Em cinco anos, a Vigilância Epidemiológica registrou somente um caso de febre maculosa no município de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. A doença é transmitida pela picada de carrapato infectado com a bactéria do gênero Rickettsia.
A transmissão da febre maculosa ocorre somente por meio do contato com o carrapato-estrela infectado pela bactéria do gênero Rickettsia — Foto: Jerry Kirkhart/Wikimedia/Agência BrasilDesde 2012, Chapecó teve oito casos suspeitos notificados, destes, sete foram descartados e a única confirmação aconteceu em 2019. Não houve mortes, segundo a Vigilância Epidemiológica da cidade.
Já em toda Santa Catarina, segundo a DIVE (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), são 610 casos confirmados em 17 anos. Os anos de 2014 e 2020 registraram o maior número de confirmações, sendo 52 contaminações em cada ano. Neste ano, até agora, são 18 casos confirmados em 13 municípios catarinenses.
SeguirEm nota divulgada nesta quinta-feira (14), a Diretoria de Vigilância Epidemiológica esclareceu que Santa Catarina tem registro de quadros leves da febre maculosa. O maior número de contaminações está em Blumenau (05) e Jaraguá do Sul (02). Os demais municípios aparecem com apenas um caso cada.
Cidades de SC que confirmaram a doença, segundo a DIVE:
- Blumenau (5)
- Jaraguá do Sul (2)
- Grão-Pará (1)
- Corupá (1)
- Benedito Novo (1)
- Canelinha (1)
- Joinville (1)
- Rio dos Cedros (1)
- São Bento do Sul (1)
- Urussanga (1)
- Luiz Alves (1)
- Massaranduba (1)
- Orleans (1)
18 catarinenses já pegaram febre maculosa em 2023 – Foto: CDC+ Prefeitura de Jundiai/Divulgação/ND“Os sintomas podem aparecer entre o segundo e o 14º dia de exposição. É sempre importante procurar por atendimento médico ao apresentar sinais e sintomas. O médico fará a avaliação, investigando se a pessoa mora e/ou esteve em local de mata, floresta, fazendas, trilhas ecológicas e se ela pode ter sido picada por um carrapato. Além disso, são realizados exames para confirmar o diagnóstico”, destaca Ivânia Folster, gerente de zoonoses da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC.
O Brasil tem 53 casos de febre maculosa e oito mortes, segundo dados do Ministério da Saúde, atualizados na quarta-feira. Todos os óbitos ocorreram na Região Sudeste — seis em São Paulo, um em Minas Gerais e um no Rio de Janeiro. Quanto ao número de casos, a maior concentração de ocorrências é verificada nas regiões Sudestes (30) e Sul (17).
Febre maculosa: sintomas
Os sintomas da febre maculosa são:
- Febre;
- Cefaleia;
- Mialgia intensa;
- Mal-estar generalizado;
- Náuseas e vômitos;
- Exantema máculo-papular (acometendo principalmente região palmar e plantar);
- Linfadenopatia;
- Escara de inoculação (lesão no local onde o carrapato ficou aderido).
De acordo com a pasta, assim que surgem os primeiros sintomas, o paciente deve procurar as unidades de saúde para avaliação médica e tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O ministério informa que tem promovido ações recorrentes de capacitação direcionadas às vigilâncias estaduais e municipais, envolvendo profissionais da vigilância e da atenção à saúde.
Em nota, a pasta informa que está sendo usado um medicamento antimicrobiano para tratar a febre maculosa e que todas as unidades federativas estão abastecidas com os remédios prioritários para o tratar a doença, incluindo São Paulo. A nota diz ainda que dispõe de estoque estratégico para envio de novas remessas aos estados que precisarem.
A contaminação
Carrapato-estrela, transmissor da bactéria causadora da Febre Maculosa. Foto: Prefeitura de Jundiaí – Foto: Reprodução/Prefeitura de Jundiaí/NDA transmissão da febre maculosa ocorre somente por meio do contato com o carrapato-estrela infectado pela bactéria do gênero Rickettsia. Não há, portanto, transmissão de pessoa para pessoa. Essa espécie de parasita pode ser encontrada especialmente em capivaras.
Desde o ano de 2022, Santa Catarina é referência para a região Sul para identificação dos carrapatos através do Laboratório de Entomologia da Diretoria de Vigilância Epidemiológica.
Os carrapatos coletados em ações de Vigilância Ambiental são identificados pelo Laboratório e posteriormente encaminhados para pesquisa de riquétsias no Laboratório de Referência Nacional em Vetores de Riquetsioses — Fiocruz/Ministério da Saúde.