas, sintomas e prevenção

Os tumores ginecológicos se diferenciam quanto aos fatores de risco, conforme local de origem.

Se por um lado o câncer de colo do útero, como já descrito, tem o HPV como fator causal, o câncer do corpo do útero (ou endométrio) vem apresentando crescimento de incidência nos últimos anos provavelmente por conta da obesidade.

O câncer de corpo do útero é responsável por cerca de 6.500 novos casos e pela morte de mais de 1800 mulheres/ano no país. Infelizmente, não existe um método eficaz para rastreamento. Hoje o principal fator de risco é a obesidade.

Os sintomas são sangramento uterino anormal e desconforto pélvico, que podem alertar à mulher para necessidade de procurar por atendimento médico e assim, há mais chances de diagnóstico e tratamento precoces.

O câncer de ovário é o segundo tumor ginecológico maligno mais comum e é o que apresenta a menor taxa de sobrevivência entre os cânceres femininos.

É chamado de tumor silencioso, por não apresentar sintomas específicos e ausência de métodos eficazes de rastreamento.

Alterações genéticas podem estar presentes em 25% das pacientes com câncer de ovário e a história familiar de câncer de mama e ovário devem sempre ser sinais de alerta.

Os testes genéticos tornam-se importantes ferramentas não só para definição de tratamento, mas para aconselhamento genético aos familiares.

Os cânceres de vulva e vagina são tumores mais raros e que também possuem associação com infecção por HPV como fator causal. A vacina contra o HPV e o exame ginecológico de rotina são os pilares para prevenção e diagnóstico desses tumores em fases iniciais.

Tópicos relacionados