O atraso nos salários de médicos do HRO (Hospital Regional do Oeste) e do HC (Hospital da Criança Augusta Muller Bohner) no município de Chapecó, na região Oeste de Santa Catarina, pode resultar na paralisação dos atendimentos ambulatoriais e das cirurgias e procedimentos eletivos de qualquer natureza médica, por tempo indeterminado.
Atendimentos podem ser paralisados no HRO e no Hospital da Criança. – Foto: Mauricio Vieira/Divulgação/NDProfissionais informaram em comunicado enviado à diretoria da ALVF (Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira), entidade que administra os dois hospitais, que a situação de atraso no pagamento da produtividade médica ocorre desde maio de 2021 e os plantões e sobreavisos desde setembro de 2021.
O documento, assinado pelo diretor clínico do HRO, médico Amauri Antônio Biazi, foi encaminhado à diretoria da ALVF em 3 de dezembro com o prazo de 15 dias, a partir desta data, para que os pagamentos sejam regularizados de forma integral.
SeguirO comunicado salienta que mesmo em meio a pandemia da Covid-19, os atendimentos médicos e cirurgias se mantiveram normais, nas regras estabelecidas pelos governos federal, estadual e municipal, e o corpo clínico não mediu esforços, mesmo nos piores momentos da pandemia.
A preocupação dos profissionais também ocorre porque muitos médicos dependem exclusivamente da renda do hospital e, por isso, estão saindo das escalas de plantão, deixando de atuar no hospital e buscando outros serviços que paguem em dia.
Em razão disso, o documento ressaltou que os coordenadores da UTI Pediátrico, UTI Neonatal e do Pronto Socorro tanto do HRO como do Hospital Materno Infantil, estão encontrando dificuldades e com furos nas escalas de plantão do fim do ano e principalmente janeiro e fevereiro de 2022, o que irá acarretar prejuízo no atendimento aos pacientes. No caso do Hospital da Criança há mais de três meses não conseguem fechar a escala de plantão.
O documento diz ainda que a promessa de pagamento seria para o fim de outubro de 2021, quando o governo catarinense repassaria o restante da parcela referente as contas auditadas pelo Estado, o que não ocorreu até o momento.
Atraso milionário
Conforme o vereador e também médico João Marques Rosa (PSL), alguns médicos não recebem há cerca de seis meses o valor referente a plantões e produções. “O HRO deve, até o fim de outubro, cerca de R$ 3 milhões aos médicos. Sabemos que diretoria está fazendo todo o esforço, mas o governo do Estado assinou o convênio, porém não veio o valor ainda. Caso não ocorra essa regularização em 15 dias não terá médico em UTI e no Pronto Socorro”.
Hospital Regional do Oeste é referência no atendimento de toda a região. – Foto: Mauricio Vieira/Divulgação/NDO Simesc (Sindicato dos Médicos do Estado Santa Catarina) informou que está acompanhando a pauta e realiza reunião na tarde desta terça-feira (7) para discutir sobre o assunto.
O ND+ entrou em contato com a SES (Secretaria de Estado da Saúde) para saber sobre os repasses financeiros, porém não obteve retorno até às 16h desta terça-feira. O espaço segue aberto para manifestação do Estado.
O que diz o hospital?
O HRO informou em nota que, conforme informado publicamente no dia 1º de dezembro, a ALVF aguarda repasses no valor de R$ 7,2 milhões (agosto e setembro/2021), referentes à diferença de contas auditadas e ainda não quitadas.
Conforme o hospital, um convênio com a Secretaria de Estado da Saúde foi liberado nesta segunda-feira (6), e agora seguem os trâmites legais e de transparência exigidos para a operação: publicação, abertura de conta e depósito dos valores.
Prefeitura acompanha situação
A Secretaria de Saúde de Chapecó enfatizou que a administração dos hospitais é de responsabilidade da ALFV. Acrescentou que o município acompanha, com preocupação, a situação financeira da instituição, “afetada durante a pandemia, pela ampliação de leitos e aumento de custos.”
A Administração Municipal de Chapecó ressaltou que é parceira do governo do Estado e da direção do HRO na busca de soluções e, neste sentido, antecipou R$ 1 milhão de repasse para o pagamento do 13º dos funcionários do hospital.