Cigarros eletrônicos proibidos: veja como está a comercialização do produto no país

Mesmo não apresentando dificuldades para serem encontrados, os dispositivos ainda permanecem proibidos no Brasil

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Redação ND Florianópolis

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Cigarros eletrônicos ainda são facilmente encontrados no país em lojas, festas, tabacarias, ambulantes e até mesmo na internet. Mesmo não apresentando dificuldades para serem encontrados, os dispositivos ainda permanecem proibidos no Brasil. Em julho de 2022, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), manteve a proibição de comercializar esse produto, mas não é a decisão final da agência. Sendo assim não há impedimento legal para a venda desses dispositivos. As informações são do portal Poder360.

Uso de cigarros eletrônicos pode causar sintomas de Covid-19 – Foto: Freepik/Divulgação/NDUso de cigarros eletrônicos pode causar sintomas de Covid-19 – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Diante disso, cresce a importância do debate sobre o que fazer diante do mercado ilegal e do aumento expressivo do consumo. No Brasil, existem mais de 2 milhões de consumidores, como aponta a pesquisa do Ipec Inteligência de 2021.

Em 2020, eram 948 mil usuários, o que revela um aumento de 120%, esse número mais que dobrou em um ano.

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Frente a esse cenário, muito ainda se discute sobre os efeitos dos vaporizadores e dos produtos de tabaco aquecido na saúde da população, mesmo que diversos estudos apresentam menos risco potencial à saúde se comparados com cigarros convencionais.

Com base em estudos científicos e no aval dos órgãos de saúde pública, 79 países regulamentaram o uso dos cigarros eletrônicos no mundo, aponta relatório sobre tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na Inglaterra, por exemplo, o Serviço Nacional de Saúde (National Health Service, em inglês) recomenda o uso de vaporizadores e produtos de tabaco aquecido para fumantes que desejam parar de fumar. Estudos da Public Health England, agência de saúde pública do governo britânico, mostram que a redução potencial de risco à saúde substituindo o cigarro convencional pelo eletrônico é de no mínimo 95%.

Além desse levantamento, outras pesquisas apontam dados relevantes sobre o cigarro eletrônico. Entenda.

Cigarro eletrônico como opção de potencial risco reduzido à saúde para fumantes e não uma porta de entrada para o cigarro convencional

Estudos apontam que os cigarros eletrônicos, desde que adequadamente regulamentados, podem ser uma saída para adultos que buscam um produto com riscos à saúde reduzido em comparação com o cigarro tradicional.

As análises também revelam que a regulamentação desses dispositivos não acelera o crescimento no número de fumantes.

Uma pesquisa com estudantes espanhóis do ensino médio que nunca fumaram, feita por pesquisadores do grupo Unidad de Control del Tabaco e publicada em abril de 2022, revela que um em cada 1000 estudantes que nunca fumaram inicia o uso de nicotina por meio do cigarro eletrônico.

Outro levantamento feito pela UCL (University College London), publicada em março deste ano, analisou a prevalência do uso de cigarros eletrônicos em jovens e adultos na Inglaterra por uma década, chegando à conclusão de que a utilização desses dispositivos não está associada a um aumento de fumantes na população entre 16 e 24 anos.

A UCL também lançou o estudo “Smoking Toolkit Study”, que monitora as taxas de tabagismo mensal entre os ingleses e aponta que o uso de cigarros eletrônicos por pessoas que nunca fumaram é raro, cerca de 2% do total, enquanto para fumantes regulares tem crescido.

Redução de taxas de fumantes em países que regulamentam cigarros eletrônicos

A experiência em países que regulamentaram esses produtos tem demonstrado uma redução nas taxas de fumantes. Um exemplo é a Inglaterra, que vem tendo uma queda gradativa, ano a ano, no número de fumantes.

O país é um dos pioneiros em criar normas para produção e venda desses produtos há mais de 10 anos. Em 2015, o índice de fumantes por lá era de 17,2% e, em 2020, chegou a quase 14%, de acordo com o Office National Statistics, plataforma de estatísticas do governo inglês.

A Nova Zelândia também registrou redução na taxa de fumantes depois da regulamentação dos dispositivos eletrônicos. O órgão de saúde pública local apontou que o índice foi de 13,7% em 2020, para 10,9% em 2021. O governo neozelandês, inclusive, reconhece os vaporizadores como uma ferramenta de cessação ao tabagismo após regulamentados.

Cigarros eletrônicos como apoio para adultos fumantes reduzirem o consumo de cigarros convencionais

Com base nos estudos que apontam que os dispositivos têm potencial risco reduzido em relação ao cigarro convencional, alguns países passaram a liberar o uso, compreendendo que os produtos podem auxiliar adultos que querem deixar de fumar.

Pesquisa realizada nos Estado Unidos com cerca de 8.000 fumantes, por exemplo, concluiu que existe maior chance de abstinência prolongada do cigarro convencional para quem usa cigarros eletrônicos se comparado com aquele que não utiliza. O estudo foi publicado, em 2020, na revista Nicotine & Tobacco Research e destaca ainda que o uso diário de cigarros eletrônicos aumenta em 77% as chances de parar de fumar cigarros convencionais.

Os cigarros eletrônicos têm risco potencial reduzido

Existem dois tipos de cigarros eletrônicos: um deles é o vaporizador, que funciona a partir do aquecimento de um líquido, e esse líquido pode conter ou não nicotina, e produz aerossol; o outro é o produto de tabaco aquecido que , como o próprio nome sugere aquece o tabaco ao invés que queimá-lo, esse processo também produz aerossol.

Ambos são diferentes do cigarro convencional por não terem combustão, proporcionando uma redução expressiva que pode chegar até 99% de exposição a substâncias tóxicas ou potencialmente tóxicas, esses dados são do estudo publicado na revista Chemical Research Toxicology , em 2016.

Já o COT (Comitê de Toxicidade de Produtos Químicos em Alimentos, Produtos de Consumo e o Meio Ambiente, na sigla em inglês) conclui, em uma revisão de segurança recente, que se espera que os efeitos adversos à saúde dos cigarros eletrônicos sejam muito menores do que os dos cigarros convencionais. O apontamento está no relatório publicado pelo Public Health England, órgão de saúde da Inglaterra, em 2021.

A autoridade de saúde do Canadá afirma, em página oficial que,  “há melhorias gerais de saúde de curto prazo se você mudar completamente de cigarros convencionais para vaporizadores”,

Relação entre cigarro eletrônico e a dependência de nicotina

O sal de nicotina é uma das formas dessa substância disponíveis nos dispositivos eletrônicos. Esse elemento oferece uma entrega similar à liberação de nicotina e aspectos sensoriais que os fumantes esperam dos cigarros.

Um trabalho financiado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e coordenado por pesquisadores de diferentes universidades, entre elas a The University of Chicago e a Brown University, investigou o tema em 2021 e revelou que não existe relação dos sais de nicotina com o aumento da dependência.

Nessa pesquisa, 114 fumantes receberam cigarros eletrônicos com sais de nicotina. Com base nos dados dos indivíduos que consumiram esse produto, o estudo apontou que “os cigarros eletrônicos com sistema de sal de nicotina tem um potencial reforço semelhante aos cigarros convencionais e facilitam a troca”, pois oferecem similaridade em termos de “apelo, reforço e redução da toxicidade”

Líquidos aromatizantes e a iniciação no tabagismo

A diversidade de aromatizantes dos cigarros eletrônicos pode ajudar a tornar o uso desses produtos mais satisfatório para quem deseja parar de fumar, destaca levantamento da Yale School of Public Health, de 2020. A pesquisa mostra que adultos que vaporizam sabores diferentes podem ser mais propensos a parar de fumar do que aqueles que usam cigarros eletrônicos com sabor de tabaco.

O resultado da análise diz ainda que os sabores distintos de tabaco não foram fortemente associados à iniciação do tabagismo entre os jovens, mas foram muito relacionados à cessação dos adultos.

**Informações do portal Poder360

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