A falta do repasse mensal de três contratos pela prefeitura de Florianópolis fez o provedor do IHC (Imperial Hospital de Caridade), Luiz Mário Machado, anunciar a suspensão do atendimento a novos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) a partir de segunda-feira (5). A unidade de saúde atende pacientes da média e alta complexidade, nas especialidades de cardiologia, transplante renal, tomografia e radioterapia. A justificativa da prefeitura é a falta de uma certidão negativa junto a Receita Federal.

Em virtude da alta do dólar e da crise nos últimos meses, o hospital aumentou a dívida com fornecedores e profissionais, que hoje gira em torno dos R$ 20 milhões. Por mês, a unidade de saúde recebe uma média de 800 pessoas em sua emergência. O Hospital de Caridade tem 10 leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) reservados para os pacientes do SUS. O hospital também atende clientes de planos de saúde e particular.
“Não temos mais dinheiro para comprar comida, remédios e os itens necessários para os atendimentos. Estamos negociando o parcelamento da dívida com a Receita Federal, mas ainda não conseguimos. A inflação em dólar, porque os medicamentos e os equipamentos são comprados em moeda americana, prejudica a nossa situação financeira. Sem falar nos planos de saúde, que demoram até 90 dias para repassarem os valores”, comenta o provedor.
SeguirLuiz Mário Machado enviou um ofício ao secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Daniel Moutinho, comunicando a suspensão no atendimento. No documento, ele explica que a “situação financeira do IHC está tão grave, que o não recebimento da parcela do contrato e do extrateto, não nos permite continuar com os atendimentos contratualizados”. O provedor não soube informar o valor exato do repasse da prefeitura, que ultrapassa R$ 1 milhão.
O Imperial Hospital de Caridade tem cerca de 1 mil funcionários, entre os terceirizados e contratados.
Divergência sobre a dívida
Há uma divergência sobre a dívida da prefeitura de Florianópolis com o Imperial Hospital de Caridade. Para o secretário de Saúde, Carlos Daniel Moutinho, a prefeitura deve apenas um mês, que não foi pago pela falta de documentação. Já o provedor do IHC, Luiz Mário Machado, informa que precisou entrar na Justiça para receber o extrateto.
“Não efetuamos o pagamento pela falta da certidão negativa, que é um procedimento obrigatório. Quando o hospital apresentar o documento, no dia seguinte encaminharei o pagamento. São diferentes tipos de contrato e não sei informar os valores. Poderemos ter uma demanda represada nos atendimentos de média e alta complexidade”, afirma o secretário.
O provedor do Hospital de Caridade tem outra versão. “A prefeitura tem valores em atraso. O extrateto, por exemplo, precisamos entrar com uma ação na Justiça para receber essa quantia. Os pacientes do SUS que estão internados e com exames marcados continuarão a ser atendidos”, explica Luiz Mário.