Outubro Rosa é o mês de campanha de conscientização, combate e prevenção ao câncer de mama. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de mama em mulheres é o segundo tipo da doença mais comum entre as mulheres, depois do de pele.
Você deve estar estranhando eu dizer “câncer de mama em mulheres”, mas isto não é redundância, já que apesar da doença atingir principalmente as mulheres, também pode acometer homens. Estatisticamente tem-se o diagnóstico de um homem para cada 100 em mulheres. Devido à falta de informação e preconceito, a maioria dos diagnósticos de câncer de mama em homens é feito em estágio avançado.
Técnicas diferentes podem ser usadas para reconstruir a mama após casos de cirurgia por câncer – Foto: Michelle Leman/PexelsPor que o Outubro Rosa é importante? Ele lembra da importância do diagnóstico precoce. Como? Com a prevenção de casos avançados, com a disponibilidade de acesso a mamografias, ecografias e ultrassonografias. Importante lembrar que o câncer de mama pode ser prevenido e tratado! E, quanto mais precocemente for iniciado o tratamento, menor a extensão da cirurgia se necessária e menor a necessidade de receber quimioterapia e radioterapia.
SeguirLogo, manter um peso saudável para seu biotipo, fazer exercícios físicos regularmente, conhecer seu histórico familiar e identificar se outros parentes também já tiveram a doença são também formas para auxiliar na identificação precoce. Faça sua consulta médica.
Na conversa de hoje vou me ater ao câncer de mama em mulheres e trazer a seguinte reflexão: sobre a sexualidade, como fica a mulher que foi diagnosticada com câncer de mama?
Nos meus atendimentos clínicos e pela plataforma Sexo sem Dúvida recebo mulheres que ao serem diagnosticadas com câncer de mama, tiveram afetadas intimamente sua autoestima e de forma direta a sexualidade individual e do casal, quando em um relacionamento. As mamas são uma das representações do corpo feminino, estão ligadas à identidade da mulher, ao reconhecimento de seu corpo. Sendo assim, um dos símbolos da feminilidade, da sexualidade e da sedução.
É sabido que o diagnóstico de câncer traz culturalmente a iminência da morte e o processo de luto, o que pode contribuir para a perda no interesse sexual. A preocupação em (sobre)viver se torna a prioridade. Mas é preciso falar em vida e também em sexualidade. Lembro que sexualidade não é sinônimo de sexo, de atividade sexual, e sim, de relações, vivências e intimidade.
Remédios e tratamentos como cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia aplicadas ao tratamento de câncer podem também afetar a resposta sexual da mulher. Efeito colaterais como depressão, cansaço físico, dores e náuseas podem também contribuir para a perda do desejo. E, dependendo do tratamento hormonal, ele pode também afetar alguma resposta sexual, incluindo a inibição do desejo sexual.
Ressalto hoje quatro pontos importantes para a mulher que está em tratamento: autocuidado, comunicação, conhecimento e psicoterapia.
É importante manter o autocuidado, nem que seja o mínimo. Ou seja: alimentação, sono, banho e afetos. Nos momentos difíceis, manter o bem-estar faz diferença. E isto é sexualidade!
É de suma importância a comunicação por meio de informações e intervenções médicas que ajudem a manter a tranquilidade, nem sempre presente, mas necessária para o tratamento. Além disso, a comunicação com a parceria é fundamental. Este suporte afetivo também faz uma importante diferença no tratamento. E isto é sexualidade!
Ter conhecimento de tudo o que pode ocorrer durante o tratamento é importante. Por exemplo, a mulher precisa saber que pode acontecer a perda da libido por um tempo durante o tratamento. E que sendo um efeito colateral transitório, pode ser gerenciado. Isso já tranquiliza e ameniza a culpa por não sentir desejo.
E é cientificamente evidenciado que o acompanhamento psicoterápico tem se mostrado fundamental no tratamento de câncer de mama. Ainda, o acompanhamento da psicoterapia da sexualidade auxilia neste processo, sendo as questões ligadas à saúde sexual uma das intervenções psicológicas no tratamento do câncer.
Então, como fica a sua sexualidade da mulher com diagnóstico de câncer? Esta mulher precisa se sentir acolhida em suas dores e medos. O sentir-se amada fortalece sua luta no tratamento. É preciso lembrar que a sexualidade não se reduz ao ato sexual. São as relações de afeto, prazer e comunicação. Logo, ouvir, acolher, dar colo e carinho e participar do tratamento vão ajudar a mulher na retomada de confiança consigo, com seu corpo e com a sua vida sexual.