Cidades do Vale do Itajaí querem mudança na metodologia do mapa de risco da Covid-19 em SC

Associação de municípios alega que o critério de Monitoramento, que avalia a quantidade de testes positivos, não reflete a realidade da região

João Victor Góes Blumenau

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A Ammvi (Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí) enviou um pedido à Secretaria de Estado da Saúde para modificar a metodologia utilizada na elaboração da Matriz de Risco Potencial para Coronavírus em Santa Catarina.

Estado alerta para aumento da transmissibilidade da Covid-19 no Médio Vale – Foto: Reprodução / NDTV BlumenauEstado alerta para aumento da transmissibilidade da Covid-19 no Médio Vale – Foto: Reprodução / NDTV Blumenau

São avaliadas quatro dimensões para elaborar a matriz: Evento Sentinela (ocorrência de óbitos pela doença), Transmissibilidade (variação no número de confirmação positiva e casos infectantes), Monitoramento (percentual de positividade de exames RT-PCR do Lacen) e Capacidade de Atenção (ocupação de leitos de UTI Covid).

O questionamento da Ammvi é quanto ao Monitoramento. Atualmente, para avaliar essa dimensão, a Secretaria de Estado da Saúde calcula o percentual de positividade dos testes realizados pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública).

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No entanto, para ter mais agilidade no resultado, municípios do Vale do Itajaí realizam a maioria dos testes por conta própria e apenas os exames feitos em gestantes e pacientes hospitalizados são encaminhados ao Lacen. Consequentemente, o percentual de positividade acaba sendo maior e não reflete a realidade, aponta a Ammvi.

Ligia Hoepfner, coordenadora da Comissão Intergestores Regional (CIR) de Saúde do Médio Vale, explica que a entidade já solicitou a revisão, mas ainda não houve resposta por parte do Estado.

A última atualização da metodologia usada para elaborar a matriz de risco ocorreu em 17 de dezembro de 2020, segundo consta no documento divulgado divulgado pelo próprio Governo do Estado.

Vale do Itajaí na contramão

Apesar do questionamento feito pela Ammvi quanto ao método de elaboração da Matriz de Risco Potencial para Coronavírus, o Médio Vale está na contramão das cidades e tem apresentado uma piora no cenário da pandemia e permanece na classificação de risco gravíssimo.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, a nota de gravidade da região subiu para 3,875 na última semana. A maior entre as 16 regiões. Quanto mais próximo de 4 (nota máxima), pior é a situação.

Entre a dimensões, a Capacidade de Atenção, o Monitoramento e a Transmissibilidade, estão com a pior avaliação (nota 4). O Evento Sentinela, por sua vez, também está em nível gravíssimo, mas com nota 3,5.

Nova onda

Um estudo apresentado no fim de junho, previa que a região poderia enfrentar uma nova onda da Covid-19 no mês de julho. A projeção elaborada pelo Núcleo de Informações Estratégicas da Unimed, estima um novo aumento no número de casos ativos e ocupação de leitos de UTI.

Diante do alerta, a Comissão Intergestores Regional (CIR) de Saúde do Médio Vale também enviou um pedido à Secretaria de Estado da Saúde para ampliar a quantidade de leitos de UTIs na região.

A reportagem do ND+ entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde, mas não obteve retorno até o fechamento desta publicação.