Governo atribui piora da Covid-19 em SC à falta de fiscalização, mas descarta novas regras

Secretário da Saúde, André Motta Ribeiro destacou que prefeituras devem se responsabilizar pela fiscalização dos eventos nos municípios após festas de fim de ano não obedecerem regras sanitária

Redação ND Florianópolis

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O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, admitiu que as festas de fim de ano não obedeceram as regras sanitárias propostas para controlar a pandemia do coronavírus em Santa Catarina.

Imagem mostra pessoas sentadas em cadeiras na praia de Balneário CamboriúRéveillon em Balneário Camboriú contou com muitas pessoas na praia da cidade – Foto: Bruno Golembiewski/ND

Mesmo com o cenário de aumento do número de casos e filas para atendimento em hospitais, o gestor da pasta descartou, no momento, medidas mais rígidas para frear o contágio.

Em entrevista para o SC no Ar desta terça-feira (4), o secretário reforçou o papel dos municípios na liberação e fiscalização dos eventos, conforme destaca o decreto estadual. 

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“Havíamos alertado através do decreto do governador Moisés sobre a responsabilidade de autorização e fiscalização dos municípios para ter maior eficácia neste momento. Infelizmente, o que vimos no final de dezembro foram eventos absolutamente fora das regras sanitárias e as consequências aparecem”, destaca o secretário de Estado da Saúde

Além disso, André Motta Ribeiro destacou que o aumento da busca por atendimento médico influenciou, também, pela alta no número de casos de Influenza.

Imagem mostra frente da UPA Sul com pessoas esperando atendimento médico e distantes, conforme regra sanitáriaUPA Sul, em Florianópolis, na manhã desta terça-feira (4) – Foto: Vitor Miranda/NDTV/ND

“A população está com vontade de fazer eventos e movimentos sociais. Mas o aumento de pessoas e a baixa cobertura vacinal contra o coronavírus por conta da politização da pandemia resultou no aumento do número de casos da Covid-19, mas ainda não traduzimos em gravidade”, explica o secretário de Estado da Saúde.

De acordo com o boletim epidemiológico da última segunda-feira (3), Santa Catarina registrou 480 novos casos, cinco mortes e atingiu a marca de 4.692 pacientes ativos, ou seja, que ainda não se recuperaram e podem transmitir a doença.

Mesmo com o aumento de casos, transmissão comunitária da variante Ômicron e a lotação e demanda por atendimento médico, André Motta Ribeiro afirma que ainda não é momento para mudanças mais rígidas nas regras sanitárias.

“A situação é no aumento da procura do atendimento médio, mas que ainda não se traduziu em gravidade da doença. Então, não é necessário se falar em interferências maiores neste momento […] Se houver um número maior de mortes ou gravidade da doença, a discussão será outra”, exemplifica André Motta Ribeiro.

Carnaval em SC

Assim como destacou o secretário, as festas de Natal e principalmente do Réveillon foram amostras do descumprimento das regras sanitárias em Santa Catarina.

O carnaval de 2022 está previsto para o fim de fevereiro e início de março. Questionado sobre a possibilidade da realização das festas do evento no Estado, André Motta Ribeiro, mais uma vez, rechaçou a responsabilidade das prefeituras em liberar e fiscalizar as festas e explicou que ainda é cedo para avaliar, mas frisou o atual cenário.

Enterro da Tristeza (foto) é um dos blocos mais tradicionais em Florianópolis – Foto: Blocos SOS/Divulgação/NDEnterro da Tristeza (foto) é um dos blocos mais tradicionais em Florianópolis – Foto: Blocos SOS/Divulgação/ND

“Neste momento, olhando o que está acontecendo, nós não recomendamos. É impossível imaginarmos como será o cenário epidemiológico daqui 60 dias porque fazemos estudos de prospecção de, no máximo, 30 dias. Olhando a fotografia do dia de hoje, a Secretaria de Estado da Saúde não recomenda, mas a decisão é do gestor municipal, assim como a responsabilidade de fiscalizar os eventos e ofertar atendimento de saúde para sua população”, finaliza André Motta Ribeiro.

Cenário da Covid-19 em SC

Santa Catarina já registrou 1.244.569 casos confirmados e 20.194 mortes em decorrência da Covid-19. A taxa de letalidade permanece em 1,62%. Enquanto isso, o número de recuperados é de 1,2 milhões de pessoas.

Segundo o Vacinômetro SC, atualizado na manhã da última segunda-feira (4), 5 milhões de pessoas já completaram o ciclo vacinal contra a Covid-19, ou seja, 70% da população catarinense.

Além disso, outras 5,7 milhões de pessoas receberam, no mínimo, a primeira dose da vacina. A última atualização do quadro por parte do Ministério da Saúde ocorreu no dia 9 de dezembro. Vale ressaltar que o ataque hacker nos sistemas da pasta podem apresentar atraso na atualização dos dados do Vacinômetro SC.

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