Com pouco mais de 85 mil habitantes, São Bento do Sul, no Planalto Norte de Santa Catarina, vive um momento delicado no que diz respeito à pandemia da Covid-19. Desde março do ano passado, já foram confirmados 2.587 casos e, de acordo com a última atualização do município, 526 pacientes estão em tratamento. Em mais de um ano de pandemia, foram 31 mortes no município. O colapso na saúde chegou ao ápice no último sábado (22), quando o Hospital Sagrada Família precisou transferir, durante a madrugada, cinco pacientes que necessitavam com urgência de tratamento intensivo.
Hospital Sagrada Família vive situação de colapso sem leitos disponíveis – Foto: Prefeitura de São Bento do Sul/Divulgação/NDA unidade não tem, no momento, leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponível. Os 12 leitos disponíveis no hospital estão sendo utilizados, os leitos de enfermaria estão lotados e a sala de urgência e emergência também não têm mais disponibilidade de receber pacientes. Além disso, ainda há um paciente na fila, aguardando por um leito de tratamento intensivo.
Com a situação crítica, a prefeitura contratou o serviço de UTI móvel particular para realizar as transferências. O hospital adotou um protocolo de atendimento especial devido à situação da unidade. Assim, o hospital passa a atender apenas casos de extrema gravidade. O objetivo é minimizar a lotação do local.
SeguirEm uma reunião de emergência do comitê de crise da Covid-19 no município, o superintendente do hospital, Renato Figueiredo, contou que na sexta-feira (21) havia apenas um respirador disponível e era o único equipamento reserva. “Foi muito tenso, muito complexo, pois se qualquer paciente precisasse entrar em suporte respiratório, não teríamos. Poderíamos ter pedido pacientes no nosso hospital”, falou.
A médica Sabrina Garcia Schwingel, que coordena a equipe assistencial de Covid-19 do hospital contou que, durante a semana, um paciente de 50 anos precisou ser intubado às pressas e a equipe teve que fazer respiração manual, pois não tinha equipamento disponível. “A semana foi intensa, mas esse foi um dia terrível. Foi desesperador intubar e não ter suporte depois. As pessoas precisam entender melhor o que está acontecendo. Está em colapso mesmo e vai morrer na porta do hospital”, alertou.
Para tentar frear o contágio e dar suporte à demanda, o município publicou novo decreto ainda no sábado, endurecendo as medidas restritivas. Os esportes coletivos recreativos estão proibidos em qualquer situação, seja em locais abertos ou fechados. O município proibiu, ainda, música ao vivo em bares, lanchonetes e outros estabelecimentos, jogos eletrônicos, de cartas e sinucas. Os parques e praças serão fechados. As medidas entraram em vigor e não há prazo para novo decreto.