Cápsulas comercializadas como protetor solar são consideradas propaganda enganosa, de acordo com a médica dermatologista Ariel Cordova. Esses produtos têm ganhado destaque nas prateleiras de farmácias, mas a profissional enfatiza que de forma alguma substituem os filtros solares aplicados diretamente na pele.
Protetor solar em capsula, resolve ou não? – Foto: Freepik/Divulgação/NDPara a dermatologista, embora esses produtos não sejam totalmente prejudiciais, é crucial classificá-los de maneira mais precisa para evitar que a população os adquira pensando em soluções milagrosas.
“Na realidade, essas são substâncias antioxidantes. Elas complementam a proteção. Em resumo, existem várias dessas substâncias que evitam que a pessoa fique vermelha ao se expor ao sol. No entanto, isso ajuda a controlar a inflamação, mas não substitui o protetor solar; ele apenas auxilia de algumas formas”, explica a profissional.
Seguir“Protetor solar” – um nome inadequado
A médica destaca que a denominação “protetor solar” pode levar a população a equívocos significativos. Especialmente em Santa Catarina, estado com o maior índice de câncer de pele do Brasil, com uma taxa de 133,22 casos para cada 100 mil habitantes, é crucial que a prevenção seja realizada corretamente.
“O nome por si só pode gerar vários equívocos. Os pacientes podem acreditar que estão seguros apenas tomando comprimidos. No entanto, pelo contrário, eles ainda precisam adotar as mesmas medidas de cuidado. O termo correto seria chamar essas cápsulas de antioxidantes, pois é isso que elas são e é essa a função que desempenham, como um complemento”, conclui a médica.
Câncer de pele em Santa Catarina
Santa Catarina é o estado de maior concentração de câncer da pele no Brasil, com taxa de 133,22 casos para cada 100 mil habitantes. Segundo o governo do Estado, somente em 2022, ano com o último dado atualizado, 313 pacientes perderam a vida em decorrência do câncer de pele no Estado.
A doença, segundo o mistério da saúde, é uma condição resultante do crescimento anormal de células na pele, muitas vezes desencadeado pela exposição prolongada aos raios ultravioletas do sol ou outras fontes de radiação UV.
Os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que o câncer de pele é o de maior incidência no Brasil, e em Santa Catarina não é diferente. – Foto: Divulgação/Gov-SC/NDExistem diferentes tipos de câncer de pele, sendo os três mais comuns:
- O carcinoma basocelular;
- O carcinoma espinocelular;
- Melanoma.
As consequências do câncer de pele podem ser diversas. A exposição excessiva ao sol pode danificar o DNA das células da pele, levando ao crescimento descontrolado e à formação de tumores.
Nos casos mais graves, como o melanoma, há o risco de as células cancerígenas se espalharem para outras partes do corpo, resultando em metástase.
Além disso, a remoção de tumores durante o tratamento pode resultar em cicatrizes e afetar a função da pele, causando dificuldades estéticas e funcionais. Mesmo após um tratamento bem-sucedido, há o risco de recorrência, destacando a importância do monitoramento contínuo.
Prevenção ao câncer de pele
O Ministério da Saúde lista algumas medidas para prevenir o câncer de pele. Confira:
- Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h.
- Procurar lugares com sombra.
- Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas.
- Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 30, no mínimo.
- É necessário reaplicar o filtro solar a cada duas horas, durante a exposição ao sol, bem como após mergulho ou grande transpiração.
- Mesmo filtros solares “à prova d’água” devem ser reaplicados.
- Usar filtro solar próprio para os lábios.
- Em dias nublados, também é importante o uso de proteção.
- As tatuagens podem esconder lesões, portanto, merecem atenção.
- Nas atividades ocupacionais, pode ser necessário reformular as jornadas de trabalho ou a organização das tarefas desenvolvidas ao longo do dia.