A Hantavirose é uma doença aguda e grave transmitida por roedores silvestres, mais frequente na área rural. Santa Catarina tem registro de 8 casos confirmados nas cidades de Agronômica, Águas Frias, Caçador, Lontras, Mafra, Palhoça, Painel e Urubici. Quatro deles evoluíram para óbito, de acordo com a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).
Quatro mortes por mordida de rato silvestre foram registradas no Alto Vale em 2022 – Foto: Pixabay/Reprodução/NDAs pessoas com maior risco de exposição ao hantavírus são os agricultores, pescadores, trabalhadores em áreas de reflorestamento, pessoas que vivem ou trabalham no campo e que fazem atividades em locais fechados como galpões, paióis, armazéns e casas de campo fechadas e pouco ventiladas. Pescadores, ecoturistas e pesquisadores científicos também estão mais expostos à virose.
A doença é transmitida pela aspiração da poeira e de aerossóis contaminados com urina, fezes ou saliva de ratos silvestres ou até mesmo pela mordida desses roedores. A hantavirose se manifesta como uma síndrome cardiopulmonar e pode levar à morte em apenas 72 horas se não for tratada adequadamente.
SeguirSintomas da hantavirose
Os sinais e sintomas podem aparecer até 60 dias após a pessoa se expor ao local contaminado. No início, a doença parece uma gripe forte. Pode causar febre alta, dor de cabeça, dor no corpo e, em alguns casos provoca diarreia, enjoo e vômitos. Tosse seca e falta de ar são sinais de agravamento da doença.
Ao perceber algum sintoma, o indicado é procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar como é o local onde você mora e trabalha, principalmente se for em área rural e com a presença de roedores silvestres.
A doença não tem caráter sazonal e pode aparecer em qualquer ano inteiro. No entanto, o período de agosto a fevereiro é mais propenso ao surgimento de casos porque é a época em que os grãos estão armazenados nos paióis, o que acaba aproximando os roedores das pessoas. A ocorrência da hantavirose em Santa Catarina é registrada desde 1999.
Como prevenir a Hantavirose na propriedade rural
Pessoas que vivem em áreas rurais têm mais risco de exposição à doença. Preservar o meio ambiente e os animais que se alimentam de ratos silvestres (como cobras, gaviões, corujas, cachorros e gatos-do-mato) é a forma natural de controlar a transmissão da doença. Mas alguns cuidados são necessários na propriedade:
- Evite contato direto com roedores ou com suas fezes e urina.
- Antes de limpar um lugar que esteve fechado, deixe ventilar por pelo menos uma hora.
- Ao ventilar e limpar ambientes fechados, use máscara respiratória com filtro P3.
- Após ventilar, faça a limpeza do local com uma solução de água sanitária a 10% (1 parte de água sanitária para 9 de água).
- Mantenha limpo o local onde vivem os animais da propriedade, recolhendo sempre as sobras de comida.
- Armazene os insumos suspensos em estrados, em depósito/paiol afastado de casas, lavouras e da mata.
- Coloque as pilhas de lenha em estrados suspensos do chão.
- Se não houver coleta regular, enterre o lixo orgânico a, no mínimo, 30 metros das construções.
- Não descanse em locais fechados com restos de alimentos ou grãos, como paióis.
- Dentro de casa, coloque toda a comida em sacos ou caixas fechadas numa altura de pelo menos 40cm do chão.
- Lave pratos e utensílios de cozinha imediatamente após o uso. Não deixe restos de alimentos no chão.
- Feche aberturas e fendas com mais de 0,5cm para evitar acesso de roedores a casas e anexos.
- Mantenha a área em volta de casas, galpões e alojamentos sempre limpa, sem mato, pneus velhos ou entulhos.
- Mantenha a vegetação rasteira em um raio de pelo menos 40m ao redor das construções, evitando abrigo e proteção para os roedores.
- O plantio de milho e outros grãos deve ser feito a no mínimo 40m de distância da residência.
Para mais informações sobre a Hantavirose, acesse os dados da Secretaria de Saúde do seu município e também no site www.dive.sc.gov.br