Com recorde de mortes por dengue em 2024, governo de SC anuncia medidas de combate à doença

As mortes por dengue aumentaram 247% em Santa Catarina este ano e a cobertura vacinal atingiu apenas 12% do público-alvo no estado

Foto de Beatriz Rohde

Beatriz Rohde Florianópolis

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Santa Catarina registrou um recorde de mortes por dengue em 2024, com 346.625 casos prováveis e 340 óbitos. Nesta sexta-feira (13), diante da ameaça à saúde pública, o governo do estado anunciou novas medidas de combate à doença.

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengueSanta Catarina registrou mais de 65 mil focos do mosquito da dengue em 283 municípios este ano – Foto: Getty Images/ND

Serão investidos R$ 8 milhões para a compra de 800 equipamentos e para a realização de exames. Os aparelhos de hematócrito rápido serão disponibilizados aos municípios para auxiliar no diagnóstico dos pacientes, agilizar a condução clínica e reduzir a letalidade da dengue.

As ações foram apresentadas nesta sexta-feira pelo governador Jorginho Mello e o secretário da saúde Diogo Demarchi Silva, durante uma entrevista coletiva na sede da Defesa Civil.

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“A dengue ceifou a vida de muitas pessoas e toda vida é importante. Mas tem que ficar claro que não são apenas idosos, mas jovens com 15 anos e 20 anos. A dengue mata pessoas saudáveis e jovens também. Muitas vezes as pessoas têm a impressão de que vai dar uma febre e passar. E tem que ficar muito claro que não é assim, a dengue é grave”, alertou o secretário.

Aparelho de hematócrito auxilia no diagnóstico da dengueO hematócrito rápido auxilia no encaminhamento do paciente conforme a gravidade do quadro – Foto: Roberto Zacarias/Secom/ND

O governador afirmou que os equipamentos serão disponibilizados em cada posto de saúde, onde as pessoas com sintomas poderão fazer o teste. Caso for constatada a gravidade da doença, o paciente será encaminhado ao hospital. Senão, vai para casa seguir as orientações médicas.

A secretaria da Saúde convocou a população catarinense a participar do Dia D de Mobilização contra a dengue no próximo sábado (14). A iniciativa busca conscientizar sobre a importância de medidas simples para conter a proliferação do mosquito transmissor Aedes aegypti.

SC atingiu apenas 12% do público-alvo da vacinação contra a dengue

Vacina contra a dengueO público-alvo da campanha de vacinação contra a dengue são crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação/ND

Santa Catarina teve aumento de 247% no número de mortes por dengue em relação a 2023, quando 98 pessoas morreram pela doença. Este ano, o estado registrou 65.843 focos do mosquito Aedes aegypti em 283 municípios.

Segundo a Dive-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), a cobertura vacinal é de apenas 12% entre o público-alvo, que são crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos.

Criança sendo vacinada contra a dengueTodas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, mas algumas pessoas correm mais risco de desenvolver complicações – Foto: Reprodução/Agência Brasil/ND

Isso significa que somente 37 mil dos 221 mil jovens catarinenses completaram o esquema vacinal com as duas doses do imunizante. A cobertura da primeira dose é de 39% e a meta do Ministério da Saúde é vacinar 90% do público-alvo.

“O ano de 2024 foi marcado por um aumento de casos e óbitos pela doença. Assim, precisamos continuar avançando na vacinação da população nestas cinco regiões de saúde, já que a vacina é mais uma estratégia de enfrentamento à doença, e ofertada gratuitamente pelo SUS”, explica o diretor da Dive-SC, João Augusto Brancher Fuck.

Saiba como eliminar os focos do mosquito da dengue

Água parada é foco do mosquito da dengueO mosquito transmissor da dengue se prolifera em água parada – Foto: Prefeitura de Araquari/Divulgação/ND
  • Evite que a água da chuva fique depositada e acumulada em recipientes como pneus, tampas de garrafas, latas e copos;
  • Não acumule materiais descartáveis desnecessários e sem uso em terrenos baldios e pátios;
  • Trate adequadamente a piscina com cloro. Se ela não estiver em uso, esvazie-a completamente sem deixar poças de água;
  • Manter lagos e tanques limpos ou criar peixes que se alimentem de larvas;
  • Lave com escova e sabão as vasilhas de água e comida de seus animais de estimação pelo menos uma vez por semana;
  • Coloque areia nos pratinhos de plantas e remova duas vezes na semana a água acumulada em folhas de plantas;
  • Mantenha as lixeiras tampadas, não acumule lixo/entulhos e guarde os pneus em lugar seco e coberto.

Fique atento aos sintomas da doença

Homem doente com febreAs pessoas que apresentarem sintomas da dengue poderão fazer o teste no posto de saúde do município – Foto: Reprodução/Johnce/iStock

De acordo com o Ministério da Saúde, todo indivíduo que apresentar febre (39°C a 40°C) de início repentino e apresentar pelo menos duas das seguintes manifestações – dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos – deve procurar imediatamente um serviço de saúde, a fim de obter tratamento oportuno.

No entanto, após o período febril é preciso ficar atento. Com o declínio da febre (entre 3° e o 7° dia do início da doença), sinais de alarme podem estar presentes e marcar o início da piora no indivíduo. Esses sinais indicam o extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias, sendo assim caracterizados:

  • dor abdominal (dor na barriga) intensa e contínua;
  • vômitos persistentes;
  • acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico);
  • hipotensão postural e/ou lipotímia;
  • letargia e/ou irritabilidade;
  • aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) maior 2cm;
  • sangramento de mucosa;
  • aumento progressivo do hematócrito.

Passada a fase crítica da dengue, o paciente entra na fase de recuperação. No entanto, a doença pode progredir para formas graves que estão associadas ao extravasamento grave de plasma, hemorragias severas ou comprometimento de órgãos, que podem evoluir para o óbito.

Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém as pessoas com condições preexistentes como as mulheres grávidas, lactentes, crianças (até 2 anos) e pessoas maiores de 65 anos têm maiores riscos de desenvolver complicações pela doença.