Uma nova descoberta pode revolucionar o tratamento de câncer de pâncreas no mundo. A doença, segundo o Ministério da Saúde, tem geralmente apenas 10% de chance de sobrevivência. O estudo sobre uma vacina contra a doença foi publicado nesta quarta-feira (10), na revista científica Nature.
O ensaio clínico relata resultados promissores ao testar uma abordagem personalizada para aumentar as respostas imunes ao câncer de pâncreas. O imunizante é uma vacina de RNA, molécula auxiliar do DNA. Na primeira fase do teste, 50% dos voluntários que receberam a vacina conseguiram produzir células do sistema imune contra tumores.
Estudo representa esperança para os pacientes com a doença – Foto: Unsplash/Divulgação/NDO imunizante foi desenvolvido pela empresa alemã BioNTech com a mesma tecnologia que a empresa usou na vacina contra a Covid-19, criada em parceria com a Pfizer. No entanto, cada uma das vacinas desenvolvidas agora para o câncer terá uma espécie de personalização para cada paciente, baseada no perfil genético do câncer.
SeguirNo ano passado, a BioNTech já tinha divulgado que a vacina era segura, no entanto, faltavam mais bases científicas para sustentar a alegação.
Como funcionou o estudo?
Ao todo 16 pacientes receberam uma aplicação da vacina, após fazer cirurgias de remoção de câncer, paralelamente com a quimioterapia.
Outra parte importante é que os pacientes foram todos diagnosticados com adenocarcinoma ductal pancreático, esse é um dos tipos mais agressivos de câncer de pâncreas.
Oito dos pacientes tiveram produção de células do sistema imune contra a doença – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDDurante um ano e meio de estudo, metade dos pacientes apresentou produção de células T, que são células do sistema imune que podem atacar o tumor. Já os que não tiveram resposta imune, o câncer voltou em média após 13 meses.
“Este é o primeiro sucesso demonstrável – e vou chamá-lo de sucesso, apesar da natureza preliminar do estudo – de uma vacina de RNA no câncer de pâncreas”, disse em entrevista ao NY Times, o Dr. Anirban Maitra, especialista na doença na Universidade do Texas.
Desde o início do estudo, em dezembro de 2019, a BioNTech encurtou o processo para produção da vacina em seis semanas, disse o Dr. Ugur Sahin, cofundador da empresa, que trabalhou no estudo. Eventualmente, a empresa pretende produzir vacinas contra o câncer em quatro semanas.
Desde que começou a testar as vacinas há cerca de uma década, a BioNTech reduziu o custo de aproximadamente R$ 1.730 por dose para menos de R$ 494 ao automatizar partes da produção, disse o Dr. Sahin.
Apesar do estudo promissor, os pesquisadores reconhecem que é preciso continuar os testes nas fases seguintes, até que tenham certeza que a vacina de fato pode ajudar os pacientes com a doença.