Em um recorte de 474 moradores de Florianópolis, mais da metade (56,4%) foi diagnosticada com HPV (Papilomavírus humano), infecção sexualmente transmissível que pode causar diversos tipos de câncer. O número preocupante foi divulgado em um estudo epidemiológico publicado em julho do ano passado, intitulado “A Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV (POP-Brasil)”, com dados coletados em todo o país entre 2015 e 2017.
Em um recorte de 474 moradores de Florianópolis, mais da metade (56,4%) foi diagnosticada com HPV (Papilomavírus humano), infecção sexualmente transmissível que pode causar diversos tipos de câncer. – Foto: Divulgação/NDPouco mais de um ano após a divulgação da pesquisa, encabeçada pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), a Prefeitura de Florianópolis anunciou a participação em um novo estudo, desta vez sobre o impacto da vacinação contra a doença no Brasil. As pesquisadoras iniciaram o trabalho na Capital catarinense em 10 de agosto, por meio da Secretaria de Saúde municipal.
A vacina contra o HPV é disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) desde 2014. O público-alvo é de meninos de 11 a 14 anos, e meninas de 9 a 14 anos. “Se a gente olhar os gráficos da cobertura vacinal do Brasil nos últimos anos, vamos ver que desde 2015 diversas vacinas estão em queda de adesão”, observa a enfermeira Miriam Regina Fuck, idealizadora da Bravacinas Clínica de Vacinação.
A meta para os adolescentes é que 80% recebam as duas doses contra a doença. No entanto, segundo dados do Datasus levantados pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBI), apenas 40% das meninas de 9 a 15 anos, e 30% dos meninos de 11 a 14 anos, completaram a imunização em 2020.
“Assim como a Covid, o câncer também mata. E há anos temos uma vacina segura e eficaz, capaz de praticamente erradicar o câncer de colo de útero e tantos outros causados por HPV. Precisamos que as pessoas adquiram a consciência do que essa vacina representa em suas vidas”, reforça Miriam.
Próximos passos do estudo em Florianópolis
Após o primeiro passo realizado pelas pesquisadoras no início deste mês em Florianópolis, uma nova coleta será realizada para comparação. O objetivo: determinar a diminuição da prevalência e persistência da infecção em pessoas vacinadas na Capital catarinense. O mesmo método foi usado entre 2015 e 2017 no POP-Brasil, que chega à sua segunda edição.
A meta para os adolescentes é que 80% recebam as duas doses contra a doença – Foto: Divulgação/NDEm todas as capitais do país, cerca de 15 mil mulheres e homens de 16 a 25 anos serão examinados, por meio de coletas feitas nos centros de saúde de cada cidade. O estudo será finalizado em 2023, período suficiente para que uma boa parcela de brasileiros desta faixa etária seja analisada.
As coletas de dados e de material – genital, anal e de sangue – serão efetuadas com entrevistas, realizadas por profissionais de saúde. Toda a pesquisa realizada durante o estudo será essencial para os próximos passos a serem seguidos na vacinação contra o HPV no Brasil.
A pesquisa sobre HPV em Florianópolis
*Dados coletados pelo estudo “A Prevalência Nacional de Infecção pelo HPV (POP-Brasil)”, entre 2015 e 2017
474 pessoas pesquisadas
56,4% já tiveram contato com algum tipo de HPV
37,3% tiveram contato com HPV de alto risco
Mais de 25% relataram ser fumantes (maior percentual entre as capitais pesquisadas)
Mais de 90% relataram consumir bebidas alcóolicas (maior percentual entre as capitais pesquisadas)
Quase 60% relataram consumir drogas (maior percentual entre as capitais pesquisadas)
Quase 60% relataram não usar preservativos (maior percentual entre as capitais pesquisadas)
6ª capital com menor conhecimento sobre HPV
Perguntas e respostas
O que é HPV?
O HPV (Papilomavírus humano) é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode infectar tanto a pele como mucosas da região anogenital e oral. A maioria dos indivíduos sexualmente ativos entrou ou entrará em contato com o HPV em algum momento da vida, especialmente quando jovens, idade em que as taxas tendem a ser mais elevadas.
O HPV pode se tornar um câncer?
Sim. A infecção persistente do vírus pode evoluir para vários tipos de neoplasia, como câncer de colo uterino, pênis, vulva, canal anal e orofaringe. O HPV é um vírus de DNA da família dos papilomavírus, com mais de 170 tipos identificados.
Alguns destes vírus são considerados de alto risco para o desenvolvimento do câncer cervical, como o HPV 16 e 18, por exemplo, que representam cerca de 70% de todos os casos de câncer do colo do útero em todo o mundo. Em países menos desenvolvidos, mais da metade dos cânceres são atribuíveis ao HPV, tanto em homens como mulheres, correspondendo a mais de 600 mil casos de câncer por ano.
O câncer do colo do útero é o terceiro tumor mais frequente na população feminina e a quarta causa de morte de mulheres por câncer. Além de ser um pré-requisito para o câncer cervical, o HPV está presente em 88% dos tumores anais, 50% dos penianos e 26% dos carcinomas de cabeça e pescoço, sendo o tipo 16 também o tipo mais comum.
Por que a vacina é aplicada em crianças e adolescentes? A imunização funciona?
A vacinação universal contra o HPV é considerada a estratégia mais eficaz para prevenção contra a infecção. Embora os programas variem de acordo com o país, de forma geral a vacinação antes da iniciação sexual é aconselhável para garantir proteção antes da exposição aos diferentes tipos de HPV.
Resultados de diversos ensaios clínicos demostram que as vacinas são seguras e eficazes na prevenção da pelo HPV 16 e 18, com eficácia maior de 90% entre mulheres de 15 a 26 anos. Os testes da vacina quadrivalente contra o HPV mostraram uma eficácia próxima a 100% contra as lesões intraepiteliais relacionadas aos HPV 16 ou 18 e contra verrugas genitais relacionadas aos HPV 6 ou 11.
A vacina no Brasil protege contra quais tipos de HPV?
No Brasil, a vacinação contra o HPV foi incorporada ao Programa Nacional de Imunização (PNI) em 2014, com a aplicação da vacina quadrivalente. Ela confere imunidade contra os tipos virais 6 e 11 (responsáveis por 90% dos casos de verrugas genitais) e 16 e 18 (responsáveis globalmente por 71% dos casos de câncer cervical).
Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.