Cientistas descobrem interruptor no cérebro que liga e desliga a ansiedade

Descoberta abre caminho para tratamentos eficazes com o intuito de reduzir a ansiedade sem causar efeitos colaterais cognitivos

Foto de Bruno Benetti

Bruno Benetti Florianópolis

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Os pesquisadores da Weill Cornell Medicine identificaram recentemente um circuito cerebral que, quando ativado, é capaz de reduzir a ansiedade sem prejudicar a memória. A descoberta, publicada na revista Neuron, abre caminho para tratamentos eficazes contra transtornos de ansiedade sem efeitos colaterais cognitivos comuns em medicamentos tradicionais.

na foto aparece um desenho com uma parte específica do cérebro após reduzir a ansiedadeEstudo analisou para alterações no córtex pré-frontal – Foto: Reprodução/ND

Receptor no cérebro para reduzir a ansiedade

A pesquisa analisou o funcionamento do receptor de glutamato metabotrópico 2 (mGluR2), uma proteína que está presente em vários circuitos cerebrais.

Os pesquisadores descobriram que, quando se ativa esse receptor em uma via específica, que leva à BLA (amígdala basolateral), isso ajuda a reduzir a ansiedade sem afetar negativamente a memória.

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Os tratamentos para transtornos de ansiedade costumam atuar em diversos receptores cerebrais e causam efeitos colaterais indesejados, como comprometimento da cognição. Entretanto, essa pesquisa demonstrou que estimular o circuito correto pode evitar essas consequências.

Detalhes do estudo

A equipe de pesquisadores utilizou uma abordagem inovadora chamada fotofarmacologia, que permite ativar receptores específicos com luz. Isso possibilitou identificar dois circuitos que se conectam à amígdala e estão envolvidos na regulação da ansiedade.

na foto aparece um cérebro conectado com transtorno de ansiedadeTônico para o cérebro entrega benefícios – Foto: Reprodução Internet

Circuito Córtex Pré-Frontal Ventromedial – BLA

A ativação desse receptor no circuito reduziu comportamentos ansiosos, mas levou ao comprometimento da memória de trabalho.

Circuito Ínsula – BLA

A ativação do mesmo receptor nesse circuito reduziu a esse transtorno sem afetar a memória, normalizando comportamentos sociais e alimentares.

Implicações para o tratamento

A descoberta do circuito Ínsula – BLA como possível tratamento desse transtorno representa um grande avanço. Atualmente medicamentos como benzodiazepínicos e antidepressivos podem causar sedação, dependência e prejuízos cognitivos.

O estudo sugere que ao desenvolver tratamentos mais seletivos para esse circuito, pode-se obter um alívio desse transtorno sem efeitos colaterais comuns.

Próximos passos na pesquisa

O próximo passo da pesquisa é buscar desenvolver medicamentos que atuem exclusivamente no circuito Ínsula – BLA, sem afetar outras regiões cerebrais onde o receptor mGluR2 está presente.

A equipe ainda pretende utilizar a tecnologia para estudar outras classes de medicamentos, como o opioides e antidepressivos, e assim buscar entender melhor seus impactos nos circuitos cerebrais.

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