O caso da idosa de 90 anos dada como morta que foi encontrada viva em um necrotério de São José virou alvo de uma investigação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).
Hospital Regional terá que prestar esclarecimentos para o MPSC – Foto: Paulo Goeth/SES/Divulgação/NDA Notícia de Fato — procedimento que apura informações de práticas ilícitas que demandem ação do Ministério Público — foi instaurada pela 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de São José nesta quarta-feira (29).
O MPSC determinou envio de ofícios ao Hospital Regional e para a SES (Secretaria de Estado da Saúde) para pedir esclarecimentos à instituição.
SeguirO Hospital Regional terá que informar detalhadamente sobre os procedimentos adotados para atender a idosa. Já a SES terá que informar as providências que foram tomadas para apurar os fatos, a identidade dos profissionais envolvidos e qual será a responsabilização.
O MPSC ainda determinou o envio de um ofício para a DPCAMI (Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso) de São José para que a Polícia Civil investigue um possível crime contra a idosa.
Família chegou a ser informada da morte da idosa
O acontecimento veio à tona quando a família foi informada da morte, apenas para descobrir, horas depois, que a idosa estava viva.
Renato, filho da idosa, e Jéssica, amiga da família, foram os primeiros a relatar o ocorrido ao repórter Sérgio Guimarães. Segundo eles, o hospital informou sobre o falecimento da idosa na noite de sábado (25), um dia após sua internação na unidade.
“Fiz a papelada toda, chamei a funerária. O rapaz me dispensou e quando eu estava em casa de madrugada, ele me ligou dizendo para eu retornar ao hospital que minha mãe estava viva. Ele encontrou ela no necrotério viva”, relatou Renato.
Idosa morreu cerca de 30 horas após a primeira declaração de óbito – Foto: Sérgio Guimarães/Reprodução/NDAcontece que ao preparar o corpo para o funeral, o funcionário notou sinais de vida. O corpo da idosa estava ainda quente, e ao verificar, constatou-se que ela ainda estava respirando. A equipe médica foi imediatamente acionada, e a idosa foi levada de volta à unidade de reanimação.
“Depois da reanimação, eles mandaram no outro dia ela para o quarto. Sem sonda para alimentação. Ela ficou três dias sem se alimentar e hoje (27) ela veio a óbito às 4h da manhã”, disse Jéssica.
Após o susto inicial, a idosa foi transferida para um quarto no hospital. Infelizmente, mesmo após o episódio, seu estado de saúde piorou, e ela morreu cerca de 30 horas após a primeira declaração de óbito.
O que diz a SES
Ao ND+, a SES (Secretaria de Estado da Saúde), informou que a direção do Hospital Regional comunicou que a paciente encontrava-se em tratamento paliativo nas dependências da unidade.
A pasta informa que foi aberto um processo de sindicância para apurar as responsabilidades diante do fato e notificado o Comitê de Ética Médica e à Comissão de óbito.