Segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional de Câncer), Santa Catarina registra anualmente mais de 1,5 mil casos de tumores ginecológicos, incluindo cânceres de colo de útero, endométrio e ovário. No Brasil, o número chega a 29,8 mil casos anuais.
Tumor ginecológico mais prevalente entre as mulheres em SC é o do colo de útero – Foto: Shutterstock/Divulgação/NDOs tipos de tumores mais prevalentes em SC seguem a tendência nacional. O maior é o câncer de colo de útero, com 12,60 casos para cada 100 mil mulheres. É a terceira maior prevalência do eixo Sul-Sudeste, atrás apenas de Rio de Janeiro e Paraná.
SeguirNa sequência estão os cânceres de ovário, com 5,49 casos para cada 100 mil e o de endométrio, 6,14 casos para cada 100 mil mulheres. Santa Catarina, somando os cânceres de colo do útero, endométrio e ovário, registra 1.530 novos casos anuais.
No Brasil, o câncer de colo uterino é o terceiro mais comum nas mulheres, atrás apenas de câncer de mama e colorretal. Apesar da alta incidência, vale ressaltar que a doença não só pode ser diagnosticada precocemente, como também é evitável.
As medidas para evitar o câncer de colo de útero são o acesso e adesão ao exame de Papanicolau e à vacina contra o papilomavírus humano (HPV). Tanto o exame quanto a imunização estão disponíveis na rede pública.
Principal fator de risco
A contaminação pelo vírus HPV é um fator causal para quase todos os casos de câncer de colo do útero. Para imunização dos HPVs oncogênicos 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos tumores malignos no colo uterino, há vacina disponível.
A vacina quadrivalente, que protege contra os HPVs 16 e 18, também previne os HPVs 6 e 11, que são responsáveis pela maioria das lesões genitais.
A vacina quadrivalente é distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Também é distribuída na rede pública para mulheres e homens imunossuprimidos até os 45 anos.
Para esse grupo, a vacina é oferecida em 3 doses, com intervalo 0, 2 meses e 6 meses. Em razão da baixa adesão às campanhas de vacinação e gargalos no acesso ao exame Papanicolau, o Brasil apresenta alta incidência e mortalidade por câncer de colo do útero.
Dados do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos apontam os motivos mais frequentes para a não realização do exame de Papanicolau: falta de vontade em 46,9%, vergonha ou constrangimento em 19,7%, e falta de conhecimento em 19,7%.
Este estudo também demonstrou que a baixa adesão ao Papanicolau está associada a disparidades sociais, menor renda, nível educacional e parceiro estável.
Tumores ginecológicos: causas, sintomas e prevenção
Os tumores ginecológicos se diferenciam quanto aos fatores de risco, conforme local de origem.
Se por um lado o câncer de colo do útero, como já descrito, tem o HPV como fator causal, o câncer do corpo do útero (ou endométrio) vem apresentando crescimento de incidência nos últimos anos provavelmente por conta da obesidade.
O câncer de corpo do útero é responsável por cerca de 6.500 novos casos e pela morte de mais de 1800 mulheres/ano no país. Infelizmente, não existe um método eficaz para rastreamento. Hoje o principal fator de risco é a obesidade.
Os sintomas são sangramento uterino anormal e desconforto pélvico, que podem alertar à mulher para necessidade de procurar por atendimento médico e assim, há mais chances de diagnóstico e tratamento precoces.
O câncer de ovário é o segundo tumor ginecológico maligno mais comum e é o que apresenta a menor taxa de sobrevivência entre os cânceres femininos.
É chamado de tumor silencioso, por não apresentar sintomas específicos e ausência de métodos eficazes de rastreamento.
Alterações genéticas podem estar presentes em 25% das pacientes com câncer de ovário e a história familiar de câncer de mama e ovário devem sempre ser sinais de alerta.
Os testes genéticos tornam-se importantes ferramentas não só para definição de tratamento, mas para aconselhamento genético aos familiares.
Os cânceres de vulva e vagina são tumores mais raros e que também possuem associação com infecção por HPV como fator causal. A vacina contra o HPV e o exame ginecológico de rotina são os pilares para prevenção e diagnóstico desses tumores em fases iniciais.