‘Caos instalado no Hospital São José de Joinville’: Veja o que está acontecendo

Procura ao Hospital São José está acima da capacidade; por causa da superlotação, Prefeitura remaneja leitos e profissionais

Redação ND Joinville

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“O caos está instalado no Hospital São José, em Joinville. Tem gente no corredor até perto do elevador”, relatou uma acompanhante de paciente ao Portal ND+. “Não tem mais onde colocar paciente, não tem nem maca”, disse outra trabalhadora.

hospital são josé está sobrecarregadoHospital Municipal São José está sobrecarregado. –  Foto: Carlos Jr./ND

Fato é que o Hospital Municipal São José, que atende não só Joinville, mas toda a região e sempre está com as portas abertas, vive um drama por conta da alta demanda de atendimentos. A procura tem sido maior que a capacidade de atendimento da unidade, que dispõe de 269 leitos. Todos os leitos de UTI e enfermaria estão ocupados. Há pacientes, e muitos, nos corredores. O pronto-socorro que tem capacidade para atender 30 pacientes está com 60. No setor de pós-trauma onde já há seis camas a unidade colocou mais uma e servidores estão sendo remanejados para uma força-tarefa no pronto-socorro. Tudo para tentar dar conta.

No entanto, pacientes e acompanhantes que estão dentro do hospital reclamam do atendimento e das condições a que estão submetidos.

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“Na quarta-feira passada minha mãe buscou atendimento. Foi detectada com dengue. Ela ficou o dia inteiro sentada em uma cadeira. Estava com dores terríveis por causa da dengue. No segundo dia conseguiram um poltrona para ela. Depois, foi colocada em uma maca não adequada para o tamanho dela”, relata uma acompanhante, que preferiu não dar o nome.

Ela contou ainda que a maioria dos atendimentos é feita por residentes. “Não estou dizendo que eles não são capazes, mas faltam esclarecimentos e presença de médicos responsáveis”, continua o desabafo.

Só no domingo que a senhora de 77 anos conseguiu um quarto, “depois da visita do ministro da Saúde, acredita a acompanhante.

“Maquiaram tudo para sair bem na foto durante a visita do ministro, mas o caos está instalado lá. Havia 60 pacientes no corredor, muitos deles idosos, com dengue e dengue dá muita dor. Além disso, os  acompanhantes não tem nem cadeira para sentar. ”

A acompanhante conclui dizendo que a Prefeitura demorou para fazer novo processo seletivo para contratar mais profissionais e isso também, segundo ela, está impactando no atendimento.

“Por que a Prefeitura não se antecipa e faz o processo seletivo antes de terminar os contratos dos temporários”, questiona.

Outra denúncia que chegou até o Portal ND+ diz que “não tem onde mais colocar paciente, não tem maca, não tem suporte nem gente para atender tanto paciente. Estão colocando mais camas em setores onde já há seis camas.”

“O hospital está remanejando leitos e os funcionários para tentar atender o fluxo do pronto-socorro, mas está além da capacidade.”

A superlotação do Hospital São José também chegou à Câmara de Vereadores de Joinville. Cassiano Ucker subiu à Tribuna para denunciar o “fechamento” de 25 leitos, o que, depois, se verificou que nenhum leito foi fechado, mas sim remanejado.

Ainda assim, o parlamentar critica a falta de capacidade de atendimento e de estrutura.

“Estão amontoando as pessoas. Há doenças contagiosas e isso é um risco. Estão colocando gente com outras patologias dentro de unidades cirúrgicas, sobrecarregando e impactando setores. Remanejar leitos e funcionários, improvisar não são a melhor saída. É preciso evoluir nesse processo. Assumir a realidade, contratar mais profissionais e fazer uma força-tarefa para estancar o problema. Não se pode esconder pacientes”, expõe o vereador, que diz ter recebido imagens da superlotação assim como muitas reclamações de usuários.

Ele também apontou a demora em fazer um novo processo para contratar mais gente. “Deixar terminar o contrato temporário para depois fazer outro é também uma forma de sucatear o sistema.”

Cassiano, que também é médico, prometeu notificar formalmente o Ministério Público, o Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Enfermagem para que avaliem a situação do Hospital São José.

“O paciente precisa de um ambiente ideal para recompor a saúde e é obrigação do município, do Estado e da União ofertar essa condição”, conclui.

hospital são joséImagem interna do Hospital São José. – Foto: Divulgação ND

O que diz a Prefeitura

O município não esconde que o Hospital São José esteja superlotado. A procura está maior que a capacidade de atendimento. No pronto-socorro, por exemplo, onde a capacidade é de 30 pacientes, há 60. O hospital está acima de 100% de lotação.

Um memorando interno determina o remanejamento de profissionais enfermeiros e técnicos de enfermagem para as áreas críticas do Hospital, Pronto Socorro, UTI e Centro Cirúrgico.

Segundo a Prefeitura, o hospital tem 269 e seguirá com 269 leitos. O que está sendo necessário neste momento é uma readequação destinando mais funcionários de outros setores para dar um suporte ao pronto-socorro.

Um dos motivos é a alta procura por queixas respiratórias. O que foi visto há cerca de duas semanas em crianças está ocorrendo agora com adultos. Além disso, há ainda a dengue com aumento expressivo de casos.

“O fato é que o Hospital São José está com uma procura muito maior do que sua capacidade.”

O município, inclusive, emitiu uma nota para explicar a situação da saúde como um todo que impacta o São José.

Veja abaixo a nota na íntegra:

“Assim como os demais serviços de saúde, o Hospital Municipal São José registrou aumento significativo por atendimento nos últimos meses. Por este motivo, está sendo necessário realizar um ajuste de alocação da equipe de servidores para a demanda que se apresenta.

Atualmente, a unidade conta com 269 leitos. De forma temporária e gradativa, alguns destes leitos serão realocados em setores da própria unidade, não sendo necessário o fechamento de nenhum leito. Assim que a contratação de servidores temporários, que já está em andamento, for concluída, estes leitos voltarão para seus setores de origem.”

Sobre contratos

Sobre a crítica da demora em fazer um novo processo seletivo de contratação temporária, a Prefeitura explica que há duas situações: uma delas são os profissionais contratados por causa da pandemia de Covid-19. Estes não serão recontratados porque não estavam previstos no quadro do hospital antes da pandemia. Outra situação são os contratos temporários que, assim que encerrados, são renovados.

Quanto à denúncia de falta de estrutura, como paciente sentado em uma cadeira o dia inteiro, a Prefeitura informou que avalia a gravidade de cada  paciente e faz o possível para ofertar o melhor atendimento.

Para concluir, o município fez questão de frisar que durante as visitas oficiais do Estado e da União, o prefeito Adriano Silva reivindicou aumento do investimento na estrutura do hospital por parte do Governo do Estado e União.

Sobre a denúncia de “maquiagem” para mostrar um cenário diferente durante a visita do ministro Marcelo Queiroga, a Prefeitura negou. Destacou que o ministro da Saúde visitou o ambulatório de oncologia, a unidade de internação de oncologia, onde há equipamentos como aceleradores lineares que tiveram investimento do governo federal, e também o setor de AVC.

*Os nomes das pessoas que denunciaram as situações dentro do Hospital São José foram preservados a pedido delas.

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